República Popular de Lugansk
República Popular de Lugansk Луганская народная республика Luganskaya narodnaya respublika | |
|---|---|
![]() Bandeira da República Popular de Lugansk
![]() Brasão da República Popular de Lugansk
| |
![]() Território controlado de facto, de jure é controlado pelo Oblast de Lugansk | |
| Capital | Lugansk |
| Língua oficial | Russo[1] |
| Governo | Estado de direito unitário |
• Chefe de Estado | Leonid Pasechnik |
• Primeiro-ministro | Sergey Kozlov |
• Comandante da Guarda de Lugansk | German Prokopyev |
| Legislatura | Conselho Popular |
| Independência da Ucrânia | |
• Estabelecida | 27 de abril de 2014 |
| 11 de maio de 2014 | |
• Declarada | 12 de maio de 2014 |
| 5 de setembro de 2014 | |
• Reconhecimento pela Rússia | 21 de fevereiro de 2022 |
| 30 de setembro de 2022 | |
| Área | |
| • Total | 26.684 km² |
| População | |
| • Estimativa para 2018 | 1 464 039 hab. |
| Moeda | Rublo |
| Fuso horário | (UTC+2) |
| • Verão (DST) | (UTC+3) |
| Website Centro de Mídia | https://lug-info.com/ |
A República Popular de Lugansk/Luhansk ou, aportuguesado, República Popular de Lugânseque[2]/Lugansque/Luansque, abreviadamente, RPL (em russo: Луганская народная республика, transl. Luganskaya Narodnaya Respublika), foi um ente político com reconhecimento internacional extremamente limitado, localizado na bacia carbonífera do Donets (Donbas), que existiu entre 2014 e 2022.
A RPL foi proclamada no então território do oblast de Lugansk, na Ucrânia, em 27 de abril de 2014, após referendo realizado em 11 de maio do mesmo ano.[3] Juntamente com a República Popular de Donetsk, foi uma das entidades políticas criadas após a Revolução Ucraniana de 2014. Ambas foram reconhecidas por apenas três países membros da ONU: Rússia, Síria e Coreia do Norte.[4][5] As repúblicas não reconhecidas de Ossétia do Sul e Abecásia também as reconheceram.[6][7]
A Organização das Nações Unidas e a comunidade internacional não reconheceram a RPL, considerando o território como parte integrante da Ucrânia sob ocupação militar russa. Em outubro de 2022, após a tentativa de anexação pela Rússia, a Assembleia Geral da ONU aprovou resolução com 143 votos a favor condenando a anexação como ilegal e reafirmando a soberania ucraniana sobre o território.[8][9] Em fevereiro de 2025, a ONU reafirmou o compromisso com a integridade territorial da Ucrânia em nova resolução aprovada com 93 votos favoráveis.[10]
Em 30 de setembro de 2022, a República Popular de Lugansk foi formalmente anexada pela Federação Russa, como súdito federal, por meio de referendo realizado de 23 a 27 de setembro do mesmo ano, não reconhecido pela comunidade internacional.[11][12][13] O território permanece em disputa no contexto da guerra em curso desde 2022.
História
Contexto
Após a Revolução Ucraniana, em fevereiro de 2014 - uma revolução colorida que resultou em mudança de regime, com a deposição do presidente eleito do país, Viktor Yanukovytch, e a instalação de um governo claramente contrário a Moscou[14] - foi convocado um referendo sobre a autodeterminação dos oblasts de Lugansk e Donetsk, de população majoritariamente constituída por russos étnicos. O pleito realizou-se em 11 de maio do mesmo ano e, segundo os resultados anunciados no dia seguinte, 96,2% dos eleitores de Lugansk apoiaram a sua independência da Ucrânia e a criação da República Popular de Lugansk, enquanto, em Donetsk, a proporção foi de 89% de eleitores favoráveis à proposta de emancipação e a consequente criação da República Popular de Donetsk.[15][3]
Na sequência, Lugansk e Donetsk declararam independência da Ucrânia e assinaram um acordo bilateral, para criar a confederação da Nova Rússia[16] - acordo que, um ano depois, seria congelado, visando a implementação do Protocolo de Minsk II.
A 11 de junho de 2014, a RPL pediu à Federação Russa, bem como a 14 outros estados, que reconhecessem a sua independência.[17] A independência da República Popular de Lugansk foi reconhecida apenas pela República da Ossétia do Sul, pela República da Abecásia e, posteriormente, em 21 de fevereiro de 2022, pela Federação Russa.[6][7][18] Em julho de 2022, a Síria e a Coreia do Norte também reconheceram as repúblicas.[4][5]
Caracterização como estado fantoche
Durante sua existência, analistas políticos, acadêmicos e a comunidade internacional descreveram frequentemente a RPL como um estado fantoche da Rússia.[19] Esta caracterização baseava-se em diversos fatores, incluindo dependência econômica, militar e política da Rússia.
