Pintarroxo-comum

Pintarroxo-comum
Macho com plumagem reprodutiva
Fêmea
Classificação científica edit
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Fringillidae
Subfamília: Carduelinae
Gênero: Linaria
Espécies:
L. cannabina
Nome binomial
Linaria cannabina
Sinónimos
  • Fringilla cannabina Linnaeus, 1758
  • Carduelis cannabina (Linnaeus, 1758)

Linaria cannabina[2] comummente conhecida como pintarroxo-comum[3] ou simplesmente pintarroxo[4][5] (não confundir com outras espécies que também dão por este nome comum como a Erithacus rubecula) é um pequeno pássaro granívoro, da família dos fringilídeos.

Pauta-se pela sua coloração mormente acastanhada e pelo distintivo peito avermelhado, próprio dos machos desta espécie.[4] As fêmeas e os espécimes juvenis, por seu turno, não têm a cor avermelhada no peito e apresentam uma plumagem de coloração um pouco mais esbranquiçada.[4]

Nomes comuns

Além de «pintarroxo-comum», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns: pintarroxo-europeu,[6] pintarroxo-de-bico-escuro[7] e milheiro (não confundir com a espécie Serinus serinus que também dá por este nome comum).[8]

Etimologia

Quanto ao nome científico desta espécie:

  • O nome genérico, Linaria, provém do latim, linaria, e significa «do linho; tecelão de linho; tear de linho»[9] por alusão à coloração castanho-clara desta espécie.[10]

Do que respeita ao nome comum «pintarroxo», este substantivo entra na língua portuguesa por via do castelhano medieval «pintarrojo»,[5] resultando da aglutinação dos étimos «pinta» (mancha) e «rojo» (vermelho).[15]

Descrição

O pintarroxo-comum tem um comprimento de 13 a 14 cm,[16][17][18][19][20] um peso de 15 a 20g[17][18] e uma envergadura entre asas de 21 a 25 cm.[17] O macho, em plumagem de verão, tem a cabeça cinzenta, a testa e o peito vermelhos-carmim, o dorso castanho, a garganta e o abdómen esbranquiçados.[17][19] As asas são castanhas e pretas, as rémiges primárias são pretas com as pontas brancas assim como as retrizes da cauda.[16][19] O uropígio é bege claro. Em plumagem de outono é mais acastanhado e não tem vermelho na testa e no peito.[19] O bico é cinzento e as patas são acastanhadas.[17] A fêmea, em plumagem de verão, tem as cores mais ternas do que o macho e não tem a testa e o peito vermelhos. No outono a plumagem é mais listada.[19] Os juvenis são parecidos com as fêmeas mas mais castanhos nas partes superiores e com listas escuras. As partes inferiores são bege claro com listas castanho-escuras.[19] O bico e as patas são cinzentos.[17]

Pintarroxo-macho

Distribuição

A espécie é comum na Europa, no oeste da Ásia e no norte de África. Em Portugal está distribuída por todo o território, apenas não se encontrando em algumas zonas do litoral centro e do Baixo Alentejo.[21]

Taxonomia

O pintarroxo-comum é uma das várias espécies originalmente descritas por Linnaeus, em 1758, na 10ª edição da sua obra Systema Naturae, com o nome de Fringilla cannabina.[22] O nome cannabina deriva do facto da ave gostar de sementes de cânhamo.[23] Foi inicialmente incluído no género Acanthis. Hibridiza com o verdilhão (c. chloris), com o lugre (c. spinus), com o pintarroxo-de-queixo-preto (c. flammea) e com o pintarroxo-de-bico-amarelo (c. flavirostris).[24] A subespécie c.c.guentheri era anteriormente designada por c.c.nana, as subespécies propostas c.c.taurica (Crimeia), c.c.persica (Irão) e c.c.fringillirostris (Caxemira) são consideradas como variantes da subespécie c.c.bella.[24] São reconhecidas sete subespécies.[18][24][25]

