Mary (elefanta)

Mary
Informações
Espécie
individual animal (d)
Sexo
Nascimento
para
Morte
Local de morte
Causa da morte
Altura
141 in
3,58 m
Peso
5 short ton
4,54 t
Ocupação
artista de circo (en)

Mary (c. 189413 de setembro de 1916), também conhecida como "Mary Assassina",[1] foi uma fêmea de elefante asiático de cerca de cinco toneladas que atuava no circo Sparks World Famous Shows.

Mary

Mary integrava as atrações do circo Sparks World Famous Shows, dirigido por Charlie Sparks. Apresentada como "o maior animal terrestre vivo", supostamente maior até mesmo que Jumbo, o famoso elefante de P.T. Barnum. Pesando cinco toneladas, e com cerca de 30 anos de idade, era uma das principais atrações do circo, destacando-se por suas habilidades impressionantes: era capaz de tocar 25 músicas em cornetas sem errar uma nota, e fazia uma notável participação em um número de beisebol, em que sua média de rebatidas era de .400.[2]

A fêmea de elefante era cercada de rumores e exageros. Comentava-se que Mary valia 20 mil dólares, e que já teria matado entre dois e dezoito homens, embora essas alegações fossem incertas. Apesar disso, ela era considerada a favorita de Charlie Sparks, bem como sua principal fonte de renda e símbolo de prestígio de seu circo. Como líder do pequeno grupo de elefantes, Mary era vista como uma atração exótica, imprevisível e capaz de atrair multidões.[2]

A morte de Red Eldridge

Em 11 de setembro de 1916,[3] após a partida repentina do treinador regular de Mary, o Sparks World Famous Shows contratou um andarilho chamado Walter "Red" Eldridge[4] em St. Paul, Virgínia, para trabalhar com os elefantes do circo como treinador de animais. Eldridge havia trabalhado no Riverside Hotel de St. Paul, como zelador e mensageiro,[4] mas não possuía nenhuma experiência prévia com elefantes, e ignorava completamente quaisquer detalhes quanto ao manuseio e cuidados com estes animais.[3]

No dia seguinte, a apresentação da manhã realizada em Kingsport, no Tennessee, correu muito bem, atraindo uma grande e entusiasmada multidão.[4] Após o espetáculo, os elefantes e outros animais foram levados a uma lagoa localizada próxima ao circo, para que pudessem se refrescar, beber água e brincar, antes da realização da apresentação daquela noite.[4] Eldridge, sentado às costas de Mary, conduzia-a e aos outros elefantes, quando uma casca de melancia despertou a atenção da elefanta, que se desviou na tentativa de comê-la. Tratadores profissionais saberiam o quanto elefantes adoram frutas,[3] porém, Eldridge, inexperiente, usou um gancho afiado que carregava em suas mãos e cutucou Mary com força, em uma tentativa de fazê-la continuar andando.[5]

Em reação, Mary envolveu Eldridge com sua tromba, arrancou-o de suas costas e o arremessou com violência contra uma barraca de madeira. Em seguida, aproximou-se do corpo inerte do homem, erguendo um dos pés e esmagando sua cabeça.[5] O ferreiro da cidade, Hench Cox, correu para fora de seu estabelecimento e atirou em Mary cinco vezes, sem sucesso, com uma pequena arma. Outros relatos atestam que outra pessoa atirou nela, utilizando uma arma .45, conseguindo arrancar-lhe pequenos pedaços de carne, mas sem ferir gravemente o animal.[2][5] O jornal Johnson City Staff informou que "Mary colidira a sua tromba com força contra o corpo de Eldridge, elevando-o a uma altura de cerca de 3 metros no ar, e então estilhaçou-o com fúria contra o chão… e com toda sua força".[6] Comentou-se, também, que Mary teria perfurado o corpo do homem com suas presas, dilacerando-o, e que, terminada a chacina, "repentinamente balançou o corpo sem vida com seus enormes pés, arremessando-o, em seguida, contra a multidão".[2]

Os demais tratadores conseguiram levar Mary e os outros elefantes, extremamente agitados, de volta ao circo. Charlie Sparks, proprietário do Sparks World Famous Shows, que havia galopado até a cena da morte de Eldridge, ouviu a multidão que se formou, gritando: "Vamos matar o elefante! Vamos matá-lo!"[5]

