Pteropus scapulatus

Pteropus scapulatus

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Pteropodidae
Género: Pteropus
Espécie: P. scapulatus
Nome binomial
Pteropus scapulatus
Peters, 1862[2]
Distribuição geográfica
Área de distribuição do Pteropus scapulatus (azul — nativo, marrom — errante)
Área de distribuição do Pteropus scapulatus
(azul — nativo, marrom — errante)

O Pteropus scapulatus[1] é um morcego da família Pteropodidae nativo do norte e leste da Austrália. A espécie pesa cerca de meio quilo e é a menor do gênero Pteropus no continente australiano. O P. scapulatus vive tanto na costa quanto em áreas mais interiores, acampando e voando para regiões tropicais a temperadas que oferecem uma fonte anual de néctar. Durante períodos secos, exibe um método peculiar de obter água potável, deslizando pela superfície de riachos para coletá-la no pelo enquanto voa.

Taxonomia

A primeira descrição foi publicada por Wilhelm Peters em 1862, como uma "nova espécie de flederhund de Nova Holanda".[2] O espécime-tipo foi coletado na Península do Cabo York. Essa população dá nome ao "grupo de espécies scapulatus", conforme reconhecido por autores no final do século XX.[3]

O Pteropus scapulatus é bem conhecido e chamado por diversos nomes em inglês, como "collared flying-fox", "fruit-bat", "reddish fruit-bat" e "little reds".[4]

Descrição

Mamífero voador da família Pteropodidae, é um morcego frugívoro com cabeça simples semelhante à de um cão, frequentemente visto empoleirado em grandes grupos bem próximos. A ausência característica de cauda o distingue de outros morcegos na Austrália.[5] A asa é esticada com um antebraço medindo de 120 a 150 mm de comprimento, e o corpo, incluindo a cabeça, tem entre 125 e 200 mm. O comprimento da orelha, da ponta à base, varia de 29 a 40 mm, sendo bastante proeminente para um "morcego-raposa" australiano.[6][5] O peso varia de 300 a 600 gramas, com uma média de 450 gramas.[6]

A pelagem é marrom-avermelhada, com pelos curtos cobrindo a maior parte do corpo e mais esparsos na parte inferior das pernas. Na cabeça, o pelo varia de cinza-escuro a claro. Pelos branco-cremosos podem aparecer nos ombros, ou um trecho amarelo-pálido entre eles.[6] O patágio da asa é marrom-claro e ligeiramente translúcido durante o voo.[5][6]

O Pteropus scapulatus emite um som abrupto tipo "yap", acompanhado de guinchos, chiados e ruídos agudos variados. Assemelha-se a outras espécies australianas, mas as pernas sem pelos, a pelagem avermelhada e as asas quase transparentes o diferenciam do Pteropus poliocephalus [en] e do maior Pteropus alecto [en]. É muito semelhante ao Pteropus macrotis [en], encontrado na Ilha Boigu [en] e ao norte.[6]

Comportamento

Com a maior distribuição entre as espécies do gênero, alcançando áreas mais interiores que outras da família, o Pteropus scapulatus também se desloca amplamente para garantir comida.[7][6] Sua principal fonte alimentar vem das flores de Eucalyptus e Corymbia. A dieta inclui néctar e pólen desses eucaliptos, sendo essencial para sua polinização; os períodos irregulares de floração levam os acampamentos a buscar novas áreas.[5] O néctar de espécies de Melaleuca também é apreciado, e eles são atraídos por árvores frutíferas nativas e cultivadas.[6] Os acampamentos podem reunir dezenas de milhares de indivíduos, com registros de colônias ultrapassando cem mil.[4] Diferente de outros "morcegos-raposa" continentais, essa espécie dá à luz entre abril e maio, seis meses depois, possivelmente para evitar expor recém-nascidos ao calor intenso do verão australiano norte.[7][5]

