Reelina

Reelina, codificada pelo gene RELN,[1] é uma grande glicoproteína secretada da matriz extracelular que ajuda a regular os processos de migração neuronal e posicionamento no cérebro em desenvolvimento, controlando as interações célula-célula. Além deste papel importante no desenvolvimento inicial, a reelina continua a funcionar no cérebro adulto.[2] Ela modula a plasticidade sináptica ao aumentar a indução e manutenção da potenciação de longa duração.[3][4] Também estimula o desenvolvimento de dendrites e espinhas dendríticas no hipocampo,[5][6] e regula a migração contínua de neuroblastos gerados em locais de neurogénese adulta nas zonas subventricular e zona subgranular. É encontrada não só no cérebro, mas também no fígado, tiroide, suprarrenal, trompa de Falópio, mama e em níveis comparativamente mais baixos numa variedade de regiões anatómicas.[7]

Tem sido sugerido que a reelina está implicada na patogénese de várias doenças cerebrais. A expressão da proteína tem sido encontrada significativamente mais baixa na esquizofrenia e no transtorno bipolar psicótico,[8] mas a causa desta observação permanece incerta, já que estudos mostram que a medicação psicotrópica em si afeta a expressão da reelina. Além disso, as hipóteses epigenéticas destinadas a explicar os níveis alterados de expressão da reelina[9] são controversas.[10][11] A falta total de reelina causa uma forma de lissencefalia. A reelina também pode desempenhar um papel na doença de Alzheimer,[12] epilepsia do lobo temporal e autismo.

O nome da reelina deriva da marcha descoordenada (reeling gait em inglês) de ratos reeler,[13] nos quais se descobriu mais tarde uma deficiência desta proteína cerebral e que eram homozigóticos para uma mutação do gene RELN. O principal fenótipo associado à perda da função da reelina é uma falha no posicionamento neuronal em todo o sistema nervoso central (SNC) em desenvolvimento. Os ratos heterozigóticos para o gene da reelina, embora apresentem poucos defeitos neuroanatómicos, exibem as características de endofenótipos ligadas a transtornos psicóticos.[11]

Referências

  1. «RELN gene». Genetics Home Reference. 1 de agosto de 2013. Consultado em 11 de setembro de 2022 
  2. Bosch C, Muhaisen A, Pujadas L, Soriano E, Martínez A (2016). «Reelin Exerts Structural, Biochemical and Transcriptional Regulation Over Presynaptic and Postsynaptic Elements in the Adult Hippocampus». Frontiers in Cellular Neuroscience. 10: 138. PMC 4884741Acessível livremente. PMID 27303269. doi:10.3389/fncel.2016.00138Acessível livremente 
  3. Weeber EJ, Beffert U, Jones C, Christian JM, Forster E, Sweatt JD, Herz J (outubro de 2002). «Reelin and ApoE receptors cooperate to enhance hippocampal synaptic plasticity and learning». The Journal of Biological Chemistry. 277 (42): 39944–52. PMID 12167620. doi:10.1074/jbc.M205147200Acessível livremente 
  4. D'Arcangelo G (agosto de 2005). «Apoer2: a reelin receptor to remember». Neuron. 47 (4): 471–3. PMID 16102527. doi:10.1016/j.neuron.2005.08.001Acessível livremente 
  5. Niu S, Renfro A, Quattrocchi CC, Sheldon M, D'Arcangelo G (janeiro de 2004). «Reelin promotes hippocampal dendrite development through the VLDLR/ApoER2-Dab1 pathway». Neuron. 41 (1): 71–84. PMID 14715136. doi:10.1016/S0896-6273(03)00819-5Acessível livremente 
  6. Niu S, Yabut O, D'Arcangelo G (outubro de 2008). «The Reelin signaling pathway promotes dendritic spine development in hippocampal neurons». The Journal of Neuroscience. 28 (41): 10339–48. PMC 2572775Acessível livremente. PMID 18842893. doi:10.1523/JNEUROSCI.1917-08.2008 
  7. «Tissue expression of RELN - Summary - The Human Protein Atlas». www.proteinatlas.org. Consultado em 28 de maio de 2018 
  8. Fatemi SH, Earle JA, McMenomy T (novembro de 2000). «Reduction in Reelin immunoreactivity in hippocampus of subjects with schizophrenia, bipolar disorder and major depression». Molecular Psychiatry. 5 (6): 654–63, 571. PMID 11126396. doi:10.1038/sj.mp.4000783Acessível livremente 
  9. Grayson DR, Guidotti A, Costa E (17 de janeiro de 2008). «Current Hypotheses». Schizophrenia Research Forum. schizophreniaforum.org. Consultado em 23 de agosto de 2008. Cópia arquivada em 17 de setembro de 2008 
  10. Tochigi M, Iwamoto K, Bundo M, Komori A, Sasaki T, Kato N, Kato T (março de 2008). «Methylation status of the reelin promoter region in the brain of schizophrenic patients». Biological Psychiatry. 63 (5): 530–3. PMID 17870056. doi:10.1016/j.biopsych.2007.07.003 
  11. a b Mill J, Tang T, Kaminsky Z, Khare T, Yazdanpanah S, Bouchard L, Jia P, Assadzadeh A, Flanagan J, Schumacher A, Wang SC, Petronis A (março de 2008). «Epigenomic profiling reveals DNA-methylation changes associated with major psychosis». American Journal of Human Genetics. 82 (3): 696–711. PMC 2427301Acessível livremente. PMID 18319075. doi:10.1016/j.ajhg.2008.01.008 
  12. Kovács KA (Dezembro de 2021). «Relevance of a Novel Circuit-Level Model of Episodic Memories to Alzheimer's Disease» 1 ed. International Journal of Molecular Sciences. 23: 462. PMC 8745479Acessível livremente. PMID 35008886. doi:10.3390/ijms23010462Acessível livremente 
  13. Falconer DS (janeiro de 1951). «Two new mutants, 'trembler' and 'reeler', with neurological actions in the house mouse (Mus musculus L.)» (PDF). Journal of Genetics. 50 (2): 192–201. PMID 24539699. doi:10.1007/BF02996215