Sharylaine

Sharylaine
Nascimento10 de abril de 1969 (56 anos)
NacionalidadeBrasil Brasileira
Gênero(s)Hip hop, rap, R&B, soul
OcupaçãoRapper, compositora, ativista
Período em atividade1986 – presente
Gravadora(s)Zimbabwe Records, Independente
Afiliação(ões)Racionais MC's, Rap Girls, Posse Aliança Negra, Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop

Sharylaine (São Paulo, 10 de abril de 1969) é uma rapper, compositora e ativista brasileira. É historicamente reconhecida como a pioneira do rap feminino no Brasil e uma das figuras centrais da "Velha Escola" (Old School) paulistana.[1]

Sua importância histórica é marcada pela participação na lendária coletânea Consciência Black, Vol. I (1988), álbum da gravadora Zimbabwe Records responsável por revelar ao mercado o principal grupo de rap da história do país, os Racionais MC's.[2]

Além da carreira artística, Sharylaine é fundadora da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, atuando politicamente pelo reconhecimento das mulheres na cultura de rua.

Biografia

Nascida e criada na periferia de São Paulo, Sharylaine começou sua trajetória musical influenciada pelas equipes de baile Black (soul e funk) do final dos anos 70.

Em 1986, começou a frequentar a Estação São Bento, berço do hip hop em São Paulo. Inicialmente dançarina, logo passou a rimar, enfrentando um ambiente majoritariamente masculino.[3] Ainda nos anos 80, fundou o grupo **Rap Girls**, considerado o primeiro grupo feminino de rap do país.[4]

O grande marco de sua carreira ocorreu em 1988, quando integrou o elenco da coletânea Consciência Black, Vol. I. O disco foi lançado pela equipe de bailes Zimbabwe Records (que havia se tornado gravadora) e reuniu os talentos mais promissores da Zona Sul e do Centro.

Sharylaine participou do álbum com a faixa "Saudade" (algumas fontes creditam também participações em faixas conjuntas). A importância histórica deste disco é imensurável, pois foi o mesmo vinil que apresentou as faixas "Pânico na Zona Sul" e "Tempos Difíceis", dos Racionais MC's.[5]

Estar presente neste LP coloca Sharylaine como uma das fundadoras da indústria fonográfica do rap em São Paulo, atuando no mesmo momento e espaço que nomes como Mano Brown e Edi Rock. Diferente do estilo "gangsta" que os Racionais inauguravam, Sharylaine trazia uma vertente mais melódica, próxima ao R&B, abordando temas de relacionamentos e cotidiano feminino.

Após o período das grandes coletâneas, Sharylaine manteve-se ativa no underground e no ativismo social. A faixa "Mina de Responsa" tornou-se seu maior clássico solo, funcionando como um manifesto de empoderamento para mulheres da periferia.

Em 2010, ela ajudou a estruturar a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop: organização feita para combater o machismo institucional no movimento.[6]

Em 2017, foi homenageada no evento "São Bento 30 Anos" como a "Primeira Dama" do rap que frequentava o local.

Discografia

Coletâneas

Prêmios e Homenagens

  • **Prêmio Hutúz:** Indicada por contribuição ao movimento.[7]
  • **Prêmio Sabotage:** Homenageada na categoria Honra ao Mérito.
  • **Dia do Hip Hop (Alesp):** Homenageada pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Ver também

Referências

  1. «Pioneira do rap feminino, Sharylaine conheceu Sabotage em copiadora». Billboard. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  2. «Rapper Sharylaine luta para abrir caminho para mulheres no hip hop». Geledés - Instituto da Mulher Negra. 16 de novembro de 2023. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  3. «Rapper Sharylaine luta para abrir espaço para mulheres no hip hop». Terra. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  4. «Sharylaine: tem mulher no rap». Primeiros Negros. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  5. «A história da equipe e gravadora Consciência Black». Vice Brasil. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  6. «O poder das palavras e das rimas de Sharylaine». Alma Preta. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  7. «O rap feminino em ascensão na arte das rimas». Jornal da USP. Consultado em 28 de dezembro de 2025