Roque Melillo

Roque Melillo
Retrato de Melillo, de Fúlvia Gonçalves,
irmã do prefeito Lauro Péricles Gonçalves
Dados pessoais
Nome completoRoque Melillo
Nascimento31 de março de 1889
Campinas, SP, República dos Estados Unidos do Brasil [1]
Morte11 de outubro de 1976 (87 anos)
Nova Iorque, Estado de Nova Iorque, Estados Unidos [1]
ProgenitoresMãe: Maria Tereza Petrocelli Melillo [1]
Pai: Antonio Melillo [1]
Alma materUniversidade Columbia

Roque Melillo (Campinas, 31 de março de 1889 - Nova Iorque, 11 de outubro de 1976), foi um empresário, engenheiro, mecenas e filantropo brasileiro.[1] [2]

Biografia

Filho do casal de italianos Antonio Melillo e Maria Tereza Petrocelli, Roque Melillonasceu na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, no dia 31 de março de 1889. Viveu toda sua infância e adolescência em sua cidade natal, em companhia dos pais e de seus nove irmãos.[1]

No início de 1914, embarcou para Nova Iorque, nos Estados Unidos, para passeio e estudo, pouco antes de ser deflagrada a Primeira Guerra Mundial no dia 28 de julho daquele ano.O início da guerra o impediu de retornar ao Brasil de imediato. Assim, tratou de procurar um emprego no país estrangeiro para se manter enquanto a guerra durasse.[1]

No curso dos quatro anos de guerra, Melillo acabou se adaptando bem à vida novaiorquina, de tal modo que, quando se deu conta, estava com inúmeros compromissos e afazeres na cidade, entre os quais o curso de Engenharia que iniciara na Universidade de Columbia.[1]

Depois de formado, tendo conseguido um emprego de destaque na antiga construtora Thompson–Starrett Company, que o encarregava de inúmeras viagens, inclusive a outros países, viu sua vida enraizada demais no novo país, o que o fez concluir que estava fora de cogitação seu retorno ao Brasil. Isso não o impediu de viajar diversas vezes ao país natal, embora apenas com o objetivo de rever parentes e amigos.[1]

Embora tenha decidido seguir a vida nos EUA, decidiu não obter cidadania no novo país, continuando a ter status de estrangeiro perante a Lei estadunidense,embora isso causasse desvantagens nos negócios[1]

Amante da arte e da cultura

Melillo revelava seu apreço pela arte e pelos artistas de sua terra natal, sendo um fã incondicional da pianista conterrânea Estelinha Epstein, a quem fez questão de visitar em sua última vinda ao Brasil, entre 1962 e 1963.[1]

Na ocasião dessa visita, tendo ido ao Cemitério da Saudade visitar o túmulo de seus pais, ao lançar um olhar nas lajes circunvizinhas, exclamou: "Ah por isso é que não encontrei a maior parte de meus amigos. Eles já estão todos aqui"[1]

Doações realizadas

Ao fim da vida, conseguiu acumular uma fortuna considerável. Não tendo descendentes diretos, fez ele grandes doações a diversas entidades culturais. Nos EUA, fez doações à Casa de Ópera Metropolitana, ao Centro Lincoln de Artes Cênicas e à Biblioteca Pública, todos em Nova Iorque.[1][3]

Também decidiu doar a maior parte de sua fortuna à sua cidade natal, para promover a instrução cultural na cidade. No dia 9 de janeiro de 1975, por meio da "Lei municipal n° 4.460/75", sancionada e promulgada pelo então prefeito Lauro Péricles Gonçalves, o município de Campinas passou a estar autorizado a receber a grande doação realizada. fA quantia, estimada em Cr$ 4 mi (quatro milhões de cruzeiros), foi doada na forma de ações e direitos. Foram doadas 80% das ações nominativas de Melillo emitidas pelo Banco do Brasil, além de 100% de suas ações ordinárias e preferenciais emitidas pelo mesmo banco, pela Companhia Industrial e Agrícola Santa Cecília e pela Companhia Docas de Santos.[4]

Além das ações, doou os direitos autorais sobre metade das edições dos livros de sua autoria, que estavam prestes a ser publicados pelo selo editorial da Biblioteca de Nova Iorque (New York Library). A doação, no entando, impôs ao município de Campinas o encargo de que o montante doado fosse empregado na construção de uma biblioteca e de uma escola de música, além de que os prédios respectivos fossem nomeados em sua memória.[4]

A doação não foi bem recebida por parte da família de Melilo. Quatro de seus sobrinhos, liderados por Luiz Gonzaga Melillo, seu único irmão ainda vivo na época, ajuizaram uma ação judicial para invalidar a doação, chamando-o de "excêntrico" e "paranoico", alegando que seu comportamento era indicativo de insanidade mental, embora não tenham conseguido provar a tese. Um fato particularmente sugestivo é que, até então, os sobrinhos e o irmão não tinham mantido qualquer contato com o Melillo faziam anos.[5]

Outros membros da família não se opuseram às doações realizadas. Um dos sobrinhos, Hélio Mellilo, escreveu para a revista Manchete:[3]

"Achei muito oportuna a entrevista feita por MANCHETE com meu tipo Roque Mellilo, esclarecendo pontos controvertidos do assunto. No entanto, nunca dei procuração ao advogado mencionado na publicação, não sou contra as doações realizadas por meio tipo, e nem o considero insano."

