RoboCop 2

RoboCop 2
RoboCop 2
RoboCop 2
Pôster de lançamento para os cinemas
Estados Unidos
1990 •  cor •  117 min 
Gênero ficção científica
ação
cyberpunk
Direção Irvin Kershner
Produção Jon Davison
Roteiro História:
Frank Miller
Walon Green
Roteiro:
Frank Miller
Elenco Peter Weller
Nancy Allen
Dan O'Herlihy
Tom Noonan
Belinda Bauer
Música Leonard Rosenman
Cinematografia Mark Irwin
Edição Armen Minasian
Lee Smith
Deborah Zeitman
Companhia produtora Jon Davison
Distribuição Orion
(Estados Unidos e México)
Rank Film Distributors
(Reino Unido)
Svensk Filmindustri
(Suécia)
Fox Studios
(França e Brasil)
Lançamento
  • 22 de junho de 1990 (1990-06-22) (Estados Unidos)
Idioma inglês
Orçamento US$ 35 milhões (estimado)
Receita US$ 45 681 173 (Estados Unidos)[1]
Cronologia
RoboCop (1987)
RoboCop 3 (1993)

RoboCop 2 (bra/prt: RoboCop 2)[2][3] é um filme estadunidense de 1990 dos gêneros de ação, ficção científica e cyberpunk, dirigido por Irvin Kershner. Sendo a sequência do aclamado RoboCop (1987), o filme é notório por sua produção conturbada, um tom significativamente mais sombrio e cínico, e um roteiro original controverso da lenda dos quadrinhos Frank Miller.

Apesar de uma recepção crítica amplamente dividida no lançamento, que criticou seu enredo complexo e violência extrema, RoboCop 2 foi um sucesso financeiro moderado e, ao longo dos anos, desenvolveu um status de clássico cult, sendo reavaliado por sua sátira social cáustica e seus efeitos especiais inovadores, especialmente o trabalho de stop motion de Phil Tippett.

Enredo

Um ano após os eventos do primeiro filme, a cidade de Detroit está à beira da falência, endividada com a megacorporação Omni Consumer Products (OCP). A OCP, aproveitando-se da situação, força um estado de anarquia ao cortar os salários da força policial, provocando uma greve massiva e deixando a cidade à mercê do crime. O objetivo da OCP é forçar a prefeitura a ceder o controle total, permitindo a demolição da Velha Detroit para a construção da utópica Delta City.

Em meio ao caos, uma nova e altamente viciante droga de design chamada "Nuke" inunda as ruas. O cartel é liderado por Cain, um líder de culto carismático e messiânico que opera com a ajuda de sua namorada Angie e do jovem e violento Hob. O RoboCop (Alex Murphy) e sua parceira Anne Lewis lideram a resistência contra o cartel de Cain, mas Murphy é atormentado por fragmentos de sua vida passada, chegando a vigiar sua antiga casa e esposa.

Enquanto isso, a OCP acelera o desenvolvimento do projeto "RoboCop 2", visando criar um sucessor mais avançado e controlável. A Dra. Juliette Faxx, uma psicóloga corporativa antiética, assume o controle do projeto. Após uma série de fracassos desastrosos com policiais falecidos, Faxx teoriza que a forte moralidade dos oficiais de polícia é incompatível com a programação. Ela sugere usar criminosos violentos com desejo de poder e imortalidade, que seriam mais fáceis de manipular.

Durante um confronto brutal, RoboCop é emboscado pelo cartel de Cain. Seu corpo é desmembrado e as peças são despejadas em frente à sua delegacia. A OCP o reconstrói, mas, sob a influência de Faxx e um comitê de executivos, sua mente é sobrecarregada com centenas de diretivas contraditórias, tornando-o ineficaz e absurdamente politicamente correto. RoboCop, percebendo a manipulação, reinicia seu sistema ao eletrocutar-se, apagando todas as diretivas da OCP e restaurando sua personalidade original baseada em Alex Murphy.

Determinado a parar Cain, RoboCop confronta o cartel em uma usina abandonada. Com o apoio de uma força policial relutante, ele consegue ferir gravemente Cain e eliminar a maior parte de sua gangue, incluindo Angie e Hob. Vendo uma oportunidade, a Dra. Faxx seleciona o moribundo Cain como seu candidato para o projeto RoboCop 2. Ela desliga seu suporte de vida e transfere seu cérebro para um chassi cibernético monstruoso e pesadamente armado, mantendo sua dependência do Nuke como uma ferramenta de controle.

