Saíde ibne Zaide
Saíde ibne Zaide ibne Anre ibne Nufail (em árabe: سعيد بن زيد بن عمرو بن نفيل; romaniz.: Saʿīd ibn Zayd ibn ʿAmr ibn Nufayl) foi um dos companheiros do profeta Maomé e cunhado do califa Omar.
Vida
Saíde ibne Zaide era conhecido pelos cúnias eram Abu Alauar (lit. "Pai do Caolho") ou Abu Taur (lit. "Pai do Touro"). Pertencia à tribo dos coraixitas e era filho de Zaide ibne Anre e Fátima binte Baja ibne Omaia, do clã dos cuzaítas; Zaide ibne Anre, foi um dos hanifes (monoteístas pré-islâmicos): interessava-se profundamente pelo monoteísmo, recusava-se a adorar ídolos, advertia seus contemporâneos contra a idolatria e professava a chamada "religião de Abraão". Saíde era primo de Omar e, ao mesmo tempo, seu cunhado, tanto pelo fato de sua esposa (Fátima ibne Alcatabe) ser irmã de Omar quanto porque a esposa de Omar era sua irmã.[1]
Saíde abraçou o Islã antes de Maomé entrar na casa de Zaide ibne Alarcame, e diz-se que a conversão de Omar ocorreu sob a influência de Saíde e de sua família. Emigrou com os muçulmanos para Medina, onde Maomé o "irmandou" (muʾākhāt) com Rafi ibne Maleque Azuraqui ou, segundo outros, com Ubai ibne Cabe. Quando chegou a Medina o rumor do retorno da caravana dos coraixitas vinda da Síria, Saíde, juntamente com Tala ibne Ubaide Alá, foi enviado em missão de reconhecimento. Encontraram a caravana em Alhaura (al-Ḥawrāʾ) e regressaram apressadamente a Medina para dar a notícia. Contudo, Maomé já estava a caminho de Badre, e a batalha ocorreu sem a participação deles. Apesar disso, receberam sua parte do espólio.[1]
Saíde esteve presente em todas as demais campanhas (mashāhid) e distinguiu-se na Batalha de Ajenadaim de 634, na qual comandou a cavalaria; na Batalha de Fal de 634, onde esteve à frente da infantaria; e na Batalha do Jarmuque de 636. Após a morte de Omar, Saíde esteve entre aqueles que promoveram a eleição de Otomão como califa. Ainda assim, não se mostrou satisfeito com o seu governo, embora não tenha aderido ao partido álida. Morreu em 50/1 A.H. (670–671), em Alaquique, perto de Medina, onde foi sepultado. Diz-se que alcançou idade superior a setenta anos. Segundo outra tradição, morreu como governador de Cufa sob Moáuia. Não desempenhou papel político de grande relevo na comunidade muçulmana, mas foi honrado por sua conversão precoce e figura entre os dez aos quais foi prometido o Paraíso (al-ʿashara al-mubashshara).[1]
Em certas tradições, Maomé é descrito subindo o monte Hira ou Uude com alguns de seus companheiros. Quando o monte começa a tremer, ele diz: "Permanece firme, ó monte, pois sobre ti caminham um profeta, um sidique e mártires”. Em seguida, passa a elogiar seus companheiros, entre os quais Saíde se inclui de modo velado em algumas versões do relato. Algumas formas dessa tradição lembram a transfiguração de Jesus no monte (Mateus 17:). Saíde figurava entre aqueles cuja maldição (duʿāʾ) era eficaz. Isso é ilustrado pelo relato de uma mulher que, após ser amaldiçoada por ele, ficou cega e acabou morrendo afogada ao cair num poço por causa de sua cegueira. O musnade de Saíde, isto é, as tradições transmitidas sob sua autoridade, encontra-se no Musnade de Amade ibne Hambal (i.187–190).[1]
Referências
- ↑ a b c d Wensinck & Juynboll 1995, p. 857.
Bibliografia
- Wensinck, A. J.; Juynboll, G. H. A. (1995). «Saʿīd ibn Zayd ibn ʿAmr ibn Nufayl». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume VIII: Ned–Sam. Leida: E. J. Brill. ISBN 978-90-04-09834-3