Execução

Os detalhes e motivos são imprecisos, com certo sensacionalismo folclórico do noticiário e testemunhos de pessoas que presenciaram a cena. Alguns citaram que ela calmamente agarrara Eldridge e o transportara para próximo dos espectadores que começaram com um coro de Kill the elephant! (Mate a elefanta). Dentro de alguns minutos, o ferreiro local tentou matar Mary com cinco tiros, mas que pouco efeito tiveram.[2] Entretanto, os líderes de diversos locais vizinhos e próximos do local ameaçaram não permitir que o circo fosse armado nessas localidades com a presença de Mary. Nos dias seguintes, num dia nublado e chuvoso de 13 de setembro de 1916, ela foi transportada em sua jaula para Erwin no Tennessee, onde cerca de 2 500 pessoas juntaram-se nas proximidades da linha de trem de Clinchfield.[7]

A elefanta foi erguida pelo pescoço com uma corrente metálica alçada por um guindaste montado num vagão.[8] A primeira tentativa resultou numa corrente trincada, causando um grande tombo, onde Mary caiu com a bacia quebrada próximo a dezena de crianças, colocando-as em terror. A grande elefanta ferida veio a ser morta na segunda tentativa, na qual foi enforcada próxima aos trilhos. Apesar da contestação da autenticidade da fotografia (com pesados retoques) que foi distribuída pelas localidades, anos depois sua autoria foi exigida pela revista Argosy,[2] e outras fotografias foram tiradas durante o incidente confirmando sua procedência.

Consequências

O enforcamento de Mary, à época considerado pela opinião pública um acontecimento peculiar mas necessário, é atualmente visto não apenas como um golpe publicitário e exemplo de manipulação da imprensa, mas principalmente, de acordo com os valores e padrões atuais da sociedade, como um dos incidentes de crueldade com animais mais horríveis da história.[9]

No século seguinte à controversa morte de Mary, Erwin foi estigmatizada como "a cidade que enforcou um elefante". Nos últimos anos, os moradores locais vêm tentando se livrar do estigma, recuperando a imagem da cidade como um bom lugar para se viver ao arrecadar milhares de dólares destinados ao resgate de elefantes.[10][11][12][13]

Ver também

Bibliografia

Referências

  1. «Murderous Mary The Elephant». The Moonlit Road (em inglês). 9 de abril de 2009. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  2. a b c d e f Schroeder, Joan Vannorsdall (17 de junho de 2017). «From The Archive: The Day They Hanged an Elephant in East Tennessee». Blue Ridge Country (em inglês). Consultado em 2 de setembro de 2025 
  3. a b c Jaynes 2013, p. 118.
  4. a b c d Simmons, Shane S. (2016). Legends & Lore of East Tennessee (em inglês). [S.l.]: Arcadia Publishing. pp. 47–48. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  5. a b c d Jaynes 2013, p. 119.
  6. Tabler, Dave (11 de setembro de 2019). «The day they hung Murderous Mary the elephant». Appalachian History (em inglês). Consultado em 6 de dezembro de 2021 
  7. SMITH, JOHN. «Murderous Mary, the elephant that was hanged for murder, 1916» (em inglês). Consultado em 6 de dezembro de 2021 
  8. «Murderous Mary : Weird True Stories». The Moonlit Road.com (em inglês). 9 de abril de 2009. Consultado em 6 de dezembro de 2021 
  9. Brummette, John (setembro de 2012). «Trains, chains, blame, and elephant appeal: A case study of the public relations significance of Mary the Elephant». Public Relations Review (em inglês) (3): 341–346. doi:10.1016/j.pubrev.2011.11.013. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  10. «Erwin Elephant Revival Festival raises over $6k for elephant sanctuary». WJHL | Tri-Cities News & Weather (em inglês). 28 de agosto de 2016. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  11. Lucas, Mike (18 de julho de 2017). «Rise Erwin group trying to shed...». WCYB (em inglês). Consultado em 2 de setembro de 2025 
  12. Turner, Cory; Lombardo, Clare (15 de maio de 2019). «The Town That Hanged An Elephant Is Now Working To Save Them». WYPR (em inglês). Consultado em 2 de setembro de 2025 
  13. Campbell, Becky (8 de janeiro de 2021). «Erwin elephants nearly double in size and funds raised for 2020». Kingsport Times News (em inglês). Consultado em 2 de setembro de 2025 

Ligações externas