Subespécies e sua distribuição:[2][24]

Fêmea

Habitat

É uma espécie que geralmente se encontra abaixo dos 2000m de altitude, mas que pode reproduzir-se a maiores altitudes, entre os 2300 e os 3600m.[19] Frequenta habitats muito diversificados, tais como matagais, estepes, prados, pomares, jardins, parques, terrenos cultivados, florestas, clareiras das florestas, zonas de arbustos, pastagens, prados de montanha, pradarias, vales, encostas rochosas, dunas costeiras, margens de cursos de água.[19][26]

Alimentação

A sua alimentação é basicamente composta de sementes, mas também consome alguns insetos.[16][18][27] Gosta de sementes pequenas ou médias de diversas plantas herbáceas como as poligonáceas (Polygonum, Rumex), as brassicáceas (mostarda-selvagem) (sinapis arvensis), bolsa-de-pastor (Capsella bursa-pastoris)), as asteráceas (dente-de-leão, cardo, Sonchus, Anthemis, tasneirinha), de arbustos como o pilreteiro e de árvores como as bétulas.[23]

Alimenta-se no solo ou a pouca altura nos arbustos.[19][23]

Nidificação

Lugares abertos com grandes arbustos favorecem o acasalamento, pois seus ninhos são feitos geralmente em arbustos[23] não muito longe do alcance da luz do sol.

Ninho com crias

A época de reprodução dura de meados de Abril ao princípio de Agosto[18][19][20] e é constituída por 2 a 3 posturas,[17][19][20] cada uma com 4 a 6 ovos[16][17][19][20] azuis esbranquiçados com pintas escuras ou castanhas.[17][19] O ninho é construído pela fêmea, numa sebe, num arbusto ou numa árvore pequena,[19][20] em forma de taça e feito com pauzinhos, caules, raízes, líquenes, musgos e forrado com , pêlos e penugem vegetal.[16][17][19] A fêmea incuba os ovos sozinha durante 11 a 13 dias, depois de nascerem as crias são alimentadas pelos dois progenitores.[17][19][20] Os juvenis deixam o ninho ao fim de 10 a 14 dias, continuando a depender dos pais durante mais duas semanas.[19]

Comportamento

Quando não está na época do acasalamento, pode formar grandes bandos, às vezes misturados com outros pássaros da mesma família.[23]

O pintarroxo faz o seu ninho em colónias, com vários casais a utilizarem determinada zona disponível de arbustos.[28] É um pássaro parcialmente migratório, pois os pássaros mais a sul são residentes e os do norte migram para sul,[28] em bandos de 200 a 300 aves.[18]

Filogenia

A filogenia foi obtida por Antonio Arnaiz-Villena et al.[29][30][31][32]

