Resposta Histórica
| Resposta Histórica | |
|---|---|
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| Autor(es) | José Augusto Prestes |
| Idioma | português |
| País | Brasil |
| Lançamento | 7 de abril de 1924 |
| Transcrição | Resposta Histórica |
A Resposta Histórica é uma carta enviada em 07 de abril de 1924 (101 anos) por José Augusto Prestes, então presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, para a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.[1] Nela, Prestes declara que o clube não iria desfiliar seus doze atletas negros, operários e analfabetos, abrindo mão assim de sua inscrição na AMEA.[2] A desfiliação foi uma condição estabelecida pela associação para a admissão e subsequente participação do Vasco nos campeonatos organizados pela AMEA.[3]
No ano anterior, o Vasco da Gama havia conquistado de forma inconteste o Campeonato Carioca de 1923, vencendo 12 das 14 partidas (89,3% de aproveitamento).[4] Em seu primeiro ano na elite carioca, a equipe cruzmaltina foi campeã com um elenco racialmente diverso, conhecido por Camisas Negras,[5] sendo muitos jogadores negros e pardos, quase todos de origens suburbanas. À época, o futebol era tido como um esporte das elites.[3]
Hoje, a carta e a posição assumidas pelo Vasco são tidas como um marco na luta contra o racismo no Brasil e no futebol.[6][7]
Contexto
A história da introdução do futebol no Brasil e no Rio de Janeiro, no final do século XIX e no início do século XX, é marcada por uma divisão racial e socioeconômica. Haviam pioneiros que eram abastados e traziam o jogo de suas viagens pela Europa, como Oscar Cox;[8][9] e outros eram marinheiros europeus.[10] A própria ideia de que o esporte teria sido introduzido e ensinado por Charles Miller é tida hoje como contestável a partir dessa visão de disputa racial e econômica.[11] É importante frisar que a introdução do esporte ocorreu poucos anos após a Abolição da escravatura no Brasil e que, naturalmente, haveriam reflexos disso em toda a sociedade.[12]
Até os anos de 1920, o esporte era considerado de elite e ligado a um ideário de modernidade europeia.[13] O futebol carioca à época era dominado por times da Zona Sul da capital, notoriamente mais abastada, e era profundamente racista. Negros, pobres e analfabetos não eram bem-vindos no futebol profissionalizado, o que causava uma grande diferença técnica e de condição física em favor dos jogadores vindos das elites, que não precisavam se dedicar ao trabalho assalariado.[12][10]
Apesar de outros clubes terem negros e pobres em seus planteis, o Vasco foi o primeiro a profissionalizar seus atletas com essas origens e o primeiro de um bairro pobre a ser campeão. A ascensão meteórica em 1922 e o título de 1923 vieram como um choque para os clubes da elite carioca, que até então não tinham tido sua hegemonia ameaçada. O escrete, que veio a ser conhecido como "Camisas Negras", era composto por operários, faxineiros, choferes e pintores, doze dos quais eram negros ou pardos.[13]
A forma encontrada pelos clubes da elite para se defender foi criando a AMEA e exigindo do Vasco a exclusão de jogadores que "não se encaixavam na conduta esportiva requerida pelo campeonato",[13] além de alegar a falta de um estádio,[3] que seria construído quatro anos depois. Frente a isso, o então presidente do clube José Augusto Prestes enviou a carta endereçada à nova associação.
Ver também
- História do futebol do Brasil
- História do futebol do Rio de Janeiro
- História do Club de Regatas Vasco da Gama
- Campeonato Carioca de Futebol de 1923
Referências
- ↑ «O que é Resposta Histórica? Motivo de orgulho para torcida, ato do Vasco completa 100 anos». ge.globo. 3 de abril de 2024
- ↑ «Os 100 anos da Resposta Histórica que transformou o Vasco em uma causa». Terra. 7 de abril de 2024
- ↑ a b c «1924 – A resposta histórica – Vasco da Gama». Consultado em 7 de fevereiro de 2023
- ↑ «Vasco da Gama é pioneiro na luta contra o racismo no futebol brasileiro». Mídia Ninja. 8 de novembro de 2022
- ↑ «100 anos do primeiro título carioca do Vasco: veja quem foram os Camisas Negras». ge.globo. 12 de agosto de 2023
- ↑ «Há 97 anos, Vasco se recusava a dispensar negros e dava resposta ao racismo». www.uol.com.br. Consultado em 7 de fevereiro de 2023
- ↑ Alves, Altair (7 de abril de 2022). «Resposta Histórica do Vasco completa 98 anos nesta quinta-feira». Vasco Notícias. Consultado em 7 de fevereiro de 2023
- ↑ Jal (2004). A história do futebol no Brasil através do cartum. Gual. Rio de Janeiro: Bom Texto. OCLC 58977062
- ↑ «OSCAR COX E O FOOT-BALL NO RIO DE JANEIRO». Blog do FUTBOX. 24 de janeiro de 2017. Consultado em 8 de fevereiro de 2023
- ↑ a b «O futebol brasileiro: como tudo começou». Universidade do Futebol. 1 de outubro de 2008. Consultado em 8 de fevereiro de 2023
- ↑ Stein, Leandro (13 de abril de 2015). «Os boleiros tomaram o Brasil muito antes das regras de Charles Miller». Trivela. Consultado em 8 de fevereiro de 2023
- ↑ a b Helal, Ronaldo; Teixeira, João Paulo Vieira (2010). «O racismo no futebol carioca na década de 1920 e a Invenção das Tradições». Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Consultado em 8 de fevereiro de 2023
- ↑ a b c Cerreira, Nathalia Borges (2020). «Os camisas negras do Vasco: a resposta histórica e o confronto à hierarquia elitista do futebol». Estado, democracia e sociedade. desafios contemporâneos. [S.l.]: Initia Via. p. 173-186. 215 páginas. ISBN 978-65-86834-00-0
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