Os acampamentos populosos e visíveis atraem predadores maiores, terrestres e aéreos. A águia-marinha Haliaeetus leucogaster captura esses morcegos em voo ao deixarem os poleiros. A cobra Morelia spilota é frequentemente vista como residente nos acampamentos, escolhendo um indivíduo do grupo aparentemente despreocupado em um galho, agarrando-o com as mandíbulas, envolvendo-o com o corpo e engolindo-o de cabeça para digeri-lo ao longo da semana seguinte. O clima árido em partes da distribuição leva a espécie a buscar água no final da tarde, atraindo crocodilos como Crocodylus johnstoni, comuns no Top End e norte do continente.[5] Um especial do National Geographic (World’s Weirdest: Flying Foxes) documenta que o Pteropus scapulatus desliza sobre a superfície dos rios ficando ao alcance de crocodilos que saltam.[8] Esses "freshies", como são chamados localmente, também se posicionam sob poleiros salientes, batendo na margem para causar pânico e colisões aéreas. A espécie é nadadora rápida e habilidosa, provavelmente uma vantagem para sobreviver e escapar da água.[5]

Acampamentos maiores se formam durante a reprodução, de outubro a novembro, reduzindo-se com a proximidade do parto, entre março e abril.[6] As fêmeas formam colônias maternais separadas à medida que a gestação avança, podendo se juntar a outras espécies de Pteropus em seus poleiros; os nascimentos ocorrem entre abril e maio após a dispersão do grupo maior. Quando o acampamento se reúne mais tarde, os filhotes formam seus próprios poleiros, unindo-se ao grupo reprodutivo na próxima temporada, quando atingem a maturidade sexual.[4]

Os locais de poleiro geralmente têm um sub-bosque úmido que proporciona um microclima temperado. Os morcegos buscam se empoleirar juntos, e seu peso combinado pode quebrar galhos ao se juntarem em uma árvore. São suscetíveis à insolação, e muitos morrem quando poleiros adequados estão indisponíveis. Perturbações humanas em acampamentos durante climas quentes podem causar a morte de milhares.[5]

Distribuição e habitat

O Pteropus scapulatus tem uma ampla distribuição no norte e leste da Austrália, ocupando regiões costeiras e subcosteiras. Seu limite oeste abrange áreas costeiras do noroeste da Austrália, até a Baía Shark, passando por zonas tropicais e subtropicais do norte e leste até Nova Gales do Sul e Victoria, sendo ocasionalmente encontrado no sudeste da Austrália Meridional.[6] Sua presença na Nova Zelândia é considerada acidental.[3] A distribuição dos membros australianos da família Pteropodidae é limitada por áreas de menor pluviosidade e clima mais temperado, estando ausente do sul e oeste do continente.[5]

Os acampamentos ficam próximos a riachos, de onde saem à noite para forragear em bosques e florestas de regiões temperadas a tropicais.[6]

Uma colônia conhecida existe nas Piscinas Termais de Mataranka [en], uma atração onde sua presença foi desencorajada devido ao odor dos acampamentos.[5] As colônias de P. scapulatus são reconhecidas como importantes para a ecologia dos bosques, sendo polinizadores-chave de árvores que fornecem néctar à noite. Os eucaliptos e outras árvores das zonas ribeirinhas da Bacia Murray-Darling são visitados em temporadas produtivas. No verão austral, colônias se juntam a diversas espécies de morcegos na paisagem urbana de Brisbane para se alimentar das flores de Corymbia intermedia. Ao longo do rio Brisbane [en], compartilham poleiros com o P. poliocephalus, destacando-se o Parque de Conservação da Ilha Indooroopilly [en], um antigo acampamento cujos ocupantes são vistos voando após o anoitecer. Também ocupam uma colônia bem estabelecida em Ipswich [en], Queensland, perto da capital do estado.[5]

Percepção pública

Pendurados em grupo unido.

