Scombriformes

Scombriformes
Intervalo temporal: Paleoceno Médio–presente
Atum-negro (Thunnus atlanticus)
Classificação científica e
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Clado: Percomorpha
Ordem: Scombriformes
Woodward, 1901
Famílias

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Sinónimos
  • Pelagia Miya et al., 2013
  • Pelagiaria Betancur-R et al., 2013

Scombriformes (do latim: scomber = cavala/atum + formes = forma), também conhecido como Pelagia ou Pelagiaria, é uma ordem de peixes com nadadeiras raiadas dentro do clado Percomorpha.[1][2][3] Contém 287 espécies existentes em 16 famílias, a maioria das quais foi anteriormente classificada nas subordens Scombroidei e Stromateoidei da ordem Perciformes.[1][4]

O escombriforme mais antigo conhecido é o escombrídeo Landanichthys do Paleoceno Médio de Angola.[5]

Sistemática e história evolutiva

A ordem foi originalmente proposta em 1859 pelo ictiólogo holandês Pieter Bleeker, mas os táxons a ela atribuídos foram posteriormente colocados na ordem dos Perciformes (aparentados às percas), principalmente na subordem Scombroidei (aparentados às cavalas e atuns).

Com o advento da Cladística e dos métodos de comparação de DNA para análise filogenética, ficou evidente que a antiga subordem Scombroidei não representava um grupo monofilético (um único ancestral e todos os seus descendentes).[6]

Em uma revisão da sistemática de peixes ósseos publicada em 2013 por Ricardo Betancur-R. e colegas, os Scombriformes foram redefinidos com uma nova composição, agrupando 16 famílias que anteriormente estavam espalhadas por seis subordens diferentes de Perciformes.[7] A relação entre esses táxons foi confirmada pouco depois por Thomas J. Near e colaboradores.[8] Em meados de 2013, Masaki Miya, Matt Friedman et al. descreveram um clado com a mesma composição sob o novo nome Pelagia, refletindo o fato de que a maioria desses peixes habita o ambiente pelágico (mar aberto).[9]

Definição

Miya e Friedman definem Pelagia (sinônimo de Scombriformes) como um táxon baseado em nós (*node-based definition*), que inclui o ancestral comum mais recente de:

...e todos os descendentes desse ancestral.[9]

Características

A estreita relação entre os grupos hoje atribuídos aos Scombriformes baseia-se principalmente em estudos de biologia molecular e ainda não é fortemente sustentada por sinapomorfias morfológicas (características físicas exclusivas e compartilhadas). De modo geral, trata-se de peixes pelágicos de natação rápida ou habitantes do oceano profundo.

Taxonomia

Scombriformes inclui as seguintes famílias, conforme a classificação de Eschmeyer (2025) e Nelson (2016):[2][10]

A família fóssil †Carangodidae é conhecida do Eoceno da Itália.[11]

Filogenia

As relações filogenéticas dentro de Scombriformes são mostradas neste cladograma baseado no estudo de Near & Thacker (2024):[1]

Scombriformes

Arripis (Salmão-australiano)

pan‑stromateoids

Pinichthys

Stromateidae

Ariomma

Nomeidae

Icosteus aenigmaticus

Centrolophidae

pan‑pomatomids

Carangopsis

Pomatomus saltatrix (Anchova)

Scombridae (Atuns e cavalas)

Amarsipus carlsbergi

Tetragonurus

pan‑chiasmodontids

Bannikovichthys

Chiasmodontidae

Bramidae

Caristiidae

Scombrolabrax heterolepis

pan‑gempyloids

Argestichthys

Lepidocybium flavobrunneum

Gempylidae

Anenchelum

Trichiuridae (Peixes-espada)

Referências

  1. a b c Near, T. J.; Thacker, C. E. (2024). «Phylogenetic Classification of Living and Fossil Ray-Finned Fishes (Actinopterygii)» (PDF). Bulletin of the Peabody Museum of Natural History. 65 (1). doi:10.3374/014.065.0101 
  2. a b Nelson, JS; Grande, TC; Wilson, MVH (2016). Fishes of the World 5th ed. [S.l.: s.n.] 
  3. R. Betancur-R; E. O. Wiley; G. Arratia; et al. (2017). «Phylogenetic classification of bony fishes». BMC Evolutionary Biology. 17 (162): 162. PMC 5501477Acessível livremente. PMID 28683774. doi:10.1186/s12862-017-0958-3Acessível livremente 
  4. Nicolas Bailly (2017). «Scombroidei». FishBase. World Register of Marine Species 
  5. Friedman, Matt; V. Andrews, James; Saad, Hadeel; El-Sayed, Sanaa (16 de junho de 2023). «The Cretaceous–Paleogene transition in spiny-rayed fishes: surveying "Patterson's Gap" in the acanthomorph skeletal record André Dumont medalist lecture 2018». Geologica Belgica (em inglês). ISSN 1374-8505. doi:10.20341/gb.2023.002Acessível livremente 
  6. Thomas M. Orrell, Bruce B. Collette, G. David Johnson: Molecular data support separate scombroid and xiphioid clades. Bulletin of Marine Science, Volume 79, Number 3, November 2006, Seiten 505–519 Link zum Volltext
  7. Ricardo Betancur-R, Edward O. Wiley, Gloria Arratia, Arturo Acero, Nicolas Bailly, Masaki Miya, Guillaume Lecointre und Guillermo Ortí: Phylogenetic classification of bony fishes. BMC Evolutionary Biology, BMC series – Juli 2017, DOI: 10.1186/s12862-017-0958-3
  8. Thomas J. Near, A. Dornburg, R.I. Eytan, B.P. Keck, W.L. Smith, K.L. Kuhn, J.A. Moore, S.A. Price, F.T. Burbrink, M. Friedman & P.C. Wainwright. 2013. Phylogeny and tempo of diversification in the superradiation of spiny-rayed fishes. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 101:12738-21743. doi: 10.1073/pnas.1304661110
  9. a b Masaki Miya, Matt Friedman, Takashi P. Satoh, Hirohiko Takeshima, Tetsuya Sado, Wataru Iwasaki, Yusuke Yamanoue, Masanori Nakatani, Kohji Mabuchi, Jun G. Inoue, Jan Yde Poulsen, Tsukasa Fukunaga, Yukuto Sato, Mutsumi Nishida: Evolutionary Origin of the Scombridae (Tunas and Mackerels): Members of a Paleogene Adaptive Radiation with 14 Other Pelagic Fish Families. PLoS ONE 8(9): e73535. doi:10.1371/journal.pone.0073535, PDF
  10. Fricke, R.; Eschmeyer, W. N.; Van der Laan, R. (2025). «ESCHMEYER'S CATALOG OF FISHES: CLASSIFICATION». California Academy of Sciences (em inglês). Consultado em 10 de fevereiro de 2025 
  11. Laan, Richard van der (11 de outubro de 2018). «Family-group names of fossil fishes». European Journal of Taxonomy (em inglês) (466). ISSN 2118-9773. doi:10.5852/ejt.2018.466