Subculturas de extrema-direita

Subculturas de extrema-direita refere-se ao simbolismo, ideologia e traços que têm relevância aos vários grupos e organizações politicamente de direita extrema.[1][2] Existem três tipos de subculturas dentro dos movimentos de extrema-direita para distinguir: parasitismo subcultural, criação subcultural à volta de ideologia e subculturas que se interligam a movimentos de extrema-direita.[3]

Subculturas criadas à volta ou relacionadas à ideologia Nazi

Parasitismo subcultural

Um skinhead neo-Nazi da Alemanha

Os ideologistas da extrema-direita tentam infiltrar-se em subculturas para espalhar as suas ideias entre eles.[4] Estas tentativas são definidas como parasitismo subcultural. A subcultura mais conhecida que foi tomada pela extrema-direita e neo-Nazis é o espaço Skinhead, que originalmente começou na Grã-Bretanha.[5] Alguns exemplos de parasitismo subcultural: o Nipster, infiltração do Hipster por neo-Nazis (Nazi Hipster); Nazi punk, infiltração da subcultura de Heavy metal, conhecido como black metal Nacional Socialista. Subculturas como a subcultura gótica e a subcultura do Hip Hop também têm sido infiltradas por movimentos e ideologistas de extrema-direita.[6] Alguns outros exemplos para subculturas de extrema-direita ou neo-Nazi: Nazismo esotérico e Satanismo Nazi.

Contra-subversão cultural

Existe outra estratégia à qual os neo-nazis e movimentos de extrema-direita utilizam, e é chamada de subversão cultural. Esta estratégia usa formas já existentes de expressão e organização e dá-lhes um significado de extrema-direita.[7] Alguns exemplos:

  • Música: uso de músicas já existentes e a mudança da sua letra em letras que são nacionalistas ou racistas
  • Slogans: a mudança do slogan de esquerda 'Viva a solidariedade internacional' para o slogan nacionalista 'Viva a solidariedade nacional'
  • Formas de Organização: formas democráticas de organização são copiadas e acomodadas ás ideologias de extrema-direita

Formas modernas de subculturas de extrema-direita e estilos de vidas em países específicos

Itália

Durante o seu governo de Itália, o Partido Nacional Fascista fortemente influenciou a moda na procura de autarquia e esta procura de autarquia foi exemplificada pela crença do Partido Nacional Fascista na importância de estética e simbolismo: as roupas tinham que ser produzidas na Itália e também tinham que refletir os valores do povo italiano.[8] Pedaços de roupa como as camisas negras ficaram associadas à Milícia Voluntária para a Segurança da Nação e até ficaram associadas com o regime. Atualmente, neo-fascistas ainda se importam com a roupa, mas expressam o seu interesse com abordagens diferentes. Símbolos e roupas como a Cruz Celta e roupa preta ainda estão presentes e também são associados com partidos políticos e movimentos filo-fascistas, mas similarmente ao caso neo-Nazi, também existe um crescente interesse em "modernidade" e moda, com novas marcas que oferecem roupas casuais e formais que estão mais em linha com a cultura de consumo atual. Esta moda tem levado ao uso de três tipos diferentes de marcas por subculturas neo-fascistas que ainda se interessam por roupa como uma forma de mostrar as suas afiliações políticas, enquanto se preocupam com o que ainda está na moda:

  • O uso de marcas que não mostram abertamente símbolos de fascismo mas pensa-se terem como alvo consumidores neo-fascistas com base nas suas escolhas em anúncios e parcerias, com a escolha de testemunhos, modelos, ambiente e até material que relembra o homem arquetípico neo-fascista. Por exemplo, Pivert.[9]
  • O uso de marcas que enquanto negam qualquer envolvimento político (a apologia ao fascismo na Itália é oficialmente um crime) baseiam-se fortemente em ícones do regime fascista, usando símbolos, lemas e imagens sem usar o nome do partido enquanto deixando claro qual a sua afiliação política é. Um exemplo é decimaofficialstore.[10]
  • O uso de marcas que arbitrariamente têm o poder de identificação com os seus valores políticos pelos membros da subcultura
Cruz celta numa bandeira Neo-Fascista

