Rodrigo Emílio

Rodrigo Emílio
Nascimento18 de fevereiro de 1944
Lisboa
Morte28 de março de 2004 (60 anos)
Parada de Gonta
CidadaniaPortugal
Ocupaçãopoeta, escritor

Rodrigo Emílio de Alarcão Ribeiro de Mello (Lisboa, 18 de Fevereiro de 1944 - Parada de Gonta, Tondela, 28 de Março de 2004) foi um poeta e activista nacionalista português fundador do Movimento de Acção Portuguesa (MAP).[1]

Colaborou em vários jornais, tais como no Diário da Manhã, Diário de Notícias, Frente, A Voz, A Época, Notícias de Lourenço Marques, O Debate, Redondel, A Rua, O Templário, Acção, Ofensiva, Agora, Diário do Minho, Jornal do Sul e O Dia), e nas revistas Ocidente, Panorama, Itinerário, A Cooperação, Política, Raiz, Renovação, Resistência, Último Reduto, Poetas & Trovadores e Hyperbórea.[2]

Percurso

Estudou no Colégio João de Deus e no Liceu Camões e cursou Filologia Românica, curso que o obrigou a passar pela Universidade de Coimbra durante um ano.

Os seus primeiros versos datam da infância e juventude e são editados em diversas publicações. Em 1963 publica na revista Ocidente a novela-quase-poema Rasgões no Sonho, deve-se-lhe também a versão portuguesa do texto poético da opereta com música de Schubert Canção de Amor, que subiu à cena em Lisboa no Teatro da Trindade e inaugurou o programa da temporada lírica do mesmo ano.

Ainda em 1963, é premiado no Concurso de Manuscritos do S.N.I. como autor do original As Lágrimas Ancoradas À Sombra do Amor, que em 1965 publica em livro.

Seis meses depois de terminada a recruta em Mafra, embarca com a família para Moçambique onde vai cumprir a comissão militar. Durante dois anos, presta serviço como alferes miliciano no Corpo Expedicionário. Em 1969 vai a Lisboa de licença, ocasião em que recebe o prémio dos Jogos Florais da Emissora Nacional na modalidade de Poesia Lírica com que tinha sido contemplado.

Nos últimos meses de 1970 regressa definitivamente a Portugal continental e é reintegrado nos quadros da Radiotelevisão Portuguesa, e inicia a produção das rubricas de poesia Vestiram-se os Poetas de Soldados e Sobre a Terra e Sobre o Mar exibidas em 1971 e 1972, respectivamente. Ao mesmo tempo, colabora com a Verbo Editora nos sectores cultural e educativo.

Em 1973, é editada a antologia de poetas portugueses Vestiram-se os Poetas de Soldados — Canto da Pátria em Guerra em homenagem aos combatentes da guerra do ultramar, antologia que Rodrigo Emílio selecciona e prefacia e a que acrescenta um “Depoimento” final.

Ainda em 1973, dá à estampa a Primeira Colheita e A Segunda Cegueira, a que se segue a Serenata a meus Umbrais. Estes dois primeiros livros foram distinguidos, em meados de Abril de 1974, com o Prémio de Poesia “General Casimiro Damas”, da Academia das Ciências de Lisboa que nunca lhe o foi entregue.[2]

Após o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, vê-se na necessidade de opor à descolonização portuguesa que se prosseguiu e é assim que, entre maio e junho desse ano, juntamente com Florentino Goulart Nogueira, decide fundar o MAP, acima referido. Movimento esse que vem apoiar a Manifestação da Maioria Silenciosa de 28 de Setembro e que devido ao seu fracasso foi desactivado nessa altura.[1]

Após esses acontecimentos políticos, em Outubro de 1974 e até Fevereiro de 1976 passou a ter de viver no exílio.[2]

Música

Poemas seus estão no fado e na canção, em interpretações de Miguei Barata Feio, José Campos e Sousa, Eduardo Falcão, António Moreira da Silva e Manuela Telles da Gama.

Em 1982, a canção "Polonesa", com letra sua, e música e interpretação do referido Campos e Sousa, sairia vencedora do concurso "Estamos Contigo Walesa", integrado numa Jornada de Solidariedade, subordinada ao tema: “Cantar a Liberdade pela Polónia“.[2]

O regresso a Portugal

Nessa altura, na década de 80, vai viver para Viseu onde leccionou durante três anos em escolas oficiais.

Morreu a 28 de Março de 2004 em Parada de Gonta, freguesia do concelho de Tondela[3] e jaz no jazigo da Família, no cemitério da mesma localidade.[4]

Dados genealógicos

Filho de Rodrigo de Melo casado com Margarida Melo, por sua vez filho do poeta romântico Tomás Ribeiro casado com sua prima Maria das Dores da Glória.[4]

Casa a 2 de Abril de 1967 com Maria Ester, de quem vem a ter quatro filhos.

Rodrigo Victor, Gonçalo, Constança e mais uma filha que morre tenra idade.[4]

Obras

  • As Lágrimas Ancoradas à Sombra do Amor, 1963, S.N.I.
  • Mote Para Motim, 1971, Editora PAX
  • Paralelo 26 S às Audições do Índico, 1971, Agência Geral do Ultramar
  • Poemas Acenados a uma Criança Longe, 1972, Editora PAX
  • A Segunda Cegueira, 1973, Publicações Cidadela
  • Primeira Colheita, 1973, Editora PAX
  • Em Nome do M.A.P. ‑ Movimento de Ação Portuguesa, Libelo político de denúncia e desagravo. Madrid, 1975
  • Serenata a Meus Umbrais, 1976, Empresa do Diário do Minho
  • Reunião de Ruínas, 1978, Edições A Rua
  • Poemas de Braço ao Alto, 1982, Tipava Tipografia de Aveiro Lda.
  • Pequeno Presépio de Poemas de Natal, 2005, Antília Editora
  • Matando a Sede nas Fontes de Fátima, Antília Editora
  • Salazar, António Ferro, Franco Nogueira: Proas e Mastros do Estado Novo, 2018, Contra-Corrente[2]
  • Por uma Direita moderna… Muito antiga, que apele ao chamamento Nacional!, 2019, Contra-Corrente[5]

Referências

Ligações externas