Picada de aranha

Picada de aranha
Quelíceras de uma aranha Aname atra
EspecialidadeMedicina de urgência
SintomasPicada de viúva negra: dor, sudorese, espasmos musculares, dor de cabeça, vômito[1]
Picada de aranha-marrom: dor, necrose e lesão do tecido cutâneo, destruição dos glóbulos vermelhos[1]
CausasAranhas[1]
Método de diagnósticoCom base nos sintomas[1]
Condições semelhantesSARM infecções cutâneas, picada de inseto, uso de drogas injetáveis[2]
PrevençãoLimpeza de entulhos, inseticidas[1][3]
TratamentoCuidados paliativos (AINEs, anti-histamínicos)[4]
FrequênciaIncerto[5]
MortesRaro[1][6]
Classificação e recursos externos
CID-11NE61
DiseasesDB12299
eMedicine772484
MeSHD001098
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Picada de aranha é uma lesão resultante da picada de uma aranha.[2] A maioria das aranhas não causa picadas de relevância médica, pois suas presas não conseguem penetrar a pele humana.[1][2] Na maioria das vezes, os sintomas são leves e limitados à área da picada.[1] O início dos sintomas pode ocorrer entre 30 minutos e 7 dias após a mordida.[5] Entre 2017 e 2021, o Brasil registrou 92 óbitos decorrentes de picadas de aranhas.[7][6][2]

Entre as picadas de aranhas de maior relevância médica estão as das viúvas-negras e das aranhas-marrom.[1] A picadas de viúvas-negras podem resultar latrodectismo, caracterizado por dor localizada ou generalizada, sudorese, espasmos musculares, cefaleia e vômitos.[1] As picadas de aranhas‑marrom podem levar ao loxoscelismo, que começa com dor leve e vermelhidão, podendo evoluir para necrose e destruição do tecido cutâneo.[1] Também podem ocorrer cefaleia, vômitos, febre e destruição de glóbulos vermelhos.[1] Outras picadas de importância médica incluem as da aranha-teia-de-funil-de-Sydney e da aranha‑errante sul‑americana.[1] O diagnóstico geralmente é baseado nos sintomas e na identificação correta da aranha.[1]

A prevenção inclui limpar entulhos e utilizar inseticidas.[1][3] A maioria das picadas é tratada com cuidados paliativos, como o uso de AINEs para dor e anti-histamínicos e cremes com corticoides para coceira.[4][2] Opioides podem ser utilizados se a dor for intensa.[4] Embora exista um antiveneno para o veneno das viúvas-negras, ele pode causar anafilaxia e, por isso, não é amplamente usado nos Estados Unidos.[4] O antiveneno para o veneno da aranha‑teia‑de‑funil melhora os desfechos clínicos.[1] Em alguns casos de picadas de aranhas‑marrom, pode ser necessária cirurgia para reparar a área de pele lesionada.[4]

Relatos de picadas de aranha são comuns.[6] No entanto, podem estar sendo superdiagnosticados ou diagnosticados incorretamente.[1] Em muitos casos relatados, não está claro se realmente ocorreu uma picada.[8] Na Idade Média, uma condição caracterizada por danças frenéticas, chamadatarantismo, era atribuída a picadas de aranhas.[9] Embora necrose seja atribuída a diversas espécies, as evidências confirmam esse quadro apenas em picadas de aranhas‑marrom.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Isbister, GK; Fan, HW (15 de julho 2011). «Spider bite.». Lancet. 378 (9808): 2039–47. PMID 21762981. doi:10.1016/s0140-6736(10)62230-1 
  2. a b c d e BARISH, R. A.; ARNOLD, T. «Spider Bites - Injuries; Poisoning». MSD Manual Professional Edition (em inglês). Consultado em 1 de agosto de 2022 
  3. a b «Venomous Spiders: Recommendations for Employers & Workers | NIOSH | CDC». www.cdc.gov (em inglês). 15 de setembro de 2021. Consultado em 1 de agosto de 2022. Arquivado do original em 12 de maio de 2022 
  4. a b c d e Kang, JK; Bhate, C; Schwartz, RA (Setembro de 2014). «Spiders in dermatology.» (PDF). Seminars in Cutaneous Medicine and Surgery. 33 (3): 123–27. PMID 25577851. doi:10.12788/j.sder.0107. Consultado em 24 de março de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 14 de fevereiro de 2015 
  5. a b Diaz, JH; Leblanc, KE (15 de março de 2007). «Common spider bites.». American family physician. 75 (6): 869-73. PMID 17390599 
  6. a b c Braitberg, George (2009). «spider bites: Assessment and management» (PDF). Australian Family Physician. 38 (11): 862–67. PMID 19893831. Consultado em 24 de março de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 1 de novembro de 2013 
  7. «Boletim Epidemiológico: Panorama dos acidentes causados por aranhas no Brasil, de 2017 a 2021». Ministério da Saúde. 53 (31). 19 de agosto de 2022. Consultado em 29 de julho de 2025 
  8. Stuber, Marielle; Nentwig, Wolfgang (2016). «How informative are case studies of spider bites in the medical literature?». Toxicon. 114: 40–44. PMID 26923161. doi:10.1016/j.toxicon.2016.02.023 
  9. Donaldson, LJ; Cavanagh, J; Rankin, J (julho de 1997). «The dancing plague: a public health conundrum.». Public Health. 111 (4): 201–04. PMID 9242030. doi:10.1016/s0033-3506(97)00034-6