Pedro de Alcáçova Carneiro
| Pedro de Alcáçova Carneiro | |
|---|---|
| 1.º Conde de Idanha-a-Nova | |
![]() Pedro de Alcáçova Carneiro, 1º Conde da Idanha | |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 29 de junho de 1515 Lisboa, Reino de Portugal |
| Morte | 12 de maio de 1593 (77 anos) |
| Pai | António Carneiro, Donatário da Ilha do Príncipe |
| Mãe | D. Brites de Alcáçova |
| Título(s) | Comendador de Idanha-a-Nova, Dom |
| Ocupação | Estadista, Vedor da Fazenda, Escritor, Alcaide |
| Filho(s) |
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| Filha(s) |
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D. Pedro de Alcáçova Carneiro, 1.º Conde de Idanha-a-Nova (Lisboa, 29 de Junho de 1515 - 12 de Maio de 1593), foi um fidalgo e estadista português do século XVI, que exerceu os cargos de secretário de D. João III e D. Sebastião I e de Vedor da Fazenda de D. Sebastião I e de D. Filipe I.[1][2][3]
Biografia
Era filho de António Carneiro, donatário da Ilha do Príncipe e secretário dos reis D. Manuel I e D. João III, nascido em 1459 e falecido em 3 de abril de 1545, e de sua mulher, D. Brites de Alcáçova (filha de Pedro Fernandes da Alcáçova, e irmã de Fernão de Alcáçova, senhor de um morgado com casas na Porta da Alfôfa).[2][4]
O seu pai havia recomendado a D. João III, por carta que lhe dirigiu em 15 de janeiro de 1522, que nomeasse como secretário o seu filho primogénito, Francisco Carneiro. Porém, este revelou ter mais propensão para as armas, além se sofrer de um problema de surdez,[5] o que dificultava o exercício do cargo; pelo que acabou sendo o irmão mais novo, Pedro de Alcáçova Carneiro, a obter a efetiva nomeação para secretário do Rei, em 16 de maio de 1530. Até o falecimento do pai, em 3 de abril 1545, exerceu as suas novas funções em conjunto com o seu progenitor, e sozinho a partir dessa data.[2]
No reinado de D. João III teve grande influência política,[2] chegando a ser descrito como a pessoa "a cuja habilidade se deve atribuir os grandes atos que marcaram o reinado" desse monarca.[6]
Depois do falecimento de D. João III, seria secretário e Vedor da Fazenda de D. Sebastião.
Foi depois membro do Conselho de Estado de Filipe I, de quem acabou por se tornar partidário durante a crise de sucessão portuguesa de 1580 (nas circunstâncias abaixo descritas), e vedor da Fazenda do mesmo soberano, que o fez Conde da Idanha-a-Nova por alvará de 1 de novembro de 1582 e carta de 2 de janeiro de 1584.[7]
Antes de partir para a expedição a Marrocos, D. Sebastião havia nomeado Pedro de Alcáçova Carneiro como um dos cinco governadores do reino, que ficaram a substituir o rei na sua ausência.
Porém, assim que chegou a Lisboa a notícia do desastre militar de Alcácer Quibir e da morte de D. Sebastião, logo o cardeal-rei D. Henrique - que nutria desde há muito uma profunda inimizade para com o futuro conde da Idanha - tomou as rédeas do governo; e prontamente agiu contra Pedro de Alcáçova Carneiro, mandando-o prender em sua casa, sob várias acusações, incluindo a de ter aconselhado a malograda expedição a Marrocos.[8]
Esta situação levou Pedro de Alcáçova Carneiro a tomar o partido de Filipe II de Espanha, na sua pretensão ao trono português, juntando-se assim às atividades de Cristóvão de Moura, principal representante da causa do soberano Habsburgo em Portugal.[7]
Os profundos conhecimentos da corte portuguesa e do respectivo ambiente político, que Pedro de Alcáçova Carneiro lograra alcançar ao longo de décadas de serviço público, foram de grande utilidade a Filipe II; e o monarca castelhano soube recompensá-lo, restituindo-lhe todos os cargos, honras e dignidades, de que fora privado pelo cardeal-rei.
