Estrada Parque Comendador Antônio Cônti
Estrada Parque Comendador Antônio Cônti
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| Nome popular | • Paraty-Cunha (sentido vale) • Cunha-Paraty (sentido litoral) |
| Identificador | RJ-165 |
| Nomes anteriores | • Caminho do Falcão • Estrada Real Trecho do Caminho do Ouro |
| Tipo | Estrada de rodagem |
| Inauguração | 17 de abril de 2017 |
| Legislação | Lei n°. 7.556-2017 (RJ) |
| Extensão | 21 km |
| Orientação | Sul a Norte |
| Extremos • Sul: • Norte: |
km 575 da km 70 da |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
| Administração | DER-RJ |
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A RJ-165 é uma estrada de rodagem do Brasil e está sob a jurisdição do estado do Rio de Janeiro, conectando o litoral norte paulista e à baixada sul fluminense ao Vale do Paraíba através do município paulista de Cunha. Sua denominação oficial é Estrada Parque Comendador Antônio Cônti.[1] Em vinte-e-um quilômetros de extensão, conecta o km 575 da Via Rio-Santos (BR-101), em Paraty (RJ) ao alto da Serra da Bocaina, onde converte-se na Rodovia Vice-prefeito Salvador Pacetti (SP-171), permitindo, com mais setenta quilômetros de estrada, um acesso direto ao km 65 da Via Dutra (BR-116), em Guaratinguetá (SP).[2] Atualmente, todo o seu percurso é administrado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado fluminense (DER-RJ) e está completamente integrada à rota federal da BR-459.[3] Após a divisa de estados, a contagem dos quilômetros da SP-171 é regressiva, pois o marco zero da extensão paulista localiza-se no perímetro urbano de Guaratinguetá (conhecida popularmente apenas como “Guará”[4]).
Considerando todo o corredor rodoviário, são aproximadamente noventa-e-um quilômetros de rodagem divididos em três trechos (Guará-Cunha em 47 km, Cunha-Divisa em 23 km e Divisa-Paraty em 21 km), sendo esse último correspondente a RJ-165. Diferentemente da realidade do lado paulista, onde a via é muito desenvolvida (sendo até duplicada em algumas passagens) e segura por conta de sinalização adequada e de acostamentos para casos de emergências ao longo da viabilidade, o lado sob jurisdição fluminense é bastante precário e descuidado por parte das autoridades públicas competentes, contando em determinadas situações com a singela colaboração dos próprios cidadãos locais para limpar e reparar a via, sobretudo quando há quedas de barreiras ou crescimento da vegetação sobre a pista, que, em seus vinte-e-um quilômetros, é simples e sem acostamento.[5]
História
A história da RJ-165 está intrinsecamente relacionada com a história com a SP-171, já que trata-se de um mesmo corredor rodoviário que totaliza noventa-e-um quilômetros entre o Vale do Paraíba e o litoral brasileiro, porém com responsabilidades divididas entre os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em grande parte do seu precurso, segue o traçado da antiga Estrada Real do Caminho do Ouro (que ficara conhecido posteriormente como Caminho Velho), que ligava as lavras auríferas mineiras com o único porto liberado para a saída deste produto pela Coroa Portuguesa, até a transferência daquela para cidade do Rio de Janeiro, durante o período colonial do Brasil.
A modernização do traçado atual, entretanto, deve-se ao engenheiro Eduardo Pompéia Vasconcellos, que, em 22 de maio de 1932, realizou a primeira viagem de automóvel no trecho. Vasconcellos projetou um percurso independente que, embora utilize frações da rota histórica, foi tecnicamente otimizado para o trânsito de veículos motorizados. Ao longo do século XX, a via adquiriu profunda relevância política e estratégica. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a estrada tornou-se um flanco vital de defesa para os paulistas contra tropas federais legalistas. Foi nesse cenário que o agricultor Paulo Virgínio tornou-se um símbolo de resistência; capturado na madrugada do dia 28 de julho e torturado para revelar as posições defensivas em Cunha, ele se recusou a colaborar, pronunciando a célebre frase: “Morro, mas São Paulo vence!”, antes de ser executado. Militarmente, os paulistas saíram vitoriosos em sua tentativa de retardar o avanço legalista por ali, segurando as tropas por três meses.
Por muito tempo, o percurso da atual Estrada Antônio Cônti foi a única saída terrestre da cidade de Paraty, tendo sido recuperada em 1954, quando os dois estados entraram em acordo para a pavimentação entre os centros das cidades de Guaratinguetá e Paraty. Em 10 de fevereiro de 1958, a precariedade da estrada (que ainda era completamente de terra batida) causou o acidente com uma “jardineira” (modelo antigo de ônibus com carroceria de madeira) da Viação Santa Teresinha no Morro Grande, a cerca de dois quilômetros do centro de Cunha. O fatídico acidente serviu de apelo político para melhorar a segurança e asfaltar o quanto antes todo o corredor viário em seus noventa quilômetros de conexão viária.
