Picanço-boreal

Picanço-boreal

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Laniidae
Gênero: Lanius
Espécie: L. borealis
Nome binomial
Lanius borealis
Vieillot, 1808
Distribuição geográfica

O picanço-boreal ou picanço-real-americano (Lanius borealis)[2][3][4] é uma ave canora de grande porte da família Laniidae, nativa da América do Norte e da Sibéria. Considerado uma subespécie do picanço-real-nortenho [en] (Lanius excubitor) por muito tempo, foi elevado a espécie distinta em 2017. São reconhecidas seis subespécies.

Taxonomia

O picanço-boreal foi descrito formalmente pelo ornitólogo francês Louis Pierre Vieillot em 1808 sob o nome binomial Lanius borealis.[2][3] No século XIX, ornitólogos norte-americanos consideravam-no uma espécie distinta do picanço-real-nortenho, enquanto autoridades europeias os tratavam como a mesma espécie. Em 1930, o ornitólogo norte-americano Alden H. Miller investigou diferenças entre populações da Sibéria e do Alasca e não encontrou distinções consistentes, recomendando reuni-los em Lanius excubitor.[5]

Na América do Norte, esta espécie e o picanço-americano, com o qual está relacionado, são comumente conhecidos como “pássaros-açougueiros” (em inglês: butcherbirds) devido ao seu hábito de empalar as presas em espinhos ou pontas.[6] Um nome popular em Michigan é winter butcherbird (em inglês).[7] O povo da Primeira Nação Vuntut Gwitchin [en] de Old Crow, Yukon, chama-o de Tzi kwut go katshi lyi.[8] Como passeriforme, ou pássaro canoro, não tem garras. Tem o bico curvo de uma ave de rapina.

Um estudo de DNA mitocondrial de 2010 revelou que o picanço-boreal é mais próximo do picanço-real (Lanius meridionalis), do picanço-real-das-estepes [en] (Lanius pallidirostris) e que os três formam um clado com o picanço-chinês e o picanço-americano.[9]

Subespécies

Grupo euro-asiático oriental

  • Lanius borealis sibiricus – leste da Sibéria até o norte da Mongólia[10]
Mais acastanhado no dorso que excubitor, com faixas delicadas no ventre. Pouco branco na base das asas primárias.
Menor e mais pálido que sibiricus, faixas no ventre pálidas e pouco nítidas. Pouco branco na base das asas primárias.
Mais acastanhado que sibiricus no dorso, faixas no ventre bem marcadas. Pouco branco na base das asas primárias.
Grande; dorso bastante escuro e acastanhado, ventre cinzento-azulado com faixas quase pretas. Pouco branco na base das asas primárias.

Grupo norte-americano

Parecido com excubitor, mas mais escuro e com faixas tênues no ventre. John James Audubon chamou esta subespécie de great American shrike em The Birds of America.
Maior e mais pálido que borealis, semelhante a homeyeri em relação a excubitor.
Picanço-boreal invernante no Pântano de Scarborough [en] (condado de Cumberland, Maine, Estados Unidos)

Descrição

O picanço-boreal distingue-se do picanço-americano pelo maior porte, plumagem cinzenta mais clara e máscara preta maior que cobre completamente o olho. O bico é mais longo e apresenta gancho mais pronunciado. As vocalizações são semelhantes.[11]

Medidas:[12]

  • Comprimento: 23–24 cm
  • Peso: 56–79 g
  • Envergadura: 30–35 cm

Distribuição e habitat

Reproduz-se na taiga e tundra desde Labrador até o oeste do Alasca (incluindo algumas ilhas Aleutas) e até o oeste da Sibéria, chegando ao extremo noroeste da China, norte da Mongólia e baía de James. Nidifica em bordas de floresta onde existam árvores ou arbustos adequados, usando abeto-branco, Picea mariana, Salix alaxensis [en] e Populus. O limite norte da área de reprodução é definido pela presença de salgueiros arbustivos de 1–2 m de altura.[13]

Os picanços-boreais são irruptivos no inverno. Alguns permanecem na área de reprodução o ano todo, mas a maioria migra para sul dependendo da severidade do inverno, da disponibilidade de alimento e da competição com outros picanços. Chegam ao nordeste da China e ao Japão na Ásia e, de forma irregular, até o Novo México, Kansas, Illinois, Ohio, Pensilvânia e Nova Jérsia. Nos terrenos de invernada preferem áreas abertas, incluindo bordas de floresta, pradarias, terras agrícolas, savanas e pântanos costeiros.[13]