O soberano Habsburgo determinou também que Pedro de Alcáçova, juntamente com Miguel de Moura e Cristóvão de Moura, constituísse o ministério que dirigiu os negócios do reino, no período em que residiu em Portugal. Antes de partir de regresso a Madrid, em 11 de fevereiro de 1583, Filipe I - além de agraciar Pedro de Alcáçova Carneiro com o referido titulo de conde da Idanha - escolheu-o também para membro do conselho do governo, órgão cujo principal objeto era auxiliar o arquiduque Alberto de Áustria, no exercício do cargo de vice-rei de Portugal.
Pedro de Alcáçova Carneiro continuou assim no centro da atividade política em Lisboa, até pouco tempo antes da data da sua morte, ocorrida em 12 de maio de 1593.
Dois dos seus filhos, Luís e Cristóvão, faleceram na batalha de Alcácer-Quibir.
Foi comendador da comenda de Idanha-a-Nova na Ordem de Cristo, e alcaide do seu castelo.[9][10]
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Obra literária
Escreveu, entre os anos de 1539 e 1568, um texto literário, onde faz uma notável descrição das suas atividades políticas durante o reinado de D. João III, cuja composição concluiu já sob as regências de D. Catarina de Áustria e do Cardeal D. Henrique:
- Relações de Pêro de Alcáçova Carneiro, conde de Idanha, do tempo que ele e seu pai António Carneiro serviram de secretários[11][5]
No início desta obra, D. Pedro de Alcáçova Carneiro descreve assim as circunstâncias do seu nascimento:
De muitos filhos, que meu pai teve, que, entre machos e fêmeas, passaram de dezasseis ou dezassete, fui eu o penúltimo, porque do último que minha mãe, que Deus tem, pariu, faleceu ela de parto, e faleceu também o mesmo filho, de maneira que me posso chamar o derradeiro de todos os que vivemos. Nasci na cidade de Lisboa, nas casas da Porta de Alfofa, que foram de meu avô, Pedro de Alcáçova, dadas a meu pai em casamento com minha mãe, Beatriz de Alcáçova, sua filha.[5]
Ditos que lhe são atribuídos
Ficou também conhecido por ditos que lhe são atribuídos,[12] nomeadamente o que terá ocorrido em 1576, numa missão diplomática a Espanha, onde teve audiências com Filipe II. Quando este soube que Pedro de Alcáçova Carneiro falava com os cortesãos em castelhano, mas usava sempre o português para conversar com ele, perguntou-lhe qual o motivo, ao que o futuro conde da Idanha respondeu:
Porque com Vossa Majestade falo de sizo, e com os demais de zombaria.[12]
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Casamento e descendência
Casou com D. Catarina de Sousa, filha de D. Diogo de Sousa, alcaide-mor de Tomar e de D. Isabel de Lima Sotomaior, com a seguinte geração:[13]
- Luís de Alcáçova Carneiro (c. 1540 - Alcácer Quibir, 4 de Agosto de 1578), senhor de Figueiró, que casou duas vezes, sendo a 1.ª vez com D. Joana de Vasconcelos, filha herdeira do 6.º senhor de Figueiró, e a 2.ª vez com D. Antónia de Távora, filha do senhor de Mogadouro, com geração de ambos os casamentos (a filha deste 2.º casamento, D. Luísa de Távora, viria a casar com seu primo D. Lourenço de Lima Brito e Nogueira, 6.º visconde de Vila Nova de Cerveira, que era bisneto do conde da Idanha por via de sua avó Beatriz de Alcáçova, ver abaixo);
- Cristóvão de Alcáçova, falecido em combate, como seu irmão, na batalha de Alcácer Quibir, que não casou nem deixou geração;
