Nildo Ouriques

Nildo Ouriques
Nildo Ouriques tomando posse da Editora da UFSC em 2024
Nascimento21 de janeiro de 1959 (67 anos)
Joaçaba
CidadaniaBrasil
Ocupaçãoeconomista

Nildo Domingos Ouriques (Joaçaba, 21 de janeiro de 1959) é um economista e professor brasileiro. Foi presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) da Universidade Federal de Santa Catarina professor de economia na mesma universidade.[1] Ao longo de sua carreira acadêmica, lecionou em instituições de todo o mundo, incluindo a Universidade Nacional de Tucumán na Argentina, a Universidade de Pádua na Itália, a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), a Universidade Bolivariana da Venezuela e a Universidade Simón Bolívar em Quito, Equador.[2] Em 2020, Ouriques foi incluído na lista dos chamados “detratores do governo” na academia e no jornalismo.[3][4]

Vida e carreira acadêmica

Ouriques nasceu em Joaçaba, Santa Catarina, Brasil, cidade onde morou até os 17 anos, quando terminou o ensino médio.[5] Durante a sua juventude, Ouriques foi ativo no movimento estudantil contra a ditadura militar.[6] Ouriques tem doutorado em economia pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e pós-doutorado pela Universidade de Buenos Aires.[7] Grande parte de seu trabalho se concentra na relação entre marxismo e nacionalismo, bem como na teoria marxista da dependência de forma mais geral.[8] Em abril de 2024, o professor Nildo Ouriques assumiu a direção da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), sucedendo o professor Waldir Rampinelli, em decorrência de sua aposentadoria.[9]

Atividade e visões políticas

Ouriques, que por duas décadas foi filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT),[10] de esquerda, deixou o partido, citando seu descontentamento com o que chamou de "sistema petucano" (uma aglutinação de petista, membro do PT, com tucano, membro do PSDB, de centro-direita).[5] Segundo Ouriques, embora o PT tenha nascido do "protesto dos trabalhadores contra a ditadura", o partido sucumbiu à "ordem burguesa" no poder.[11] Ouriques criticou Luiz Inácio Lula da Silva por não ter trabalhado de perto o suficiente com o presidente Hugo Chávez da Venezuela para criar um "bloco regional coeso" anti-imperialista durante sua presidência.[12]

Ouriques é um crítico ferrenho da presidência de Jair Bolsonaro, argumentando que a política externa do Brasil havia se tornado a de uma república das bananas sob seu governo.[13] Ele argumentou que o PT e a "esquerda liberal" estão despreparados para enfrentar as ameaças representadas pelo governo de Bolsonaro.[14] Ouriques comparou Bolsonaro a Augusto Pinochet, o ditador de direita do Chile de 1974 a 1990.[15] Além disso, Ouriques argumentou que o governo Bolsonaro destruiu o status do Brasil como uma potência emergente e relegou o país a ser um representante dos interesses dos EUA na região.[16]

O então vice-presidente Hamilton Mourão, general aposentado do Exército Brasileiro, tem sido alvo constante de críticas de Ouriques. Ouriques disse que Mourão é efetivamente "um homem dos Estados Unidos", que está plenamente "em sintonia com a doutrina de segurança hemisférica dos Estados Unidos". Ouriques argumenta que o relativo comedimento de Mourão em ambientes públicos em comparação com o mais bombástico Bolsonaro o torna mais perigoso do que o presidente sob o qual ele serve.[17]

Ouriques falou sobre o legado da imigração europeia e do latifúndio nos padrões de votação de direita no Sul do Brasil.[18] Em abril de 2017[19], foi um dos fundadores da corrente Revolução Brasileira dentro do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Atuou ativamente na sede local do PSOL em Santa Catarina e participou do comício de lançamento dos candidatos do partido que disputaram as eleições presidenciais brasileiras de 2018, ocasião em que tentou concorrer à presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).[20][21][22][23][24] No entanto, perdeu a indicação partidária para o líder trabalhista Guilherme Boulos.[25][26][27] Ouriques acusou a liderança do PSOL de favoritismo injusto a Boulos.[28]

Em 2022, a corrente Revolução Brasileira passou a defender publicamente o voto nulo[29] nas eleições, posição fundamentada em uma crítica estrutural ao sistema político brasileiro, à estratégia eleitoral da esquerda liberal e à adesão do PSOL ao campo petista. Ouriques teve atuação destacada na formulação e defesa dessa orientação. Em 2023, a Revolução Brasileira oficializou sua desfiliação do PSOL[30], argumentando que o partido havia consolidado uma hegemonia liberal incompatível com um projeto socialista e revolucionário. Desde então, a Revolução Brasileira passou a atuar como uma organização política independente, voltada à elaboração teórica e à construção de uma estratégia própria de transformação social, na qual Ouriques permanece ativo.