O estado de São Paulo cumpriu sua parte do acordo em duas fases: em 1978, ao entregar o primeiro trecho, entre Guará e Cunha, denominando-o Rodovia Paulo Virgínio, em honra à memória do cidadão cunhense que foi morto pelas forças de Getúlio Vargas por não ter revelado o posicionamento das tropas paulistas ao longo dessa estrada de rodagem durante a Revolução Constitucionalista de 1932, onde São Paulo venceu a Batalha de Cunha por retardar o avanço das tropas fluminenses pelo alto da Serra da Bocaina e do Mar; o segundo trecho da parte paulista foi entregue em 1984, sendo denominado Rodovia Salvador Pacetti, em homenagem ao imigrante italiano que considou-se em Cunha, atuando como farmacêutico dando suporte médico à população local em um período quando havia carência por hospitais, além de ter colaborado com a prefeitura cunhense para a reorganização urbana no centro do município.
A cidade de Paraty, por sua vez, contara apenas com essa estrada de rodagem até a década de 1970, quando inicia-se a construção da Via Rio-Santos. A denominação da RJ-165 presta homenagem a um empresário, o doutor Antônio Cônti (nascido no ano de 1931), cidadão fluminense que organizou projetos e incentivou iniciativas para que o Estado do Rio pudesse cumprir sua parte do tal acordo de 1954 em 2017.[6]
Geologicamente, a rodovia serpenteia o dorso da Serra do Mar, em um terreno composto por rochas cristalinas antigas e escarpas que superam mil metros de altitude. Na região, fazendo uma fronteira natural entre os dois estados, o ponto mais alto é a Pedra da Macela com 1.840 m. Enquanto, no lado paulista, o relevo é caracterizado por vales (popularmente chamados de "mar de morros") que alimentam as bacias dos rios Paraibuna e Paraitinga, o trecho fluminense caracteriza-se por encostas íngremes voltadas para o oceano, totalmente inseridas no bioma da Mata Atlântica. Esta localização sensível, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB), resultou em décadas de embargos ambientais que impediram a pavimentação convencional. Para viabilizar a conclusão da obra, o governo fluminense adotou o uso de paralelepípedos na subida da serra, garantindo a permeabilidade do solo, a integração estética com o ambiente histórico e o controle natural de velocidade para a proteção da fauna silvestre. Atualmente, a RJ-165 faz parte da rota de fuga oficial para a evacuação da Baixada Sul-Fluminense em caso de acidentes na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localizada em Angra dos Reis.
Percurso
ANTÔNIO CÔNTI (Paraty-Cunha) | ||
| Tipo | Indicação | km |
|---|---|---|
cidade |
Centro da cidade de Paraty (Acesso direto à Avenida Roberto Silveira) |
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saída |
Acesso ao km 575 da Via Rio-Santos (BR-101) (conexão a Santos, a Ubatuba e a Angra dos Reis) |
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ponte |
Ponte sobre o rio Perequê Açu | |
templo |
Igreja de Nossa Senhora da Penha de Paraty | |
extensão |
Fim da RJ-165. Conexão direta com a Rodovia Vice-prefeito Salvador Pacetti (Limite de municípios e divisa de estados) |
SP-171 |
saída |
Acesso à estrada do Mato Limpo e ao mirante da Pedra da Macela (a 7 km) | SP-171 |
cruz |
Monumento à memória de Paulo Virgínio | SP-171 |
saída |
Acesso à estrada da Paraibuna e ao Parque estadual da Serra do Mar (a 20 km) | SP-171 |
templo |
Igreja de São José da Boa Vista de Cunha (a 500 m) | SP-171 |
saída |
Acesso à avenida Padre Rodolfo e à Santa Casa da cidade de Cunha (a 500 m) | SP-171 |
extensão |
Conexão direta com a Rodovia Paulo Virgínio | SP-171 |
saída |
Acesso à estrada da Mantiqueira, à alameda Lavapés e ao Centro da cidade de Cunha (a 700 m) | SP-171 |
ponte |
Ponte sobre o rio Paraitinga | SP-171 |
cidade |
Limite de municípios entre Cunha e Guaratinguetá | SP-171 |
saída |
Acesso à rodovia João Martins Corrêa (SP-153) (conexão a Lagoinha, a São Luiz do Paraitinga e a Ubatuba) |
SP-171 |
saída |
Acesso ao km 65 da Via Dutra (BR-116) (conexão a São Paulo, a Aparecida, a Lorena e ao Rio de Janeiro) |
SP-171 |
cidade |
Centro da cidade de Guaratinguetá (Acesso direto à avenida José Juvenal Monteiro dos Santos e à Rodovia do Santuário (BR-488)) |
SP-171 |
Ver também
Referências
- ↑ RJ-165
- ↑ DER-SP: Divisão Regional de Taubaté - Malha de Circunscrição (pág. 5)
- ↑ Ministério dos Transportes: BR-459
- ↑ GovSP: Conheça o Município Turístico de Guaratinguetá>
- ↑ Estrada Cunha-Paraty está em estado precário
- ↑ Após 25 anos de embargos ambientais, estrada-parque entre Paraty e Cunha é pavimentada
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