Essa espécie de "morcego-raposa" se pendura de maneira diferente das outras espécies continentais. Enquanto as maiores tendem a se espaçar a um braço de distância, eles se aglomeram, podendo formar grupos de 20 ou mais em um único galho. Assim, estão associados a danos significativos à copa e aos galhos nos acampamentos onde residem. Frequentemente aparecem em grandes números (20 mil ou mais), e a área de um acampamento pode se expandir rapidamente por semanas ou meses. Seus números elevados e os danos causados os tornam pouco populares.

A presença de árvores frutíferas cultivadas pode atrair grandes grupos se os alimentos habituais escassearem, causando danos a frutas e árvores, o que os leva a serem vistos como pragas por fruticultores.[4] A percepção pública negativa se intensificou com a descoberta de três vírus zoonóticos potencialmente fatais para humanos: vírus Hendra, lyssavirus do morcego australiano [en] (ABLV) e vírus Menangle pararubulavirus [en].[9] Há poucos registros de mortes humanas por interação com morcegos, limitados a raros casos fatais de ABLV, e seus parasitas não encontram humanos como hospedeiros adequados.[5]

Conservação

Em cativeiro, empoleirados juntos no Zoológico de Wellington [en].

Nômades e difíceis de rastrear, pois evitam áreas urbanas, não há método preciso atual para estimar a população e determinar se está estável ou em declínio. A espécie provavelmente é afetada pelos mesmos fatores que ameaçam o Pteropus poliocephalus e o Pteropus conspicillatus, como a destruição de áreas de forrageamento e habitats de poleiro.[10]

Uma nova ponte perto de Noosa Heads [en] causou colisões fatais com veículos ao ser sobrevoada por indivíduos saindo de um poleiro próximo; uma placa na Ponte Monks, com a imagem do morcego, reduziu os incidentes.[5]

Referências

  1. a b Eby, P.; Roberts, B. (2016). «Pteropus scapulatus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T18758A22087637. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-1.RLTS.T18758A22087637.enAcessível livremente. Consultado em 19 de novembro de 2021 
  2. a b Peters, W. (1862). «Über einen neuen Flederhund Pteropus scapulatus, aus Neuholland». Monatsberichte der Königlichen Preussische Akademie des Wissenschaften zu Berlin. 1862: 574–576 
  3. a b Simmons, N.B. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), eds. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 344. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  4. a b c d Richards, G.C. (1983). «Sheathtail-bats Family Emballonuridae». In: Strahan, R. Complete book of Australian mammals. The national photographic index of Australian wildlife 1 ed. London: Angus & Robertson. pp. 291–293. ISBN 0207144540 
  5. a b c d e f g h i j k l m Richards, G.C.; Hall, L.S.; Parish, S. (photography) (2012). A natural history of Australian bats : working the night shift. [S.l.]: CSIRO Pub. pp. 13, 16, 24, 28, 30, 57, 66, 70, 95, 104, 105, 130, 146. ISBN 9780643103740 
  6. a b c d e f g h i j Menkhorst, P.W.; Knight, F. (2011). A field guide to the mammals of Australia 3rd ed. Melbourne: Oxford University Press. p. 142. ISBN 9780195573954 
  7. a b «Little red flying-fox». Consultado em 18 de março de 2025. Cópia arquivada em 13 de setembro de 2011 
  8. «World's Weirdest: Flying Foxes». National Geographic Video. C. 2012. Consultado em 12 de janeiro de 2013. Cópia arquivada em 9 de junho de 2012. Conheça o Pteropus scapulatus, um morcego com envergadura de até um metro e meio. Suas asas exigem muito trabalho para serem mantidas - e uma aproximação errada ao pegar uma bebida pode fazer com que esse morcego caia na boca de um crocodilo. 
  9. Speare, Rick et al. (1997), p. 117.
  10. "Little red flying-fox" acessado em 3 de julho de 2011

Leitura adicional

Ligações externas