Pequena Havana

Pequena Havana
O busto do General Máximo Gómez no famoso Parque Dominó na Calle Ocho de Pequena Havana.
O busto do General Máximo Gómez no famoso Parque Dominó na Calle Ocho de Pequena Havana.
O busto do General Máximo Gómez no famoso Parque Dominó na Calle Ocho de Pequena Havana.
Bandeira de Pequena Havana
Localização
País  Estados Unidos

Pequena Havana (em castelhano: Pequeña Habana; em inglês: Little Havana) é um bairro de Miami, na Flórida, nos Estados Unidos. Localizado no Condado de Miami-Dade, é o lar de um grande número de imigrantes cubanos exilados da Revolução Cubana, que começaram a chegar na década de 1960. Faz fronteira com o rio Miami, a I-95 e o distrito Brickell.[1]

Além dos muitos cubanos imigrantes residentes, é também povoado por muitos moradores da América Central e do Sul. O bairro foi batizado em homenagem a Havana, a capital e maior cidade de Cuba. Hoje, Pequena Havana é uma atração cultural para a comunidade cubana nos Estados Unidos, onde o estilo de vida de seu país natal é recriado. As principais lojas estão localizadas na Oitava Rua, que tem sua própria Calçada da Fama com estrelas como Celia Cruz, Willy Chirino e Gloria Estefan, entre outros artistas cubanos exilados.[2]

Generalidades

Pequena Havana é o bairro mais conhecido para exilados cubanos no mundo.[3][4] Caracteriza-se pela sua vida nas ruas, com galerias de arte e restaurantes latino-americanos.[5] Os quiosques das cafeterias vendem café cubano e tabacarias atendem clientes que fumam charutos.[6] É comum encontrar homens vestidos com a camisa típica caribenha guayabera como se estivessem em Havana.[6] A Pequena Havana também é conhecida por sua arte de rua e pela bebida Guarapo, um caldo de cana similar à garapa brasileira.[7] O bairro gira em torno da Rua Oito (SW 8th Street), conhecida pelo seu nome em espanhol Calle Ocho, onde a cultura cubana sobrevive em uma atmosfera nostálgica de música, culinária, café e charutos cubanos. Nessa mesma rua encontra-se o Hall da Fama com as estrelas cubanas mais conhecidas.[7]

Na altura da Avenida 15 da Calle Ocho fica o Parque Máximo Gómez, que possui o busto do general herói da independência, o Generalíssimo Máximo Gómez, mas que é apelidado de Parque Dominó pelos habitantes locais; que o usam para o jogo homônimo, além de xadrez ou damas, principalmente por idosos.[8][9][10] Estes cubanos de idade avançada são conhecidos por suas fortes opiniões anti-Castro, e passam o dia discutindo sobre o passado e o futuro de Cuba.[6][7]

A Rua Oito também abriga o Parque da Memória Cubana, que contém inúmeras esculturas, estátuas e monumentos que homenageiam a comunidade cubana de Miami, como o busto do herói nacional José Martí e o Monumento à Baía dos Porcos, que serve de memorial aos cubanos exilados que morreram em combate no desembarque de 1961.[11][12] O histórico Teatro Torre exibia filmes independentes e antigos, enquanto as casas noturnas da região oferecem música latina ao vivo e outras atividades culturais. Em 2024, foi decidido que o espaço apenas hospedaria eventos.[13] Outro museu do bairro é o Museu Americano da Diáspora Cubana.[14][15]

A gastronomia cubana é um dos maiores atrativos turísticos do bairro, com comida típica tal como o sanduíche cubano e seus doces. Entre os pratos tradicionais está o ropa vieja, que é feito à base de carne desfiada, arroz com feijão e tostones, como são chamadas as bananas fritas em Cuba.[16] Os três restaurantes mais populares são o Versailles Restaurant, considerado o “palácio da comida cubana”, o La Carreta e o El Exquisito, que servem pratos clássicos cubanos, são conhecidos pelos garçons gentis e são pontos de encontro populares entre os turistas.[16] Muitos bares e restaurantes oferecem noites de salsa, e existem eventos culturiais, tal como o Festival Calle Ocho.[16]

Demografia

Homens idosos cubanos jogando dominó no Parque Máximo Gómez. O dominó é um jogo popular na cultura cubana, e o parque é conhecido pelos muitos jogadores de dominó que ali se encontram diariamente.

