Pintassilgo-americano
| Pintassilgo-americano | |
|---|---|
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| Macho | |
| Fêmea | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Família: | Fringillidae |
| Subfamília: | Carduelinae |
| Gênero: | Spinus |
| Espécies: | S. tristis
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| Nome binomial | |
| Spinus tristis (Linnaeus, 1758)
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| Subespécies | |
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| Sinónimos | |
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O pintassilgo-americano (Spinus tristis[3] ou Carduelis tristis), também conhecido como pintassilgo oriental ou canário selvagem, é um pequeno pássaro migratório norte-americano.[4][5]
Taxonomia
O pintassilgo americano é uma das várias espécies originalmente descritas por Linnaeus, 1758, 10ª edição da sua obra Systema Naturae.[6] Foi inicialmente incluído no género Spinus, um grupo onde se incluíam os lugres e os pintassilgos do Novo Mundo; em 1976, o género Spinus foi incluído no género Carduelis como subgénero,[7] mas atualmente é considerado um género autónomo.[3]
Os seus parentes mais próximos são o pintassilgo-capa-preta (Spinus psaltria), o pintassilgo de Lawrence (Spinus lawrencei) e os lugres. Embora partilhe o nome com os pintassilgos europeus, os dois estão em géneros diferentes e não são parentes directos.[8] A palavra latina carduelis (o nome do género dos pintassilgos europeus) deriva de carduus, que significa cardo, tristis, que é a palavra latina para triste.[9]
Subespécies
Há quatro subespécies de pintassilgo americano.
- S. t. tristis é a mais comum. No verão, encontra-se do sul do Canadá até ao Colorado e a leste até à Carolina do Sul. No inverno, ocupa uma faixa que vai do sul do Canadá à Flórida e México Central;[10]
- S. t. pallidus diferencia-se das outras subespécies por apresentar uma cor mais pálida, as marcas brancas mais visíveis e o capuz negro maior nos machos. É ligeiramente maior que o S. t. tristis. No verão, estende-se da Colúmbia Britânica ao Ontario ocidental e a oeste até ao Oregon. No inverno, abrange um território que vai do sul do Canadá e norte da California até ao México;[10]
- S. t. jewetti é o mais pequeno e escuro. Encontra-se desde a vertente ocidental da Cordilheira das Cascatas, do sul da Colúmbia Britânica à California central, coincidindo em muitos locais com o território do C. t. pallidus;[10]
- S. t. salicamans aparece a oeste da Serra Nevada no verão, e no inverno ocupa uma faixa que vai da Baja California aos desertos de Mojave e Colorado. No inverno, a plumagem de ambos os sexos é mais castanha que outras subespécies, e no verão o capuz negro dos machos é mais pequeno.[10]
Filogenia
A filogenia genética molecular (e o seu parentesco e aparição na Terra) foi estabelecida por Antonio Arnaiz-Villena et al.[11]
Características gerais

Caracteriza-se por mudar completamente de plumagem e por um acentuado dimorfismo sexual. No verão o macho tem uma plumagem amarela brilhante, para atrair as fêmeas durante a época de reprodução, e no inverno muda para uma plumagem entre verde oliva e castanha. As fêmeas têm uma plumagem amarela acastanhada mate que se torna mais brilhante no verão.
O pintassilgo americano é granívoro e está bem adaptado para o consumo de sementes, com o seu bico cónico e as suas patas ágeis para se agarrar aos caules das plantas enquanto se alimenta. É um pássaro social juntando-se em bandos para se alimentar e para migrar. Pode comportar-se territorialmente na época de construção do ninho, mas esta agressividade dura pouco tempo. A época de reprodução inicia-se em finais de Julho, altura em que há mais alimento. Tem uma ninhada por ano e geralmente é monógamo.
O seu habitat preferido são os prados. Gosta do contacto com os humanos e por isso encontra-se com frequência em áreas residenciais atraído pela comida que lhe põem.
