Sparks World Famous Shows
| Sparks World Famous Shows | |
|---|---|
| Companhia Privada | |
| Atividade | Entretenimento |
| Fundação | Década de 1890 |
| Fundador(es) | John H. Sparks (né John Henry Wiseman) |
| Sede | |
| Pessoas-chave | John H. Sparks, Charles Sparks |
Sparks World Famous Shows foi uma companhia circense fundada por John Henry Wiseman na década de 1890, com sede em East Brady, na Pensilvânia.[1]
Origens
John H. Wiseman
John Henry Wiseman, cujos pais emigraram da Alemanha para a cidade de Butler, na Pensilvânia em 1853, nasceu em 1863.[1] Aos quinze anos, saiu de casa para viajar como músico, acompanhando companhias teatrais e espetáculos de menestréis.[1]
No início da década de 1880, Wiseman começou a operar um pequeno show de novidades em East Brady, na Pensilvânia. Adquiriu diversos outros espetáculos, entre os quais o Australian Novelty Company e o Uncle Tom’s Cabin.[1]
Charles Sparks
Charles McGee Sparks, nascido em 11 de abril de 1876,[1] era filho de músicos ingleses, e já se apresentava no popular Jack Harvey Minstrels, como baterista e dançarino de sapateado, aos oito anos de idade. Após a morte de seu pai, começou a cantar e dançar nas ruas para ajudar a sustentar sua mãe.[2]
Durante uma turnê em Utah, Charlie e sua mãe conheceram John H. Wiseman, um artista de vaudeville. Wiseman se impressionou com as habilidades artísticas demonstradas por Charlie, e os três acabaram por se tornar amigos próximos. Quando a mãe de Charlie adoeceu gravemente com tuberculose, ela pediu a Wiseman que acolhesse e cuidasse do filho.[2]
Wiseman, que costumava se referir a Charles como seu "irmão adotado",[1] não apenas adotou o menino, como também o empregou em seu espetáculo, primeiro como dançarino, e depois como acrobata e treinador de animais.[1][3] Wiseman também alterou legalmente o próprio nome para John H. Sparks,[3] e passou a se apresentar com Charlie após os espetáculos, até 1890.[2]
Trajetória
Em 1888, John e Charles Sparks se uniram ao Walter L. Main Circus e, apenas um ano depois, Wiseman estreou dois espetáculos próprios, o Allied Great Eastern Shows, que excursionava a região leste dos Estados Unidos, e o Sparks Bros., que excursionava pela região sul do país,[1] e era uma conversão do espetáculo Uncle Tom's Cabin em circo, combinando um pequeno espetáculo de novidades com alguns números circenses.[3][4]
Nas temporadas de 1890 a 1892, o espetáculo passou a ser conhecido como Sparks and Allen, tratando-se de um circo de médio porte.[3] Ao fim de 1892, com a aquisição de metade dos direitos deste espetáculo por George S. Cole, o nome foi alterado para Colossal Cole Circus. Nesta época, Charles, então com dezesseis anos, se apresentava com pôneis treinados. No ano seguinte, o espetáculo passou a usar o nome John H. Sparks[1] e, em 1894, o nome John H. Sparks Shows, continuando a fazê-lo com diversas variações até 1916, quando o título do espetáculo foi encurtado para Sparks Circus,[3] também conhecido como Sparks World Famous Shows.[2]
O circo foi convertido em um espetáculo ferroviário composto por três vagões, com o título John H. Sparks Old Reliable Virginia Shows, em 1900. O espetáculo passava os invernos em Carthage, na cidade de Cincinnati, em Ohio, e, posteriormente, entre 1910 e 1916, e entre 1918 e 1919, em Salisbury, na Carolina do Norte,[1] local escolhido pelo fácil acesso que suas ferrovias dariam à qualquer região americana, e pela existência de oficinas capazes de reparar o trem utilizado pelo circo.[5]
Falecimento de John H. Sparks
Em 1901, John se cansou das viagens com o circo[2] e, com os ganhos financeiros obtidos do sucesso de seus espetáculos até então, comprou uma grande propriedade perto de Winston-Salem, na Carolina do Norte, em que pretendia criar animais para serem usados no circo, e onde construiu um lago para pesca e um pequeno zoológico a céu aberto, que ele adorava visitar.[1][2]
Em uma destas visitas, ao passar sua mão pelas barras da jaula dos leões para tocar um filhote de leão de dois anos de idade que ele considerava um animal de estimação, acabou mordido no cotovelo. Como o filhote não soltava o braço de John, o tratador precisou abrir suas presas usando barras de ferro. O braço de John acabou infeccionando, e precisou ser amputado na altura do ombro.[1] John acabou falecendo por envenenamento sanguíneo, em 18 de janeiro de 1903, aos 39 anos de idade.[1] Charles Sparks assumiu o controle da administração do espetáculo. com ajuda de seu irmão adotivo, Clifton Sparks.[3][6]
