Revolução Brasileira
Revolução Brasileira (RB) é uma organização política nacional independente, de orientação marxista, surgida no Brasil na segunda metade da década de 2010. A organização defende a necessidade de um processo revolucionário no país como resposta à crise do capitalismo dependente brasileiro, à conciliação de classes e ao que denomina de “guerra de classes” promovida pelas elites econômicas e políticas.
A Revolução Brasileira atua como militância organizada no movimento estudantil e no movimento dos trabalhadores, além de produzir documentos políticos, manifestos, teses e análises conjunturais. Embora tenha atuado taticamente no interior do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL),[1] define-se como uma organização independente, sem subordinação orgânica a partidos políticos.
Histórico
Origem e Manifesto (2017)
A Revolução Brasileira teve sua origem pública com o lançamento do Manifesto pela Revolução Brasileira,[2] divulgado em 15 de abril de 2017. O documento parte da interpretação de que o Brasil atravessava uma crise estrutural do sistema político construído após o Plano Real, caracterizado pela conciliação entre partidos como Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), definida pelos autores como “sistema petucano”.
Segundo o manifesto, esse sistema teria administrado o capitalismo dependente brasileiro mantendo o subdesenvolvimento, a superexploração do trabalho e a concentração de renda, agravadas pela crise econômica iniciada em 2014, pelo ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff e pelo impeachment ocorrido em 2016.
Atuação política e debate eleitoral
A partir desse diagnóstico, integrantes da Revolução Brasileira passaram a atuar no interior do PSOL, defendendo a construção de um programa socialista e revolucionário. Em 2018, o grupo apoiou a pré-candidatura de Nildo Ouriques à Presidência da República,[3] entendendo que sua candidatura expressaria um rompimento mais nítido com o petismo.
Após a escolha de Guilherme Boulos como candidato presidencial do PSOL,[4] a organização passou a criticar a estratégia eleitoral adotada, avaliando que ela manteria a esquerda como linha auxiliar do PT.[5] A vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 foi interpretada pela Revolução Brasileira como expressão da crise do sistema político e da ausência de uma alternativa de radicalismo de esquerda capaz de disputar a insatisfação popular.
Ideologia
A Revolução Brasileira se define como marxista, socialista e anti-imperialista, articulando sua análise à tradição do pensamento crítico latino-americano sobre dependência e subdesenvolvimento.[6] Seus documentos programáticos [7] sustentam que o Brasil é um país capitalista dependente, inserido de forma subordinada na divisão internacional do trabalho, condição que estrutura a superexploração da força de trabalho, a concentração de renda e a limitação histórica da soberania nacional.
De acordo com essa interpretação, a conciliação de classes constitui um obstáculo estrutural à superação da dependência, uma vez que impede rupturas efetivas com a ordem burguesa. A organização afirma que não há possibilidade de soberania nacional substantiva dentro do capitalismo e que o socialismo representa a alternativa histórica àquilo que define como a barbárie social produzida pela crise estrutural do sistema capitalista.
A Revolução Brasileira também reivindica um nacionalismo revolucionário, compreendido como parte indissociável da luta socialista na periferia do capitalismo. Esse nacionalismo é apresentado não como projeto conservador, mas como expressão da necessidade de enfrentamento ao imperialismo e de afirmação de um caminho próprio de desenvolvimento histórico.
No plano político-institucional, seus documentos apresentam uma crítica sistemática ao presidencialismo de coalizão, ao Congresso Nacional, caracterizado como expressão direta dos interesses das classes dominantes, e ao Poder Judiciário, entendido como integrado ao pacto de poder vigente. A organização também critica a hegemonia do liberalismo, tanto em sua vertente de direita quanto de esquerda. Nesse contexto, o petismo é descrito como responsável por um processo de desarmamento político e ideológico da classe trabalhadora, ao substituir o horizonte socialista por políticas compensatórias, pactos institucionais e estratégias de governabilidade.
Organização e atuação social
Do ponto de vista organizativo, a Revolução Brasileira se define como uma organização militante, voltada à formação política, à intervenção nos movimentos sociais e à organização da classe trabalhadora e da juventude. Defende a centralidade da formação teórica marxista, da disciplina militante, da atuação de base em sindicatos, escolas, universidades e bairros, e da construção de um programa socialista com enraizamento popular.
Movimento estudantil e juventude
A atuação no movimento estudantil é concebida como parte da estratégia política da organização. Em 2019, a organização apresentou a Tese da Juventude pela Revolução Brasileira ao 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).
O documento sustenta que a universidade brasileira cumpre papel central na reprodução da ordem capitalista e que a expansão do ensino superior privado e da educação a distância aprofundou a precarização da formação acadêmica. Segundo a organização, esse processo estaria associado ao endividamento da juventude, ao desemprego e à intensificação da superexploração do trabalho juvenil. A tese também afirma que a UNE teria se transformado em um aparelho burocratizado e subordinado aos governos petistas, afastando-se de uma perspectiva de enfrentamento estrutural.
Entre as pautas defendidas, destaca-se o fim do vestibular, apresentado como reivindicação histórica do movimento estudantil e como medida necessária para garantir o acesso universal ao ensino superior. De acordo com a Revolução Brasileira, o vestibular cumpriria uma função de classe ao limitar o ingresso das camadas populares na universidade e ao reforçar desigualdades sociais previamente existentes.
Como alternativa, a organização defende a construção de uma universidade pública, gratuita, universal e socialmente referenciada, orientada às necessidades da classe trabalhadora e articulada à luta pela transformação radical da sociedade e pela superação da ordem capitalista.
Notas e referências
- ↑ «Tese da Revolução Brasileira para o 7º Congresso Estadual do Psol». Revolução Brasileira. 23 de maio de 2021. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «Manifesto pela Revolução Brasileira». Revolução Brasileira. 19 de abril de 2017. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «A guerra pelo PSOL: uma reunião com o petista Tarso Genro desencadeou o inferno». Intercept Brasil. 9 de março de 2018. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «PSOL lança Guilherme Boulos como pré-candidato a presidente da República». G1. 10 de março de 2018. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «Candidatura de Boulos irrita demais pré-candidatos do PSOL». UOL Eleições 2018. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «Revolução Brasileira – Apresentação». Revolução Brasileira. 11 de fevereiro de 2019. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «Documentos». Revolução Brasileira. Consultado em 30 de dezembro de 2025
Ligações externas
Institucional
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