Descrição

O pintassilgo americano é um pequeno fringilídeo que mede entre 11 e 13 cm de comprimento e com uma envergadura entre asas de 19 a 22 cm. Pesa entre 11 e 20 gramas. O bico é pequeno, cónico e rosado a maior parte do ano, mas torna-se alaranjado na muda da primavera, em ambos os sexos.[12] A forma e o tamanho do bico ajudam-no na extracção de sementes de cardos, girassóis e outras plantas que compõem o seu regime alimentar.[13]
A sua plumagem muda duas vezes, na primavera e no outono. O dimorfismo sexual que afecta a cor da plumagem é mais notório depois da muda da primavera, quando o macho se cobre de cores vivas para atrair a fêmea.[13] Cada muda é completa e não progressiva,[14] mudam todas as penas à excepção das da cauda e das asas, que são cor de azeitona ou pardas nas fêmeas e negras nos machos, com bandas brancas sempre presentes.[12] Uma vez completa a muda da primavera, o macho exibe uma plumagem amarela limão brilhante, originada pelos pigmentos carotenoides das plantas que ingere.[15] Tem um capuz negro e o ventre branco.[16] A fêmea apresenta tons amarelos sobre plumagem castanha ou cor de azeitona.[14] Depois da muda de outono a plumagem torna-se mate, com o ventre cor de camurça, o dorso castanho oliva e a cabeça amarela pálida. A plumagem de outono é parecida em ambos os sexos, mas o macho distingue-se por um babeiro amarelo.[17] Em algumas regiões os pintassilgos perdem todos os traços de amarelo durante o inverno e apresentam tons cinzento bronze ou cor de azeitona.
As crias e juvenis não têm a mesma cor dos adultos. Apresentam plumagem castanha mate na parte inferior e amarela pálida na superior, As asas e a cauda são negras com marcas cor de camurça e não brancas. A cor é igual nos dois sexos.[17]
O pintassilgo americano emite uma série de chilreios melodiosos que começam com uma nota longa. Os adultos emitem dois tipos de chamamentos para defender o ninho: um destina-se aos outros pintassilgos para o ajudarem a distrair um possível predador e outro é para prevenir e tranquilizar as crias.[18]
Referências
- ↑ BirdLife International (2016). «Spinus tristis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T22720407A94669207. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22720407A94669207.en
. Consultado em 11 de novembro de 2021
- ↑ Dwight, Jonathan Jr. (1902). «Individual, seasonal, and geographical variations of the American Goldfinch (Astragalinus tristis)» (PDF). The Auk. 19 (2): 149–164. JSTOR 4069307. doi:10.2307/4069307. Consultado em 22 de fevereiro de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 4 de março de 2016
- ↑ a b Frank Gill & David Donsker (Eds) (8 de janeiro de 2017). «Finches, euphonias» (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2017
- ↑ «American Goldfinch». eBird. Consultado em 10 de abril de 2025
- ↑ «American Goldfinch - Spinus tristis». NatureWorks. Consultado em 10 de abril de 2025
- ↑ Linnaeus, Carolus (1758). Systema Naturae (em latim). Holmiae: Laurentii Salvii. p. 320. OCLC 174638949 Acesso a 11-02-2013.
- ↑ Thirty-third Supplement to the American Ornithologists' Union Check-list of North American Birds. American Ornithologists' Union. Consultado em 14 de março de 2012
- ↑ BayScience Foundation Carduelis tristis(American Goldfinch). Consultado em 14 de março de 2012
- ↑ Ferreira, A Gomes. Dicionário Latim-Português. Porto: Porto Editora
- ↑ a b c d American Goldfinch Carduelis tristis. The birds of North America online. Consultado em 15 de março 2012.
- ↑ Zamora, J; Moscoso J, Ruiz-del-Valle V, Ernesto L, Serrano-Vela JI, Ira-Cachafeiro J, Arnaiz-Villena A (2006). «Conjoint mitochondrial phylogenetic trees for canaries Serinus spp. and goldfinches Carduelis spp. show several specific polytomies» (PDF). Ardeola. 53(1): 1–17
- ↑ a b American Goldfinch. Cornell Lab of Ornithology.
- ↑ a b E. Hayakawa American Goldfinch Arquivado em 1 de março de 2013, no Wayback Machine.. Hinterland Who's Who.
- ↑ a b K. McGraw, G. Hill, R. Parker American Goldfinch.
- ↑ K. McGraw, G. Hill, R. Parker, «The physiological costs of being colourful: nutritional control of carotenoid utilization in the American goldfinch, Carduelis tristis», em Animal Behaviour, 2005, volume 69, 653-660.
- ↑ American Goldfinch (Carduelis tristis). Michigan Department of Natural Resources.
- ↑ a b Unitt, Philip; Perretta, Nicole (Winter 2001). The American, Lawrence's, and Lesser Goldfinches.
- ↑ R. Knight, A. Temple, « Nest defence in the American Goldfinch », em Animal Behaviour, 1987, volume 34, pp 887-897.


