Samba-funk

Samba-funk
Tim Maia em 1972.
Origens estilísticasSamba, funk
Contexto culturalDécada de 1960 no Brasil
Outros tópicos
Sambalanço, samba-jazz, samba-rock, latin jazz, jazz fusion, pilantragem

O samba-funk (também conhecido como samba soul) é um subgênero musical resultante da fusão do samba brasileiro ao funk estadunidense, criado no final da década de 1960 pelo pianista Dom Salvador e o seu Grupo Abolição (que mais tarde daria origem à Banda Black Rio).[1][2]

Cantores brasileiros como Tim Maia e Jorge Ben Jor também incursionaram por esse gênero.[3]

História

A partir do golpe de Estado de 1964 no Brasil, o país viveu sob uma repressiva ditadura militar, que foi acompanhada por uma forte reação contra-cultural.[4] Dom Salvador foi um instrumentista, arranjador e compositor que participou da efervescência musical do Rio de Janeiro após o surgimento da bossa nova, combinando o samba brasileiro com o jazz norte-americano, e contribuindo para a criação do samba-jazz.[5]

Em 1969, o produtor de Dom Salvador na CBS retornou de uma viagem aos Estados Unidos com vários discos de funk e soul, incluindo Kool & the Gang, Sly and the Family Stone e James Brown. Ele sugeriu que Salvador fizesse algo semelhante, mas o artista recusou-se a simplesmente a copiar. Ele criou um grande afastamento do jazz, interpretando o funk pelo prisma do samba com sua banda Grupo Abolição, com a qual também tocava samba funk e samba soul.[4] O trabalho do Grupo Abolição na fusão entre samba e funk influenciou a formação da Banda Black Rio em 1976,[6][7] cujo nome fazia referência à contracultura Black Rio, dos anos 1970.[8][9]

Características

Baseado nesse gênero, o professor de dança Jimmy de Oliveira desenvolveu um ritmo de dança de salão chamado samba funkeado, uma vertente que mescla o samba de gafieira com as danças de charme (oriundas do hip hop), que se destaca pelo “movimento corporal funkeado";[10] uma dança “quebrada”, influenciada pelo hip hop e soul, que trabalha os breques dos movimentos de dança e do corpo junto com as pausas temporais da música, que em muitos momentos se assemelham a fotos.[10]

O samba funk é um subgênero musical híbrido que combina elementos do samba brasileiro com o funk norte-americano, tendo seu ritmo composto principalmente por teclados, guitarra elétrica, baixo elétrico, bateria e percussão, criando um som híbrido e contagiante. As linhas de baixo, bateria e guitarra transitam entre os dois estilos.[8]

O samba funk utiliza instrumentação, timbres e efeitos comuns em bandas de funk norte-americano dos anos 1970, como o piano elétrico Rhodes, o clavinet e os sintetizadores analógicos Moog e Oberheim. Efeitos musicais como o wah-wah na guitarra também contribuem para a sonoridade do gênero.[8]

Dança de salão

A partir desse gênero, surgiu um ritmo de dança de salão graças ao professor de dança Jimmy de Oliveira, chamado samba-funkeado, um estilo que mistura samba de gafieira com charme (que tem origem no hip-hop), distinguido pelo movimento corporal funkeado; uma dança “quebrada”, influenciada pelo hip-hop e pelo soul, que trabalha com pausas e quebras nos movimentos corporais, assim como com pausas temporais na música, que em muitos momentos se assemelham a fotografias.[11]

Referências

  1. Silvio Essinger. Editora Record, ed. Batidão: uma história do funk. 2005. [S.l.: s.n.] ISBN 9788501071651 
  2. Dom Salvador, o pianista que inventou o samba funk e o Brasil esqueceu
  3. Janaína Medeiros. Editora Terceiro Nome, ed. Funk carioca: crime ou cultura?: o som dá medo e prazer. 2006. [S.l.: s.n.] ISBN 9788587556745 
  4. a b «Dom Salvador». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  5. «Dom Salvador». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  6. Essinger, Silvio (2005). Batidão: uma história do funk (in Portuguese). Rio de Janeiro: Editora Record. ISBN 9788501071651.
  7. Herschmann, Micael (1997). Abalando os anos 90: funk e hip-hop : globalização, violência e estilo cultural (in Portuguese). Michigan: Rocco. ISBN 9788551804070.
  8. a b c Guimarães, Celso (2008). "Banda Black Rio e o samba-funk: um estudo de caso". Dissertação Mestrado em Música. Rio de Janeiro.
  9. Zan, José Roberto (2005). «Funk, soul e jazz na terra do samba: a sonoridadeda Banda Black Rio». ArtCultura (11). ISSN 2178-3845. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  10. a b Tavares, Heloá Goes (2016). Uma dança quebrada: O Samba Funkeado na CIA de Dança Cabanos em Belém do Pará (PDF). Col: Licenciatura em dança. Belém: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ 
  11. Tavares, Heloá Goes (2016). «Uma dança quebrada: o samba funkeado na CIA de Dança Cabanos em Belém do Pará». Consultado em 10 de novembro de 2025