Saíbe Anaca
| Saíbe Anaca | |
|---|---|
| Nascimento | século IX |
| Morte | |
| Progenitores | Pai: Zacarauai ibne Mirauai |
| Religião | islamismo |
Saíbe Anaca (em árabe: صاحب الناقة; romaniz.: Ṣāḥib an-Nāqa, lit "mestre da camela"), nascido Iáia ibne Zacarauai (em árabe: يحيى بن زكرويه; romaniz.: Yaḥyā ibn Zakarawayh), foi um líder dos cármatas no deserto da Síria nos primeiros anos do século X. Aliou-se às populações beduínas da Síria, sobretudo os calbitas, e lançou vários ataques contra os domínios do Reino Tulúnida e do Califado Abássida. Anaca seria eventualmente morto durante o cerco a Damasco, defendida pelo governador Tugueje ibne Jufe.
Vida
Iáia foi o filho mais velho do líder cármata Zacarauai ibne Mirauai e um descendente do sétimo imame ismailita, Maomé ibne Ismail. Seu nome faz direta alusão a João Batista (conhecido como Iáia ibne Zacaria no islamismo), mas também assumiu o título de "Saíbe Anaca" ("mestre da camela") e reclamou ser o aguardado Mádi sob o nome "Maomé ibne Abedalá".[1] Junto com seu irmão Huceine, Iáia estabeleceu uma base de operações em Palmira. Os irmãos foram bem sucedido em adquirir apoio de muitos beduínos locais — especialmente dos calbitas, assim adquirindo uma potente força militar.[2]
De sua base, eles começaram a lançar raides contra as províncias abássida e tulúnida da Síria, com efeito devastador. Em 902, os cármatas derrotaram os tulúnidas sob Tugueje ibne Jufe próximo de Raca, e lideram a cerco de Damasco. A cidade foi protegida por Tugueje com sucesso, e Iáia foi morto. A liderança passou para seu irmão, que assumiu o título de "homem com a marca", e liderou os cármatas até sua derrota, captura e execução após a Batalha de Hama, em novembro de 903.[3][4][5] Zicrauai, o pai dos irmãos, também rebelou-se em 906 próximo de Cufa, mas foi morto no ano seguinte durante um ataque contra a caravana haje. Com estas derrotas, o movimento cármata virtualmente deixou de existir no deserto da Síria, embora sua contraparte no Barém permaneceu uma ameaça ativa até várias décadas depois.[6][7][8]
Referências
- ↑ Brett 2001, p. 65.
- ↑ Kennedy 2004, p. 286–287.
- ↑ Kennedy 2004, p. 286.
- ↑ Brett 2001, p. 65–66.
- ↑ Tabari 1985, p. 136–144.
- ↑ Tabari 1985, p. 158–168.
- ↑ Kennedy 2004, p. 185, 286.
- ↑ Brett 2001, p. 66.
Bibliografia
- Brett, Michael (2001). The Rise of the Fatimids: The World of the Mediterranean and the Middle East in the Fourth Century of the Hijra, Tenth Century CE. The Medieval Mediterranean 30. Leida: BRILL. ISBN 9004117415
- Kennedy, Hugh N. (2004). The Prophet and the Age of the Caliphates: The Islamic Near East from the 6th to the 11th Century (Second ed. Harlow, RU: Pearson Education Ltd. ISBN 0-582-40525-4
- Tabari (1985). Rosenthal, Franz, ed. The History of al-Ṭabarī, Volume XXXVIII: The Return of the Caliphate to Baghdad: The Caliphates of al-Muʿtaḍid, al-Muktafī and al-Muqtadir, A.D. 892–915/A.H. 279–302. SUNY Series in Near Eastern Studies. Albânia, Nova Iorque: Imprensa da Universidade Estadual de Nova Iorque. ISBN 978-0-87395-876-9