Samsigéramo I

Samsigéramo
Rei do Reino de Emesa
Reinado64-51/44 a.C.
Antecessor(a)Nenhum
Sucessor(a)Jâmblico I
Dados pessoais
Morte46/4 a.C.
Descendência
Alexandre
Jâmblico I
Dinastiaemesana
PaiAzizo

Samsigéramo I (em latim: Samsigeramus; em grego: Σαμσίγεραμος; romaniz.: Samsígeramos) ou Sampsicéramo I (Sampsiceramus; Σαμψικέραμος, Sampsikéramos; m. 46/4) foi o fundador e primeiro rei (filarco) do Reino de Emesa de 64 até 51/44 a.C..

Nome

Samsigéramo (Samsigeramus; Σαμσίγεραμος, Samsígeramos) é um nome teofórico de origem aramaica ou árabe, derivado de Xamexiguerame (𐡔𐡌𐡔𐡂𐡓𐡌, Šamšigeram). Esse nome significa "Xamexe (Sol) estabeleceu"[1] ou "Xamexe decidiu".[2][3] Estrabão registrou a variante Sampsicéramo (Sampsiceramus; Σαμψικέραμος, Sampsikéramos).[4]

Vida

Tetradracma do rei Antíoco XIII (r. 82–64 a.C.)
Denário de Pompeu

Samsigéramo nasceu em data incerta. Sabe-se que fez parte dos emesenos, uma tribo árabe nômade da região de Apameia, que esteve sob julgo do Império Selêucida. Seu primeiro ancestral conhecido era Jâmblico (c. 151 a.C.), ativo no reinado de Alexandre Balas (r. 150–145 a.C.). Outro possível ancestral era Azizo, que apareceu em 94 a.C. na região de Alepo. Samsigéramo envolveu-se na disputa sucessória entre Antíoco XIII (r. 82–64 a.C.) e Filipe II (r. 65–64 a.C.) como aliado do primeiro. Em 64 a.C., Samsigéramo assassinou Antíoco, enquanto certo Azizo assassinou Filipe. No rescaldo, o general romano Pompeu reconheceu Samsigéramo como filarco (xeique) dos emisenos com sede em Aretusa (atual Arrastã).[5] Emesa (atual Homs) também foi concedida. Cícero apelidou Pompeu de Samsigéramo para zombar das pretensões dele como potentado oriental.[6][4]

O Reino de Emesa foi o primeiro reino cliente árabe dos romanos nas franjas do deserto e exerceu controle indireto sobre as tribos nômades do interior. Sua criação permitiu aos nômades emesenos se assentarem e acumularem riquezas pelo controle e proteção das caravanas comerciais que cruzavam seu território.[7] Por conseguinte, transferir a responsabilidade de policiar rotas e preservar a integridade dos territórios romanos para governantes clientes como Samsigéramo desonerava o tesouro imperial e não necessitava de mão de obra romana.[4] Em 51 a.C., quando Cícero serviu como governador da Cilícia, Jâmblico I, filho de Samsigéramo, foi referido como governante de Aretusa, o que indica que a sucessão ocorreu por volta desse período. Estrabão (XVI.2.10-11), ao mencionar a revolta de Quinto Cecílio Basso (46–44 a.C.), faz menção a Samsigéramo e Jâmblico, o que indica que ao menos até esse momento ele ainda estava vivo.[4][8]

Referências

  1. Perowne 1992, p. 51.
  2. Füchslin et al. 2017, p. 263.
  3. Marcato 2018, p. 126.
  4. a b c d Levick 2007, p. 8.
  5. Ball 2000, p. 32.
  6. Birley 2002, p. 69-70.
  7. Ball 2000, p. 32-33.
  8. Cohen 2006, p. 101.

Bibliografia

  • Ball, Warwick (2000). Rome in the East: The Transformation of an Empire. Londres: Routledge. ISBN 9780415113762 
  • Birley, Anthony R. (2002). Septimius Severus: The African Emperor. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 978-1134707461 
  • Cohen, Getzel M. (2006). The Hellenistic Settlements in Syria, the Red Sea Basin, And North Africa. Berkeley, Califórnia: University of California Press. ISBN 0520241487 
  • Füchslin, Regina; Semenzato, Camille; Horn, Christoph; Wyrwa, Dietmar (2017). Riedweg, Christoph, ed. Philosophia in der Konkurrenz von Schulen, Wissenschaften und Religionen: zur Pluralisierung des Philosophiebegriffs in Kaiserzeit und Spätantike. Berlim: De Gruyter. ISBN 9781501505249 
  • Levick, B. (2007). Julia Domna, Syrian Empress. Londres e Nova Iorque: Taylor & Francis 
  • Marcato, Enrico (2018). Personal Names in the Aramaic Inscriptions of Hatra. Veneza: Edizioni Ca' Foscari 
  • Perowne, Stewart (1992). Caesars and Saints: The Rise of the Christian State AD 180–313. Nova Iorque: Barnes & Noble Books. ISBN 9780880299107