A apropriação arbitrária de dispositivos modernos da atual cultural de consumo para além dos que são típicos do seu "ancestral" Neo-fascismo não se limita a moda, exemplos de produtos de cultural moderna que não nasceram com esta afiliação política mas foram usados por neo-fascistas para enquadrar os seus valores e expressar a sua aderência aos seus afiliados são os livros de Tolkien, que levaram à experiência "Campi Hobbit" (Campos Hobbit): campos políticos reais onde foi dado espaço a tópicos que são frequentemente ignorados pelas típicas instituições políticas, tais como a produção de música por grupos musicais de extrema-direita, a produção de trabalhos por artistas visuais, a atuação de podcasts de rádio e discussões sobre questões sociais e tópicos como o desemprego dos jovens junto com a atuação de atividades paramilitares.[11] Outro exemplo famoso é a politização do futebol, com os grupos Ultras muitas vezes afiliados a certas ideologias. A maioria dos grupos ultras de facto apresentam pequenas "bandas" dentro dos mesmos que são abertamente neo-fascistas ou pelo menos extremistas de extrema-direita, com grupos como Brigate Gialloblu de Hellas Verona e Vikings da Juventus, que têm um histórico infame de cometer atos de violência, que não estão relacionados ao desporto ou aos ideias das equipas apoiadas.[12]

Alemanha

Organizações de extrema-direita na Alemanha

  • Partidos de extrema-direita: Alemanha do leste: Partido Nacional Democrático da Alemanha; Alemanha Ocidental: 'Die Rechte' e 'Dritter Weg'. Todos juntos existem 6,000 membros de partidos de extrema-direita na Alemanha.
  • Camaradagens de extrema-direita: a rede Blood & Honour (ou 'Poder Branco'). Ambas as redes estão primariamente a vender música de extrema-direita e a organizar concertos internacionais. As suas ofertas têm um papel importante no estilo de vida da extrema-direita e têm um efeito integrante no ambiente da extrema-direita em geral. A Autonome Nationalisten são uma organização similar. A ideologia é a mesma mas em termos de estética, eles são mais orientados para o seu oponente político na esquerda e copiar os seus estilos de vida e símbolos para os seus propósitos.
  • Intelectuais da Neue Rechte (Nova Direita): eles funcionam como uma fonte de inspiração e transmissor de palavras chave.
  • Projetos de extrema-direita: Uma inovação nos últimos anos são projetos de extrema-direita no interface da vida virtual e real. Exemplos são o Identitären (Movimento identitário) e o Unsterblichen. O Unsterblichen foi começado extremistas de direita na Alemanha do leste. Eles formularam a perseguição da suposta Volkstods (morte da nação). Que pode ser vista como relação à mudança demográfica da Alemanha e o medo de serem inundados por influências estrangeiras. O Unsterblichen apoderou-se da ideia de flash mob e produziu coreografias de alta qualidade para demonstrações que filmaram profissionalmente e distribuíram com música em redes sociais.[13]

Movimento identitário

O Movimento identitário é uma das mais renomeadas culturas juvenis de extrema-direita na Alemanha e também faz parte da Nova Direita. Dentro da Nova Direita, tem quatro características de posição únicas: juventude, um desejo excessivo de ação, cultural popular e Identidade Corporativa.[14] O movimento Identitário alemão usa o Facebook como a sua plataforma principal, onde espalha citações de pensadores famosos do movimento Revolucionário Conservador tais comp Ernst Jünger e Carl Schmitt, artigos do jornal da extrema-direita Sezession e vídeos de várias campanhas.[15]