Observações em Idaho sugerem que territórios de invernada adequados são disputados, pois indivíduos mortos eram rapidamente substituídos.[14]

Alimentação

Os picanços-boreais costumam empoleirar-se em postes altos e ramos para observar presas. Alimentam-se de artrópodes como aranhas, besouros, percevejos e gafanhotos, além de pequenos vertebrados. Entre as presas identificadas estão aves passeriformes como calhandra-cornuda, chapim-de-cabeça-preta, estorninho-malhado, tico-tico-de-peito-cinzento, tico-tico-coroado [en], junco-comum [en], pintassilgo-pinheiro e pardal-doméstico; pequenos mamíferos como Sorex vagrans, Reithrodontomys megalotis [en], espécies de Peromyscus, Microtus longicaudus [en], Microtus pennsylvanicus [en] e Mus musculus; e répteis como lagartos do gênero Sceloporus [en]. Já foram observados caçando tentilhões e pardais em comedouros.[6] São conhecidos por atrair pequenas aves imitando seus cantos.[15]

Referências

  1. BirdLife International (2017). «Lanius borealis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T103718956A118775235.enAcessível livremente. Consultado em 19 de novembro de 2021 
  2. a b Mayr, Ernst; Greenway, James C. Jr, eds. (1960). Check-list of Birds of the World (em inglês). 9. Cambridge, Massachusetts: Museum of Comparative Zoology. p. 335 
  3. a b Vieillot, Louis Pierre (1808). Histoire naturelle des oiseaux de l'Amérique Septentrionale (em francês). 1. Paris: Desray. p. 80, plate 50 
  4. «Picanço-real-americano (Lanius borealis)». iNaturalist. Consultado em 3 de janeiro de 2026 
  5. Miller, Alden H. (1930). «The status of Lanius borealis as a species» (PDF). Condor (em inglês). 32: 163–64. JSTOR 1363449. doi:10.2307/1363449. Cópia arquivada (PDF) em 21 de fevereiro de 2020 
  6. a b Atkinson, Eric C.; Cade, Tom J. (1993). «Winter foraging and diet composition of Northern Shrikes in Idaho» (PDF). Condor (em inglês). 95 (3): 528–35. JSTOR 1369596. doi:10.2307/1369596. Cópia arquivada (PDF) em 19 de fevereiro de 2020 
  7. McAtee, W. L. (1951). «Bird names connected with weather, seasons, and hours». American Speech (em inglês). 26 (4): 268–278. JSTOR 453005. doi:10.2307/453005 
  8. McAtee, W. L. (1951). «Bird names connected with weather, seasons, and hours». American Speech (em inglês). 26 (4): 268–278. JSTOR 453005. doi:10.2307/453005 
  9. Olsson, Urban; Alström, Per; Svensson, Lars; Aliabadian, Mansour; Sundberg, Per (2010). «The Lanius excubitor (Aves, Passeriformes) conundrum—Taxonomic dilemma when molecular and non-molecular data tell different stories» (PDF). Molecular Phylogenetics and Evolution (em inglês). 55 (2): 347–357. Bibcode:2010MolPE..55..347O. PMID 19925872. doi:10.1016/j.ympev.2009.11.010 
  10. a b c d e f «Lanius borealis (Picanço-boreal) - Avibase». avibase.bsc-eoc.org. Consultado em 5 de dezembro de 2025 
  11. Dunn, Jon Lloyd; Alderfer, Jonathan K. (2006). National Geographic Field Guide to the Birds of North America (em inglês). [S.l.]: National Geographic Books. p. 312. ISBN 978-0-7922-5314-3 
  12. «Northern Shrike Identification, All About Birds, Cornell Lab of Ornithology». www.allaboutbirds.org (em inglês). Consultado em 27 de setembro de 2020 
  13. a b Paruk, J. D., T. J. Cade, E. C. Atkinson, P. Pyle, and M. A. Patten (2020). Northern Shrike (Lanius borealis), version 1.0. In Birds of the World (S. M. Billerman, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.norshr4.01
  14. Atkinson, Eric C. (1993). «Winter territories and night roosts of Northern Shrikes in Idaho» (PDF). Condor (em inglês). 95 (3): 528–35. JSTOR 1369595. doi:10.2307/1369595. Cópia arquivada (PDF) em 21 de fevereiro de 2020 
  15. Atkinson, Eric C. (1997). «Singing for Your Supper: Acoustical Luring of Avian Prey by Northern Shrikes». Oxford University Press (OUP). The Condor (em inglês). 99 (1): 203–206. ISSN 0010-5422. JSTOR 1370239. doi:10.2307/1370239Acessível livremente 

Ligações externas