Galeria

Referências

  1. BirdLife International (2018). «Linaria cannabina». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2018: e.T22720441A132139778. doi:10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T22720441A132139778.enAcessível livremente. Consultado em 12 de novembro de 2021 
  2. a b Gill, F & D Donsker (Eds) (8 de janeiro de 2017). «Finches, euphonias». IOC World Bird List (v 7.1) (em inglês). Consultado em 16 de fevereiro de 2017 
  3. S.A, Priberam Informática. «Pintarroxo-comum | Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 6 de maio de 2025 
  4. a b c «Pintarroxo (Linaria cannabina) – Aves de Portugal». Consultado em 6 de maio de 2025 
  5. a b S.A, Priberam Informática. «Pintarroxo | Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 6 de maio de 2025 
  6. «Fringillidae». Aves do Mundo. 26 de dezembro de 2021. Consultado em 5 de abril de 2024 
  7. Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. ISSN 1830-7809. Consultado em 5 de abril de 2024. Cópia arquivada (PDF) em 23 de abril de 2022 
  8. S.A, Priberam Informática. «Milheiro | Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 8 de maio de 2025 
  9. «Linaria». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2025 
  10. Jobling, James A. (2010). The Helm dictionary of scientific bird names [electronic resource] : from aalge to zusii. [S.l.]: London : Christopher Helm. p. 227. ISBN 978-1-4081-2501-4. Consultado em 6 de maio de 2025 
  11. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «Cannabina | ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2025 
  12. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «cannăbĭnus | ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2025 
  13. Birdwatchingalentejo Pintarroxo. Acesso a 12-02-2013.
  14. «Mūrīnus - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». www.online-latin-dictionary.com. Consultado em 26 de maio de 2022 
  15. Moyna, Maria Irene (2000). COMPOUNDING IN SPANISH: PATTERNS AND CHANGES (PDF). Ann Arbor, Mi: University of Florida. p. 330. 480 páginas 
  16. a b c d e Infopédia Pintarroxo-comum. Porto: Porto Editora, 2003-2013. Acesso a 12-02-2013.
  17. a b c d e f g h i j k Garden-birds Linnet. Acesso a 12-02-2013.
  18. a b c d e f Oiseaux.net Linotte-melodieuse. Acesso a 12-02-2013.
  19. a b c d e f g h i j k l m n o p q Oiseaux-birds.com Linotte-melodieuse. Acesso a 14-02-2013.
  20. a b c d e f ARKive Linnet Arquivado em 3 de março de 2014, no Wayback Machine. Acesso a 12-02-2013.
  21. Aves de Portugal Pintarroxo. Acesso a 12-02-2013.
  22. Linnaeus, Carolus (1758). Systema Naturae (em latim). Holmiae: Laurentii Salvii. p. 322. OCLC 174638949  Acesso a 11-02-2013.
  23. a b c d e Birdwatchingalentejo Pintarroxo. Acesso a 12-02-2013.
  24. a b c d The Internet Bird Collection Linnet. Acesso a 12-02-2013.
  25. Avibase Pintarroxo-comum Acesso a 11-02-2013.
  26. Zipcodezoo.com carduelis cannabina. Acesso a 14-02-2013.
  27. The Royal Society for the Protection of Birds Linnet. Acesso a 14-02-2013.
  28. a b Birdguides Linnet Arquivado em 9 de julho de 2014, no Wayback Machine.. Acesso a 12-02-2013.
  29. Arnaiz-Villena, Antonio; Alvarez-Tejado M., Ruiz-del-Valle V., García-de-la-Torre C., Varela P, Recio M. J., Ferre S., Martinez-Laso J. (1998). «Phylogeny and rapid Northern and Southern Hemisphere speciation of goldfinches during the Miocene and Pliocene Epochs» (PDF). Cell.Mol.Life.Sci. 54(9): 1031–41 
  30. Arnaiz-Villena, A.; Ruiz-del-Valle, V.; Moscoso, J.; Serrano-Vela, J. I.; Zamora, J. (2007). «mtDNA phylogeny of North American Carduelis pinus group» (PDF). Ardeola. 54 (1): 1–14 
  31. Arnaiz-Villena, A; Gómez-Prieto P, Ruiz-de-Valle V (2009). «Phylogeography of finches and sparrows». Nova Science Publishers. ISBN 978-1-60741-844--3. Consultado em 23 de fevereiro de 2013. Arquivado do original em 3 de novembro de 2013 
  32. Arnaiz-Villena, A; Areces C, Rey D, Enríquez-de-Salamanca M, Alonso-Rubio J and Ruiz-del-Valle V (2012). «Three Different North American Siskin/Goldfinch Evolutionary Radiations (Genus Carduelis): Pine Siskin Green Morphs and European Siskins in America» (PDF). The Open Ornithology Journal. 5: 73–81. doi:10.2174/1874453201205010073. Consultado em 23 de fevereiro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 21 de setembro de 2013 

Ligações externas

Fotos

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