Estados Unidos

O movimento de direita alternativa americano

A direita alternativa é um movimento político recentemente formado que tem visões extremas em questões políticas, culturais, raciais e religiosas, com os seus temas centrais sendo supremacia branca e nacionalismo branco.[16] Tem ganho proeminência significante desde a corrida para a eleição presidencial de 2016, na qual Donald Trump foi eleito. O típico apoiante da direita alternativa é um cidadão branco não-naturalizado estadounidense, provavelmente uma pessoa cuja linhagem familiar não tem imigração recente para os EUA.[17]

Adoção de simbolismo neo-fascista/Nazi

Richard B. Spencer a falar numa reunião de direita alternativa, 2016

Depois da vitória de Donald Trump em novembro de 2016, a exposição e simbolismo que são associados com a direita alternativa tem-se tornado mais distinta. Em meados de novembro de 2016, uma conferência da direita alternativa com aproximadamente 200 pessoas foi realizada em Washington D.C. Um dos oradores neste evento foi o presidente do Instituto de Políticas Nacionais e supremacista branco; Richard Spencer. Membros do público aplaudiram e deram a saudação Nazi quando ele disse, "Salve Trump, salve as nossas pessoas, salve vitória!".[18] O tema paralelo de pureza cultural combinado com conotações totalitárias e outras conotações associadas com história Nazi fornece um apelo estético aos temas e ideias da direita alternativa. Devido à natureza superficial do grupo, o entendimento dos conceitos-chave que estão por detrás destes outros movimentos políticas de extrema-direita são secundários à imagem e cultura visual que são ambos associados a eles.[19]

Subculturas e marcas de moda da extrema-direita

Abuso de marca de roupa

Neste caso, abuso de marca de roupa é o abuso de marcas de roupa por movimentos de extrema-direita, tais movimentos abusam de marcas específicas usando-as como símbolos da suas ideologias. Alguns exemplos são Lonsdale, Fred Perry e New Balance.[20] A marca de desporto britânica Lonsdale tornou-se popular no movimento neo-nazi alemão pelas letras 'NSDA' no nome, que se refere ao Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP, Partido Nazi), que esteve ativo entre 1929 e 1945.[21] A popularidade de Fred Perry pode ser explicada pela demanda no ambiente skinhead. Além disso, a marca oferece camisas pólo com um colarinho nas cores preto-branco-vermelho, que era a cor da bandeira do regime nazi.[22] Ambas as marcas se distanciaram de qualquer associação. Em novembro de 2016, Matthew LeBretton, o vice-presidente dos assuntos públicos da New Balance, criticou o acordo de comércio da Parceria Trans-Pacífica, que a administração Obama liderou e que Donald Trump se opôs. Depois da New Balance defender a sua oposição ao acordo, Andrew Anglin, editor do website de notícias e comentário neo-nazi The Daily Stormer, declarou que New Balance eram os "Sapatos Oficiais do Povo Branco".[23]

Marcas de roupa que foram criadas à volta da ideologia da extrema-direita

Também existem marcas que foram criadas para neo-nazis, por neo-nazis.[24] Alguns exemplos de marcas de moda nazi são: Ansgar Aryan, Consdaple, Eric and Sons, Masterrace Europe, Outlaw, Reconquista, Rizist, Thor Steinar, Troublemaker, Dryve by Suizhyde, Greifvogel Wear, Hate-Hate, Hermannsland, Sport Frei, Pro Violence.[25]