— Hélio Mellilo, de Campinas-SP
Da Revista Manchete, seção "O Leitor em Manchete", edição n° 1.193, de 01° de março de 1975, p. 19

A doação de Melilo permitiu a aquisição de um terreno para construção do prédio da biblioteca, que é justamente o mesmo onde ela está localizada nos dias de hoje, embora jamais tenha sido nomeado em memória do magnata, além de o pavimento inferior do prédio ser ocupado pelo Museu de Arte Contemporânea de Campinas. Quanto à escola de música, jamais veio a ser construída.[6][7]

Fez também doações à cidade de Tombos, cidade natal de seu advogado, localizada na Zona da Mata de Minas Gerais, como foi amplamente noticiado pelos jornais da época. Em sua cidade natal, evitando a atenção da imprensa, Roque Melillo fez doações a entidades assistenciais do estado de São Paulo, entre as quais a Assistência Vicentina.[1]

Pensão concedida pelo Município de Campinas

Em 30 de abril de 1976, o então prefeito de Campinas, Lauro Péricles Gonçalves, sancionou a Lei municipal n° 4.597/1976, por meio da qual o município de Campinas passou a estar legalmente autorizado a conceder uma pensão mensal a Melillo, que então residia em Nova Iorque, em valor equivalente a dez vezes o salário mínimo vigente no Município de Campinas. Os pagamentos seriam devidos a partir de fevereiro daquele mesmo ano.[8]

Morte

No dia 11 de outubro de 1976, vítima de arteriosclerose, Melilo faleceu aos 78 anos de idade. Estava sozinho em seu apartamento na cidade de Nova Iorque, no prédio localizado no número 8.201 da Avenida Britton, no bairro de Elmhurst, no distrito do Queens.[9]

Seu corpo foi trasladado para o Brasil em um avião de carga da antiga companhia Varig, vôo 563. chegando no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, no dia 03 de novembro de 1976. Foi sepultado no Cemitério da Saudade, em jazigo próprio da família.[10][11]

Homenagens

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n VILLAGELIN, Arthur Nazareno Pereira (1982). «Avenida Roque Melillo» (PDF). Centro de Memória-UNICAMP. Consultado em 11 de dezembro de 2025 
  2. FANTINATTI, João Marcos (2 de maio de 2014). «Personagem: Roque Melillo». Pró-Memória de Campinas-SP. Consultado em 11 de dezembro de 2025 
  3. a b «Roque Melillo». Revista Manchete (Seção "O Leitor em Manchete") (edição n° 1193): p. 19. 1 de março de 1975. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  4. a b MUNICÍPIO DE CAMPINAS (9 de janeiro de 1975). «Lei nº 4.460/75» (html). Biblioteca Jurídica. Prefeitura Municipal de Campinas. Consultado em 21 de agosto de 2025 
  5. «Roque Melillo - "Não estou louco, nem sou um excêntrico"». Revista Manchete (edição n° 1191): p. 38. 15 de fevereiro de 1975. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  6. a b LIMA NETO, Francisco (18 de agosto de 2019). «Prédio receberá o nome do doador de verba» (html). Correio Popular. Consultado em 21 de agosto de 2025 
  7. TREVISANI, Janete (14 de novembro de 2013). «Doações de um milionário excêntrico» (html). Correio Popular. Consultado em 21 de agosto de 2025 
  8. MUNICÍPIO DE CAMPINAS (30 de abril de 1976). «Lei n.º 4.597/1976». Biblioteca Jurídica. Prefeitura Municipal de Campinas. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  9. «Benfeitor campineiro morre em Nova York» (PDF). Sucursal de Campinas e do serviço local. O Estado de S. Paulo (Pág. 08 do PDF). 12 de outubro de 1976. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  10. «Melillo morre sem ver obra que doou» (PDF). Diário do Povo (Pág. 07 do PDF). 16 de outubro de 1976. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  11. a b «Chegou o corpo de Melillo» (PDF). Diário do Povo (Pág. 09 do PDF). 4 de novembro de 1976. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  12. MUNICÍPIO DE CAMPINAS (1 de junho de 1982). «Decreto n.º 20.454/2019». Biblioteca Jurídica. Prefeitura Municipal de Campinas. Consultado em 10 de setembro de 2019 
  13. EMPRESA MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO DE CAMPINAS (26 de abril de 2010). «Benjamin Constant, uma notável avenida» (html). Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC). Consultado em 21 de agosto de 2025 
  14. MUNICÍPIO DE CAMPINAS (1 de junho de 1982). «Decreto n.º 7.164/1982». Biblioteca Jurídica. Prefeitura Municipal de Campinas. Consultado em 12 de dezembro de 2025