Solenidade de São José
| Solenidade de São José | |
|---|---|
![]() São José com o Menino Jesus por Guido Reni, c. 1635 | |
| Nome oficial | Solenidade de São José |
| Também chamado | Festa de São José e Dia de São José |
| Observado por | Igreja Católica; Igreja Luterana; Igreja Anglicana |
| Tipo | Religioso, cultural |
| Observâncias | Missa, Ofício Divino |
| Data | 19 de março |
| Frequência | Anual |
A Solenidade de São José (título oficial latino: Sollemnitas Sancti Ioseph, Sponsi Beatae Mariae Virginis), também conhecido, popularmente, como Festa de São José ou Dia de São José, é uma celebração litúrgica da Igreja Católica, inscrita no Calendário Romano Geral, realizada no dia 19 de março do Ano Litúrgico.[1]
O culto josefino tem destaque especial, na Igreja Católica, em relação a outros santos. Embora não haja, ainda, documentos pontifícios que tratem do assunto explicitamente, é tido como sendo de protodulia, isto é, um culto especial somente inferior à hiperdulia (culto dedicado à Virgem Maria) e a latria (culto destinado somente a Deus).[2]
Esta solenidade veio depois de um período muito longo no qual a figura de São José havia ficado obscurecida na Igreja Católica.[3] Embora muitos santos e doutores da Igreja de tempos remotos tenham manifestado muita devoção a ele, é só a partir do século XIX, a partir da Carta Apostólica Inclytum Patriarcham, que o chamado "pai adotivo" de Jesus Cristo começou a adquirir maior relevância. São João XXIII, por exemplo, que o proclamou padroeiro do Concílio Vaticano II, declarou na Carta Apostólica Le voci, de 19 de março de 1961:[4]
| “ | (...) excetuando algum traço de sua figura, encontrado aqui e ali nos escritos dos Padres, permaneceu durante séculos e séculos em seu característico apagamento, um pouco como figura de ornamento no quadro da vida do Senhor. E foi necessário tempo até que seu culto passasse dos olhos aos corações dos fiéis e despertasse neles singular fervor de oração e abandono confiante. E estas foram as piedosas alegrias reservadas às efusões da época moderna (...) | ” |
História
Embora o tema principal aqui tratado seja a "Solenidade de São José" na Igreja Católica seja o foco principal deste artigo, as honrarias a São José desenvolveram-se diferentemente de acordo com as diversas tradições cristãs, que serão consideradas a seguir.
Rito Romano
Liturgicamente, no Rito romano, esta celebração a São José possui o grau mais elevado entre as festas do ciclo santoral — "solenidade" — o que implica a proclamação do Glória e do Credo na Missa, além de textos próprios para a Liturgia das Horas.[5] Este deferência concedida liturgicamente ao santo desenvolveu-se muito lentamente, e é bem recente, tomando-se em consideração que a história da Igreja tem mais de 2 mil anos, como se depreende das palavras do Papa João XXIII, acima.
Os primeiros testemunhos litúrgicos de um culto específico a São José datam do século IX, particularmente entre monges beneditinos. Entretanto, a celebração em 19 de março consolidou-se no final do século XV. A festa aparece, segundo algumas fontes, nos calendários diocesanos de Roma e Veneza por volta de 1479.[6]
A expansão do culto deve-se a pregadores como São Bernardino de Sena e Jean Gerson, que difundiram a devoção ao pai adotivo de Jesus, propondo seu exemplo como modelo de vida ativa e contemplativa.[7]
A história do culto a São José cruza campos: hagiografia, teologia mariológica, espiritualidade popular e disciplina litúrgica. O desenvolvimento do Missal Romano ajuda a situar, cronologicamente, a incorporação dos calendários locais ao uso romano e a entender como festas particulares tornaram-se universais.[8][9]
Recentemente, as principais mudanças disciplinares que afetam a solenidade no Rito Romano — e que têm recebido atenção pastoral — são:
- Elevação do título e patronato (1870) — com Quemadmodum Deus, do Papa Pio IX, na qual São José é declarado Patrono Universal da Igreja. Essa decisão teve reflexos ao promover a devoção a São José como protetor da Igreja.
- Criação da Festa de São José Operário (1º de maio de 1955) pelo Papa Pio XII.[10]
- Reforma pós-conciliar (1969) — pela qual se promoveu uma reorganização do calendário e das rubricas que manteve 19 de março entre as solenidades universais, mas redefiniu critérios de inclusão no calendário universal e as regras de precedência em relação às celebrações do mistério pascal.
Ver também
Referências
- ↑ Missal Romano. Próprio dos Santos. 19 de março.
- ↑ Confira, por exemplo: Quemadmodum Deus, Inclytum Patriarcham, Quamquam pluries e Redemptoris custos
- ↑ CALLOWAY, Donald H. Consagração a São José: As glórias de nosso pai espiritual. Campinas: Editora Ecclesiae, 2021, Introdução. ISBN 9786587135205.
- ↑ São João XXIII. Carta Apostólica Le voci. Item 3.
- ↑ Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Calendarium Romanum. Città del Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis, 1969.
- ↑ The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1910, verbete “St. Joseph”.
- ↑ GIHR, Nicholas. The Holy Sacrifice of the Mass. Freiburg: Herder, 1902, p. 623.
- ↑ JUNGMANN, Josef A. The Mass of the Roman Rite: Its Origins and Development (Missarum Sollemnia). New York: Benziger Brothers, 2012.
- ↑ FORTESCUE, Adrian. The Mass: A Study of the Roman Liturgy. London: Longmans, Green, 1914.
- ↑ Acta Apostolicae Sedis, vol. 47 (1955), p. 406.
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