Pequena Havana tem uma população de aproximadamente 90.000 habitantes, em sua maioria latino-americanos, com maior presença de cubanos, seguidos de colombianos, dominicanos e nicaraguenses.[1] Nos primeiros 15 anos após a revolução, meio milhão de cubanos chegaram a Miami. Alguns eram capangas de Fulgencio Batista, fugindo da vingança revolucionária, mas a grande maioria eram empresários e profissionais liberais cujas propriedades estavam ameaçadas de confisco durante a coletivização ou que não queriam viver sob o comunismo.[8] Os exilados receberam generosa ajuda federal do Governo dos Estados Unidos visando a sua assimilação. Uma pequena minoria se envolveu em atos de violência, notadamente no atentado terrorista contra um avião civil cubano sobre Barbados, que matou 73 pessoas em 1976.[8]

A comunidade também possui grande peso político, com três dos quatro distritos eleitorais de Miami ocupados por republicanos cubano-americanos. Uma das cadeiras do Senado da Flórida foi ocupada pelo democrata Robert Menendez, que foi senador por Nova Jersey; que contava com cerca de 85.000 cubano-americanos.[8]

Pessoas notáveis

Nome Nome de batismo Profissão Notas Ref.
Pitbull Armando Christian Pérez Cantor Nomeado Prefeito Honorário de Pequena Havana. [17]

Referências

  1. a b Cubanet (22 de outubro de 2022). «La Pequeña Habana, el corazón de la diáspora cubana». Cubanet (em espanhol). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  2. Vallenilla, Isaac (15 de dezembro de 2022). «La Calle Ocho, la más colorida y llena de sabor de Miami». Nuestro Stories (em espanhol). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  3. Rosell, Rosi (28 de dezembro de 2018). «Let's Unite Our Efforts To Enrich Our Little Havana Now And Forever». Calle Ocho News (em inglês). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  4. Dichtchekenian, Patrícia (10 de março de 2015). «As cores de Little Havana: conheça principal bairro cubano na Flórida para além do estigma». Opera Mundi. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  5. Senra, Ricardo (26 de outubro de 2020). «Little Havana: o ponto de encontro entre o 'Vai para Cuba' e o 'Vai para Miami' nos EUA». BBC News Brasil. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  6. a b c Barelli, Suzana (20 de outubro de 1997). «Cubanos reconstroem hábitos na cidade». Folha de S.Paulo. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  7. a b c Mancebo, Ivanka Garcia. «Little Havana - O bairro mais singular de Miami». Dicas de Miami. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  8. a b c d Redação (24 de março de 2012). «The Miami mirror; Cuban-Americans». The Economist (em inglês). 402 (8777): 10. Consultado em 13 de agosto de 2025 
  9. «Parque dominó». Greater Miami & Miami Beach (em espanhol). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  10. Whaley, Mirtha; Paul-Ward, Amy (2011). «Keeping Close to Home: The Ritual of Domino Playing Among Older Cuban Immigrants in Miami?s ?Little Havana?». Generations: Journal of the American Society on Aging. 35 (3): 22–27. ISSN 0738-7806. Consultado em 13 de agosto de 2025 
  11. «Cuban Memorial Plaza». Miami Government (em inglês). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  12. «Little Havana». Florida Weekender (em inglês). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  13. Rivero, Daniel (16 de outubro de 2024). «Tower Theater is gone for good, frustrating supporters. City of Miami now uses space for 'events'». WLRN (em inglês). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  14. Paz, Luis de la (18 de novembro de 2016). «El Museo de la Diáspora Cubana ya tiene casa en Miami». El Nuevo Herald (em espanhol). Consultado em 4 de outubro de 2025 
  15. Rosell, Rosi (27 de novembro de 2019). «El Museo Americano De La Diáspora Cubana Es Un Museo Cultural». Calle Ocho News (em espanhol). Consultado em 4 de outubro de 2025 
  16. a b c Maia, Alice (4 de outubro de 2024). «Little Havana: história, restaurantes e o que fazer no bairro cubano de Miami». Viagem Florida. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  17. PitbullUpdates (1 de dezembro de 2018). «Pitbull Named Honorary Mayor of Little Havana, Miami». Pitbull Updates - A Pitbull Fan Website (em inglês). Consultado em 13 de agosto de 2025 

Ligações externas