Referências

  1. Patyi, Peter; Levická, Jana (14 de agosto de 2014). «Attractiveness of Right Wing Oriented Movements and Subcultures in Modern Society of the Slovak Republic». Procedia - Social and Behavioral Sciences. 3rd Cyprus International Conference on Educational Research, CY-ICER 2014, 30 January – 1 February 2014, Lefkosa, North Cyprus: 832–837. ISSN 1877-0428. doi:10.1016/j.sbspro.2014.07.485. Consultado em 12 de abril de 2025 
  2. «Subkulturen | Netz gegen Nazis». web.archive.org. 21 de fevereiro de 2017. Consultado em 12 de abril de 2025 
  3. Staff, SPIEGEL (4 de novembro de 2014). «New Right Wing Alliance of Neo-Nazis and Hooligans Appears in Germany». Der Spiegel (em inglês). ISSN 2195-1349. Consultado em 12 de abril de 2025 
  4. Bildung, Bundeszentrale für politische. «Rechtsextreme Jugendkulturen». bpb.de (em alemão). Consultado em 12 de abril de 2025 
  5. Worley, Matthew, and Nigel Copsey. "White youth: the Far Right, Punk and British youth culture." JOMEC Journal 9 (2016): 27-47.
  6. «Subkulturen | Netz gegen Nazis». web.archive.org. 21 de fevereiro de 2017. Consultado em 12 de abril de 2025 
  7. «Kulturelle Subversion | Mut Gegen Rechte Gewalt». www.mut-gegen-rechte-gewalt.de. Consultado em 12 de abril de 2025 
  8. «- la Repubblica.it». Archivio - la Repubblica.it (em italiano). Consultado em 12 de abril de 2025 
  9. «Pivert, l'hanno ribattezzata 'linea di abbigliamento fascista'. Il responsabile: "Non è così ma ai ragazzi di CasaPound piace"». Il Fatto Quotidiano (em italiano). 26 de janeiro de 2016. Consultado em 12 de abril de 2025 
  10. «L'Espresso - News, inchieste e approfondimenti». lespresso.it (em italiano). Consultado em 12 de abril de 2025 
  11. «La Repubblica 08 giugno 2007». www.compagniadellanello.net. Consultado em 12 de abril de 2025 
  12. «L'Espresso - News, inchieste e approfondimenti». lespresso.it (em italiano). Consultado em 12 de abril de 2025 
  13. Bozay, Kemal; Borstel, Dierk, eds. (2017). Ungleichwertigkeitsideologien in der Einwanderungsgesellschaft. Col: Edition Centaurus-Jugend, Migration und Diversity. Wiesbaden: Springer VS 
  14. Bruns, Julian; Glösel, Kathrin; Strobl, Natascha (2016). Die Identitären: Handbuch zur Jugendbewegung der Neuen Rechten in Europa 2., aktualisierte und erweiterte Auflage ed. Münster: UNRAST. pp. 68–69 
  15. Bruns, Julian; Glösel, Kathrin; Strobl, Natascha (2016). Die Identitären: Handbuch zur Jugendbewegung der Neuen Rechten in Europa 2. aktualisierte und erweiterte Auflage ed. Münster: Unrast. p. 85 
  16. «Writing about the 'alt-right'». The Associated Press (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2025 
  17. Michael, George (23 de novembro de 2016). «The seeds of the alt-right, America's emergent right-wing populist movement». The Conversation (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2025 
  18. Goldstein, Joseph (21 de novembro de 2016). «Alt-Right Gathering Exults in Trump Election With Nazi-Era Salute». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 17 de abril de 2025 
  19. Romano, Aja (30 de dezembro de 2016). «The 2016 culture war, as illustrated by the alt-right». Vox (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2025 
  20. «Battle of the brands – DW – 02/16/2010». dw.com (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2025 
  21. Belltower.News, Redaktion (29 de julho de 2009). «Lonsdale». Belltower.News (em alemão). Consultado em 17 de abril de 2025 
  22. Belltower.News, Redaktion (29 de julho de 2009). «Fred Perry». Belltower.News (em alemão). Consultado em 17 de abril de 2025 
  23. Mettler, Katie (15 de novembro de 2016). «We live in crazy times: Neo-Nazis have declared New Balance the 'Official Shoes of White People'». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 17 de abril de 2025 
  24. Rafael, Simone (27 de março de 2009). «Marken der rechtsextremen Szene». Belltower.News (em alemão). Consultado em 17 de abril de 2025 
  25. «Hass zum Anziehen: Marken, die bei Neonazis beliebt sind». Belltower.News (em alemão). 29 de julho de 2017. Consultado em 17 de abril de 2025 

Bibliografia

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