A administração de Charles Sparks
Com Charles Sparks no comando do espetáculo, a administração passou a ser mais empresarial.[3]
Em uma época em que o entretenimento itinerante era frequentemente associado a trapaças e exploração, ele adotou uma filosofia de gestão "sem truques" (em inglês: no grift), que priorizava a honestidade com o público, inspirada pelo sucesso da política adotada pelos irmãos Ringling.[3] Esta abordagem estratégica se tornou a base da marca do circo, rendendo-lhe o apelido de "Circo da Escola Dominical" (em inglês: Sunday School Show), a principal atração familiar do país. A reputação de Charles como um showman "limpo" e justo, tanto para os espectadores quanto para seus funcionários, se tornou lendária na profissão, sendo superada por poucos.[3]
Já apreciadas por John, seu pai adotivo, as bandas de circo também eram consideradas uma estratégia importante para Charles. Entre 1902 e 1906, o maestro J.S. Kritchfield comandou uma banda composta por cerca de 13 músicos. Kritchfield foi seguido por Clarence H. Cooper e, em seguida, por Ben Taylor. Em 1912, John Sterling "Jack" Phillips foi contratado para reger a banda como substituto de Ben, e assim o fez até a temporada de 1927, comandando uma média de 17 músicos do espetáculo durante dezesseis temporadas. O maestro também contava com uma banda secundária, com cerca de 10 músicos e, frequentemente, com uma banda de palhaços com cerca de 8 músicos.[1]
Outro pilar da filosofia de Charles foi a manutenção do desfile de rua, um elemento logístico e de entretenimento que muitos circos abandonaram com o tempo. Sendo grande defensor da prática, Charles a manteve como parte central da experiência do Sparks Circus até a temporada de 1928, quando foi descontinuada.[3]
Temporada de 1916
Em 1916, começando por Salisbury, na Carolina do Norte, o circo percorreu 197 cidades, passando por diversos estados, incluindo Nova Iorque, Maine, Connecticut, Ohio, Virgínia Ocidental, Geórgia e Tennessee. Neste último estado, ocorreu um evento marcante, quando a elefanta Mary acabou sendo executada após matar um tratador na cidade de Kingsport. O espetáculo encerrou sua temporada em Concord, na Carolina do Norte, em seguida retornando à Salisbury.[6]
Últimos anos
Em 1928, Charles vendeu o espetáculo para Henry B. Gentry, que, na verdade, se revelou um agente contratado pela American Circus Corporation, empresa que Charles Sparks não respeitava, e para a qual já havia recusado vender seu circo.[1]
Pouco antes da Grande Depressão, em 1929, John Ringling comprou a American Circus Corporation. No entanto, a crise econômica forçou a redução de tamanho da operação do Sparks Circus, que trocou sua banda ao vivo por música gravada, e eliminou os desfiles de rua. O circo acabou fechando no final da temporada de 1931, e a maior parte de seu equipamento foi destruída em 1938. A marca Sparks Circus ainda seria brevemente revivida por um promotor, entre 1946 e 1947, mas acabou fechando novamente.[1]
Charles Sparks ainda comprou o Downie Bros. Circus em 1930, operando o espetáculo por oito temporadas, antes de se aposentar. Ele faleceu em 28 de julho de 1949.[1]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q Everhart, Rod (2022). «Sparks Circus ... A History of Twists» (PDF). Circus Fanfare. volume 52 (número 2): pp. 16-17. ISSN 1056-1463. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e f «Murderous Mary The Elephant». The Moonlit Road (em inglês). 9 de abril de 2009. Consultado em 6 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j Circus Historical Society (1 de dezembro de 1964). Bandwagon Vol 8 No 6 (1964). [S.l.: s.n.] pp. 4–11. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ «The Sparks Circus (1894-1931)». The Sparks Family Online. 5 de agosto de 2023. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ «The Town that Loved the Circus Historical Marker». The Historical Marker Database (em inglês). 2 de janeiro de 2024. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b Circus Historical Society (1 de junho de 1942). The Bandwagon Vol 1 No 8 (1942). [S.l.: s.n.] p. 1. Consultado em 2 de setembro de 2025