A Rússia fornecia apoio financeiro, diplomático e militar substancial à RPL.[20] Desde 2017, os documentos emitidos pelas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk eram válidos na Rússia, permitindo que os residentes trabalhassem, viajassem ou estudassem no país.[19] A Rússia também distribuiu mais de 600 mil passaportes russos aos cidadãos das repúblicas e forneceu apoio militar com armas e artilharia.[19]
Estudos acadêmicos sobre estados de facto no espaço pós-soviético identificaram a RPL e a RPD como exemplos de entidades que, embora apresentassem símbolos externos de autoridade (bandeira, constituição, governo), eram na prática controladas por outro Estado.[20] A literatura especializada sobre estados fantoches aponta que estas entidades possuem características formais de soberania, mas carecem de autonomia real nas decisões políticas, econômicas e militares.[carece de fontes]
Reconhecimento internacional e posição da ONU
A comunidade internacional não reconheceu a independência da RPL, considerando-a território ucraniano sob ocupação. Após a anexação formal pela Rússia em setembro de 2022, a Assembleia Geral da ONU aprovou em 12 de outubro de 2022 uma resolução com 143 votos a favor, apenas 5 contra e 35 abstenções, condenando a tentativa de anexação ilegal e reafirmando a soberania, independência, unidade e integridade territorial da Ucrânia.[8][9] Os países que votaram contra a resolução foram Rússia, Síria, Nicarágua, Coreia do Norte e Bielorrússia.[21]
A resolução declarou que os referendos realizados pela Rússia não têm validade sob o direito internacional e não constituem base para qualquer alteração do status das regiões da Ucrânia.[9] Em fevereiro de 2025, a Assembleia Geral da ONU aprovou nova resolução reafirmando o compromisso com a integridade territorial da Ucrânia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, com 93 votos favoráveis.[10]
Território
Conforme a Constituição ucraniana e o posicionamento da ONU e da comunidade internacional, o território reivindicado pela RPL é parte integrante da Ucrânia. A Ucrânia considera o território como temporariamente ocupado pelas forças armadas russas, e as estruturas da RPL como administração da ocupação russa.
Já os deputados do conselho regional da região de Lugansk declararam, no início da guerra na Donbas (2014), que a vontade dos cidadãos da RPL, expressa no referendo de 2014, deveria ser respeitada,[22] enquanto o presidente do conselho regional descreveu a operação de força do governo ucraniano, na região, como terrorista e dirigida contra o povo.[23][24] Naquela mesma época, a Rússia rejeitava as acusações de envolvimento no conflito[25] e, em especial, de ocupação de território ucraniano.[26]
No dia 11 de outubro de 2018, foram realizadas eleições, vencidas por Leonid Pasechnik, com mais de 68% dos votos.[27]
Em 21 de fevereiro de 2022, a República Popular de Lugansk foi reconhecida pela Rússia.[28][29][30] E em 3 de julho de 2022, no contexto da Invasão da Ucrânia pela Rússia, a República Popular de Lugansk conquistou todo o território que reivindicava com o auxílio do Exército russo.[31] O território permanece em disputa no contexto da guerra em curso em janeiro de 2026.
Ver também
- Revolução Euromaidan
- Divisões federais da Rússia
- Ofensiva do leste da Ucrânia
- República Popular de Donetsk
- Rebelião pró-russa na Ucrânia
- Forças separatistas de Donbas
- Referendo de Lugansk de 2014
- Anexação do sul e leste da Ucrânia pela Rússia
- Reconhecimento internacional da independência de Lugansk e Donetsk
- Referendos sobre a adesão à Rússia dos territórios ocupados da Ucrânia (2022)
Referências
- ↑ Парламент ЛНР признал русский язык единственным государственным в республике [O parlamento da RPL reconhece o russo como o único idioma oficial na república] (em russo). Interfax. 3 de junho de 2020. Consultado em 17 de junho de 2020
- ↑ Correia, Paulo (Primavera de 2025). «Federação da Rússia — apontamentos para ficha de país» (PDF) (77). a folha – Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. pp. 8–22. ISSN 1830-7809. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b Após dia de referendos, leste da Ucrânia aprova separação. "Os resultados foram divulgado em 12 de maio. Em Lugansk, 96,2% dos votos foram favoráveis à independência. Em Donetsk, proporção foi de 89%. Resultados foram criticados por Kiev e pela comunidade internacional". Época, 12 de maio de 2014.
