Sorex vagrans

Sorex vagrans[1]

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Eulipotyphla
Família: Soricidae
Gênero: Sorex
Espécie: S. vagrans
Nome binomial
Sorex vagrans
Baird, 1857
Distribuição geográfica
Área de distribuição de Sorex vagrans
Área de distribuição de Sorex vagrans

Sorex vagrans,[1] conhecido em inglês como wandering shrew, é um musaranho norte-americano de porte médio. No passado, Sorex monticolus [en] e Sorex orizabae [en] foram considerados da mesma espécie.

Distribuição e habitat

Sorex vagrans ocorre em áreas abertas e florestadas do oeste do Canadá e dos Estados Unidos a oeste da Divisória Continental da América do Norte.[3] No Canadá, é encontrado no sul da Colúmbia Britânica (incluindo a Ilha Vancouver) e, a leste, até o extremo sudoeste de Alberta. Nos Estados Unidos, está presente na maior parte de Washington, Oregon e Idaho, e ao sul até o centro da Califórnia, norte e centro de Nevada, norte de Utah e oeste de Montana e Wyoming.[4]

Prefere pastagens e prados úmidos, desde a tundra alpina até áreas pantanosas, sendo frequentemente encontrado próximo a rios ou outros corpos d’água. Também ocorre em florestas abertas de coníferas, mas raramente em matas densas. Por utilizar troncos caídos como abrigo, prefere locais com quantidade moderada de madeira morta[4] e pode selecionar solos mais ácidos que outras espécies simpátricas de musaranhos.[5] Uma subespécie vive exclusivamente em sapais.[6]

São reconhecidas três subespécies:[4]

  • Sorex vagrans halicoetes – sapais do centro da Califórnia
  • Sorex vagrans paludivagus – costa central da Califórnia
  • Sorex vagrans vagrans – restante da área de distribuição

Fósseis do Pleistoceno atribuídos à espécie foram encontrados em Arkansas, Novo México e Texas, embora possam pertencer a espécies próximas, como S. monticolus ou S. pacificus [en].[7]

Descrição

O dorso é geralmente castanho-avermelhado com ventre branco ou acinzentado, embora populações costeiras possam ser quase pretas no dorso. A cauda longa é por vezes mais clara na face inferior, especialmente nos filhotes. Embora semelhante a outros musaranhos da mesma região, distingue-se de Sorex monticolus pelo menor tamanho e cauda mais curta e por possuir menos almofadas de fricção nos pés posteriores. Diferencia-se de S. trowbridgii [en] principalmente pelos detalhes do crânio, embora este último tenha, nos adultos, a face inferior da cauda nitidamente mais clara.[4]

No inverno, o pelo torna-se castanho-escuro.[3] A muda de outono ocorre entre setembro e outubro, começando na garupa e avançando para a frente, e, separadamente, do focinho para trás. A muda da primavera é muito mais variável, podendo indivíduos com pelagem de verão e de inverno conviver durante vários meses na primavera e início do verão.[4]

O comprimento total do corpo é cerca de 10 centímetros, incluindo a cauda de 4 centímetros. O peso dos adultos varia de 4 a 8 gramas, sendo os machos ligeiramente maiores que as fêmeas.[3][4] A taxa metabólica basal é de 5,4 ml O2/g/h,[8] sem evidência de torpor no inverno.[4]

Às vezes, são chamados em inglês de wandering shrews.[9]

Comportamento

Alimenta-se principalmente de minhocas, aranhas, insetos e outros pequenos invertebrados, consumindo ocasionalmente material vegetal. Devido ao elevado metabolismo, pode ingerir mais de 160% do seu peso corporal em alimento por dia. Seus principais predadores são corujas e, ocasionalmente, linces-pardos.[4]

É ativo durante todo o dia, em períodos de 5 a 10 minutos seguidos de repouso. Passa mais tempo forrageando à noite do que durante o dia. Fora da estação reprodutiva, é solitário e defende territórios de cerca de 1.000 m² com guinchos e pequenas investidas, embora lutas físicas sejam raras. Na primavera, os territórios dos machos tornam-se muito maiores.[5]

Durante a maior parte do ano constrói ninhos rasos em forma de taça, com até 8 cm de diâmetro, feitos de vegetação e pelos de animais. No inverno, cobre-os com um domo para proteção. As fêmeas constroem ninhos abobadados maiores durante a época de reprodução, que podem atingir 24 cm de diâmetro e 6 cm de altura.[4] Sorex vagrans utiliza ecolocalização para se orientar em locais desconhecidos, embora provavelmente não consiga localizar presas com ela.[10]

Reprodução

A reprodução ocorre principalmente entre abril e junho, podendo haver nascimentos desde fevereiro até setembro. A gestação dura 20 dias e resulta em ninhadas de 2 a 8 filhotes.[6] Uma fêmea pode ter até três ninhadas por ano.[4] Os filhotes nascem sem pelos e cegos, pesando menos de 0,5 g. Crescem rapidamente: desenvolvem pelos aos 14 dias, abrem os olhos aos 21 dias e são desmamados entre 16 e 25 dias de idade.[6]

A esperança média de vida é de pouco mais de seis meses, embora alguns atinjam dois anos de idade.[4]

Referências

  1. a b Hutterer, R. (2005). Wilson, D. E.; Reeder, D. M, eds. Mammal Species of the World 3rd ed. [S.l.]: Johns Hopkins University Press. 299 páginas. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  2. Matson, J.; Woodman, N.; Reid, F. (2017) [errata version of 2016 assessment]. «Sorex vagrans». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T41425A22315655.enAcessível livremente 
  3. a b c Burt, William H. (1976). A Field Guide to Mammals: North America north of Mexico. New York, NY: Houghton Mifflin Company. pp. 3. ISBN 0-395-24082-4 
  4. a b c d e f g h i j k Gillihan, S.W.; Foresman, K.R. (2004). «Sorex vagrans». Mammalian Species. 744: Number 744: pp. 1–5. doi:10.1644/1545-1410(2004)744<0001:SV>2.0.CO;2 
  5. a b Hawes, M.L. (1977). «Home range, territoriality, and ecological separation in sympatric shrews, Sorex vagrans and Sorex obscurus». Journal of Mammalogy. 58 (3): 354–367. JSTOR 1379334. doi:10.2307/1379334 
  6. a b c Johnston, R.F.; Rudd, R.L. (1957). «Breeding of the salt marsh shrew». Journal of Mammalogy. 38 (2): 157–163. JSTOR 1376305. doi:10.2307/1376305 
  7. George, S.B. (1988). «Systematics, historical biogeography, and evolution of the genus Sorex». Journal of Mammalogy. 69 (3): 443–461. JSTOR 1381337. doi:10.2307/1381337 
  8. Tomasi, T.E. (1985). «Basal metabolic rates and thermoregulatory abilities in four small mammals». Canadian Journal of Zoology. 63 (11): 2534–2537. Bibcode:1985CaJZ...63.2534T. doi:10.1139/z85-376 
  9. «Sorex vagrans». North American Mammals. Consultado em 29 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2014 
  10. Buchler, E.R. (novembro de 1976). «The use of echolocation by the wandering shrew (Sorex vagrans)». Animal Behaviour. 24 (4): 858–873. doi:10.1016/S0003-3472(76)80016-4