Durante a cerimônia de inauguração de Delta City, o "Velho", CEO da OCP, apresenta o RoboCop 2 (apelidado de "RoboCain"). No entanto, ao ver um recipiente de Nuke, a consciência de Cain assume o controle. A máquina enlouquece e ataca brutalmente a plateia. Incapaz de competir com a força bruta do monstro, o RoboCop original o engana, apresentando o frasco de Nuke. Enquanto RoboCain se distrai com a droga, RoboCop salta em suas costas, perfura seu casco e arranca o cérebro de Cain, esmagando-o no asfalto e finalmente destruindo a criatura.

Lewis e os executivos da OCP suspiram aliviados, mas Johnson, um dos executivos, já planeja como culpar a Dra. Faxx pelo desastre para evitar a queda das ações da OCP. Ao ouvir isso, Lewis comenta amargamente que RoboCop terá que se contentar, pois ele é "apenas humano".

Elenco

Ator/Atriz Personagem Notas
Peter Weller Alex Murphy / RoboCop Reprisou seu papel, mas teve conflitos com a direção e o roteiro, sentindo que a complexidade do personagem foi reduzida. Usou um traje redesenhado, mais leve e flexível, mas ainda extremamente desconfortável.
Nancy Allen Anne Lewis A parceira de Murphy. Allen expressou descontentamento com o diretor Irvin Kershner, sentindo que ele priorizava os aspectos técnicos em detrimento da atuação.
Tom Noonan Cain O principal antagonista e líder do culto da droga Nuke. Noonan interpretou o personagem com uma calma messiânica e "hippie", contrastando com a violência de suas ações.
Belinda Bauer Dr. Juliette Faxx A psicóloga corporativa antiética que desenvolve o projeto RoboCop 2.
Gabriel Damon Hob O jovem e sádico braço direito de Cain. O personagem foi um dos pontos mais controversos do filme devido à sua idade e crueldade.
Dan O'Herlihy "O Velho" (The Old Man) O CEO da Omni Consumer Products.
Felton Perry Donald Johnson Executivo da OCP que aparece no primeiro filme.
Robert DoQui Sargento Warren Reed O supervisor da delegacia de polícia, também retornando do primeiro filme.

Recepção

Crítica contemporânea

Na época de seu lançamento, RoboCop 2 recebeu críticas majoritariamente mistas e negativas. O filme detém uma aprovação de 33% no Rotten Tomatoes, com base em 36 críticas, e uma pontuação de audiência de 36%.[4]

Os críticos geralmente concordavam que os efeitos especiais eram impressionantes, mas muitos consideraram o roteiro confuso, superlotado e excessivamente cruel. Roger Ebert deu ao filme uma avaliação negativa, descrevendo-o como "uma confusão de ideias mal cozidas e inacabadas" e criticou a violência gratuita, especialmente a envolvendo o personagem infantil Hob, que ele chamou de "um pirralho cruel". Janet Maslin, do The New York Times, chamou o filme de "alegremente desagradável" e "super-roteirizado", mas admitiu que ele possuía uma energia maníaca. A revista Variety o descreveu como cínico e "mal-humorado", mas elogiou sua ambição e escala técnica.

Reavaliação e Status Cult

Com o passar das décadas, RoboCop 2 passou por uma significativa reavaliação. Muitos críticos e fãs agora o consideram um clássico cult e uma das sequências mais subestimadas dos anos 90. Argumenta-se que sua sátira cáustica e seu tom implacavelmente sombrio estavam à frente de seu tempo. O que foi visto como uma falha em 1990 — sua anarquia tonal e cinismo avassalador — é hoje frequentemente interpretado como uma reflexão ousada e precisa da ansiedade cultural do final da Guerra Fria e do avanço do neoliberalismo. Sua crítica à burocracia, à mídia e à manipulação corporativa ressoa de forma ainda mais forte para o público moderno.

Referências

  1. «RoboCop 2». Box Office Mojo (em inglês). IMDb. Consultado em 11 de outubro de 2022 
  2. «Robocop 2». Brasil: CinePlayers. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  3. «RoboCop 2». Portugal: CineCartaz. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  4. «RoboCop 2» (em inglês). Rotten Tomatoes. Consultado em 14 de fevereiro de 2014