- ↑ a b «Ucrânia rompe relações com Coreia do Norte por reconhecimento de regiões separatistas». CNN Brasil. 14 de julho de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Embaixada da Coreia do Norte em Moscou: reconhecemos independência das repúblicas de Donbass». Sputnik Brasil. 13 de julho de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b South Ossetia recognizes Donetsk People's Republic independence. ТАСС, 27 de junho de 2014.
- ↑ a b «Abkhazia recognises Ukraine's Donetsk and Luhansk». OC Media (em inglês). 25 de fevereiro de 2022. Consultado em 17 de maio de 2022
- ↑ a b «Ucrânia. Assembleia-Geral da ONU condena anexações russas com apoio esmagador de 143 países». RTP. 12 de outubro de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c «Assembleia-Geral da ONU condena anexação de territórios ucranianos pela Rússia». CNN Brasil. 12 de outubro de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Assembleia Geral da ONU e Conselho de Segurança aprovam resoluções sobre paz na Ucrânia». ONU News. 24 de fevereiro de 2025. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ Новости, Р. И. А. (20 de setembro de 2022). «Голосования о присоединении ДНР и ЛНР к России пройдут с 23 по 27 сентября». РИА Новости (em russo). Consultado em 17 de setembro de 2022
- ↑ Chernova, Ann M. Simmons and Yuliya (30 de setembro de 2022). «Russia Announces Annexation of Four Regions of Ukraine». Wall Street Journal (em inglês). ISSN 0099-9660. Consultado em 17 de setembro de 2022. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2022
- ↑ Reuters Staff (30 de setembro de 2022). «Putin says Russia has 'four new regions' as he announces annexation of Ukrainian territory». Reuters. Consultado em 17 de setembro de 2022. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2022
- ↑ Declaração conjunta de Putin e Xi projeta uma liderança mundial alternativa. Por Celso Amorim. Carta Capital, 11 de fevereiro de 2022
- ↑ «Главой провозглашенной Луганской народной республики избран Валерий Болотов» [Valeriy Bolotov é eleito líder da proclamada República Popular de Luhansk] 🔗. ТАСС (em russo). 18 de maio de 2014. Consultado em 17 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 17 de março de 2022
- ↑ „Донецкая Народная Республика" хочет объединиться с Луганской областью [A República Popular de Donetsk quer se fundir com a Região de Luhansk] gazeta.ru, 12 de março de 2014.
- ↑ Луганская Народная Республика обратилась к России с просьбой о признании её независимости [A República Popular de Lugansk pediu à Rússia que reconhecesse sua independência]. ТАСС, 11 de junho de 2014.
- ↑ «Parlamento russo aprova decreto que permite a Putin reconhecer independência de Luhansk e Donetsk». Expresso. 15 de fevereiro de 2022. Consultado em 17 de fevereiro de 2022
- ↑ a b c «Puppet States». Vocal Media. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Puppet States: A Growing Trend of Covert Occupation». ResearchGate. 1 de novembro de 2016. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «ONU condena Rússia por anexação de partes da Ucrânia». Agência Brasil. 13 de outubro de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Заявление президиума Луганского областного совета». Официальный сайт Луганского облсовета. 12 de maio de 2014. Cópia arquivada em 17 de junho de 2014
- ↑ Облсовет Луганщины готов ко всему — Росбалт.ру
- ↑ Диалог или ультиматум? | Луганский областной совет
- ↑ «Минобороны России опровергло утверждения НАТО о участии военных РФ в конфликте на Украине». ТАСС. 23 de abril de 2014. Consultado em 17 de março de 2022
- ↑ «Песков: Россия готова разъяснить любому украинцу, что не оккупирует территории Украины». ТАСС. Consultado em 17 de abril de 2019
- ↑ Líderes pró-Rússia vencem eleições em áreas separatistas no leste da Ucrânia, acesso em 17 de novembro de 2018.
- ↑ «Putin reconhece duas regiões separatistas da Ucrânia como independentes». G1. 21 de fevereiro de 2022. Consultado em 17 de fevereiro de 2022
- ↑ «Putin reconhece independência de regiões separatistas na Ucrânia e aumenta temor de conflito». BBC. Consultado em 17 de fevereiro de 2022
- ↑ Указ Президента Российской Федерации № 72 «О признании Луганской Народной Республики» от 21 февраля 2022 года
- ↑ «″A maior e mais perigosa situação″ aconteceu: a Ucrânia perdeu Lugansk». www.dn.pt. Consultado em 17 de julho de 2022