Obras

  • OURIQUES, N. D. O colapso do figurino francês: Crítica às ciências sociais no Brasil. 5. ed. Florianópolis: Insular, 2023. ISBN 978-85-524-0328-9
  • OURIQUES, N. D.; RAMPINELLI, W. J. (orgs.). Crítica à razão acadêmica: Reflexões sobre a universidade contemporânea. Vol. 3. Florianópolis: Insular, 2023. ISBN 978-85-524-0358-6
  • OURIQUES, N. D.; RAMPINELLI, W. J. (orgs.). Crítica à razão acadêmica: Reflexões sobre a universidade contemporânea. Vol. 2. Florianópolis: Insular, 2017. ISBN 978-85-524-0015-8
  • OURIQUES, N. D.; RAMPINELLI, W. J. (orgs.). Crítica à razão acadêmica: Reflexões sobre a universidade contemporânea. Vol. 1. Florianópolis: Insular, 2017. ISBN 978-85-524-0013-4
  • OURIQUES, N. D.; TAVARES, E. O mapa da crise: A reinvenção das Ciências Sociais. Florianópolis: Insular, 2010. ISBN 978-85-7474-514-5

Referências

  1. «Nildo Ouriques». IELA - Instituto de Estudos Latino-Americanos 
  2. «Nildo Domingos Ouriques». Escavador. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  3. «Quem são os jornalistas e youtubers chamados de 'detratores do governo'?». DCI. 3 de dezembro de 2020. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  4. «Professor da UFSC aparece em lista de jornalistas e influenciadores em relatório do governo». www.nsctotal.com.br. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  5. a b «Conheça o catarinense Nildo Ouriques, que pode ser candidato à presidência pelo PSOL». www.nsctotal.com.br. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  6. «Entrevista com Nildo Ouriques, pré-candidato à presidência pelo PSOL - Diário Liberdade». gz.diarioliberdade.org. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  7. «Professor da UFSC, Nildo Ouriques dará palestra no sindicato sobre liberalismo». Sintrajud. 14 de maio de 2019. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  8. «Nildo Ouriques». PORTAL RESISTENTES. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  9. «Professor Nildo Ouriques toma posse como diretor da Editora da UFSC – Apufsc-Sindical». Consultado em 4 de junho de 2025 
  10. «Nildo Ouriques» [ligação inativa] 
  11. «Nildo Ouriques e o 5º Encontro nacional do PT». Página 13. 28 de dezembro de 2020. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  12. Silva, Roberto Bitencourt da (10 de novembro de 2017). «A "Revolução Brasileira" de Nildo Ouriques, por Roberto Bitencourt da Silva | GGN». Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  13. «"A política externa do Brasil é de república bananeira, um desastre", afirma professor da UFSC». www.nsctotal.com.br. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  14. Sanson, Cesar. «"O governo Bolsonaro trará mais violência e desigualdade, mas a esquerda liberal não tem respostas à altura". Entrevista com Nildo Ouriques». www.ihu.unisinos.br. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  15. «A revolução brasileira tematizada por Nildo Ouriques: ou massa ou classe social ou ambas?». IELA - Instituto de Estudos Latino-Americanos. 15 de março de 2020 
  16. admin (6 de fevereiro de 2019). «El fin de Brasil como potencia global emergente». UninomadaSUR (em espanhol). Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  17. «Ouriques ataca 'alternativa' Mourão: "É um homem dos Estados Unidos"». Programa Faixa Livre. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  18. «Bolsonaro criou "uma bolha de interesses conservadores e liberais" no sul do país, avalia sociólogo». RFI. 18 de outubro de 2018. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  19. «Manifesto pela Revolução Brasileira». Revolução Brasileira. 19 de abril de 2017. Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  20. «PSOL: quem é o "rival" de Chico Alencar na disputa pela candidatura à presidência». Socialista Morena. 26 de setembro de 2017. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  21. «Os candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar durante a campanha». BBC News Brasil. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  22. «Filiação de Boulos é criticada por postulantes do PSOL». Blog de Jamildo. 8 de março de 2018. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  23. «Chico Alencar deve ser candidato ao Senado pelo Rio». O Globo. 16 de outubro de 2017. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  24. Mirante, O. (20 de fevereiro de 2018). «Com presença de presidenciável, PSOL lança Adilson Mariano na disputa ao Congresso». O Mirante. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  25. «Nildo Ouriques e os novos desafios do PSOL». O Cafezinho. 15 de junho de 2019. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  26. «Nildo Ouriques: 'Minha candidatura é pelas prévias'». Esquerda Online. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  27. «Guilherme Boulos é confirmado pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL». ISTOÉ DINHEIRO. 10 de março de 2018. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  28. «Candidatura de Boulos racha Psol | Brasil | O Dia». odia.ig.com.br. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  29. «Resolução política da Revolução Brasileira sobre as eleições presidenciais de 2022». Revolução Brasileira. 25 de agosto de 2022. Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  30. «A Revolução Brasileira não será uma tarefa histórica para o PSOL». Revolução Brasileira. 24 de junho de 2023. Consultado em 30 de dezembro de 2025