- D. António de Alcáçova Carneiro, que herdou de seu pai a comenda das Idanhas. Foi alcaide-mor de Campo Maior e Ouguela, pelo seu casamento com D. Maria de Noronha e Silva, herdeira dessas duas alcaidarias, que estavam na posse da família Silva desde o ano de 1435, quando o rei D. Duarte I as doou ao seu antepassado D. Rui Gomes da Silva. Desse casamento houve geração (na qual seguiria o cargo de alcaide de Campo Maior e Ouguela), com descendência até hoje, nomeadamente nos Ataíde Azevedo e Brito Malafaia, senhores da honra e quinta de Barbosa, e nos Lancastre Basto Barém (ou Baharém), condes da Lousã;[14]
- D. Beatriz de Alcáçova, que casou com D. Francisco de Lima, 5.º visconde de Vila Nova de Cerveira, com geração, na qual seguiu esse título (o 6.º visconde, acima referido, era neto materno deste casamento);
- D. Maria de Alcáçova, casada sem geração com D. Álvaro de Melo, que era neto paterno do 1.º Marquês de Ferreira, e faleceu também na batalha de Alcácer Quibir.
- Miguel de Alcáçova Carneiro, que serviu como capitão nas naus da Índia, durante o governo de D. João de Castro,[15] sem geração conhecida.
Referências
- ↑ Ramos, Maria Cecília Costa Veiga Albuquerque (2009). O Secretário dos despachos e coisas da Índia Pero d' Alcaçova Carneiro (PDF). Lisboa: Universidade de Lisboa. Faculdade de Letras. Departamento de História. p. 97
- ↑ a b c d Freire, Anselmo Braamcamp (1921). Brasões da Sala de Sintra. Livro Primeiro. Robarts - University of Toronto. Coimbra: Coimbra : Imprensa da Universidade. pp. 180–184
- ↑ D. António Caetano de Sousa (1735). «Historia genealogica da Casa Real Portugueza: desde a sua origem até o presente... Tomo XII. Parte I - Biblioteca Nacional Digital». purl.pt. p. 125. Consultado em 17 de setembro de 2024
- ↑ Ramos, Maria Albuquerque, op. cit., p. 97
- ↑ a b c «Relações de Pero de Alcáçova Carneiro : conde da Idanha, do tempo que êle e seu pai, António Carneiro, serviram de secretários (1515 a 1568) | WorldCat.org». search.worldcat.org. Imprensa Nacional, Lisboa. 1937. p. IX. Consultado em 18 de agosto de 2025
- ↑ Hoefer, M. (Jean Chrétien Ferdinand); Firmin-Didot (Firm). firm, publishers (1852). Nouvelle biographie universelle depuis les temps les plus reculés jusqu'a nos jours, avec les renseignements bibliographiques et l'indication des sources a consulter; Tome XVI (em francês). Boston Public Library. Paris: Firmin Didot fréres. 737-738. Consultado em 16 de outubro de 2025.
Il eut d'ailleurs pour le guider dans l'admilistration le secrétaire de Manoel, Antonio Carneiro et plus tard le propre fils de ce ministre, Pedro d'Alcaçova Carneiro , à l'habileté duquel il faut attribuer les grands actes qui marquent ce règne.
- ↑ a b «Pedro de Alcáçova Carneiro, conde das Idanhas - Portugal, Dicionário Histórico». www.arqnet.pt. Consultado em 17 de setembro de 2024
- ↑ Zúquete, Afonso Eduardo Martins (1989). Nobreza de Portugal e do Brasil. Volume 2. Lisboa: Editorial Enciclopédia. p. 655
- ↑ «Documentos a favor de D. Pêro de Alcáçova Carneiro para os lavradores da Comenda de Idanha-a-Nova pagarem os dizimos - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 17 de setembro de 2024
- ↑ Anselmo Braamcamp Freire, op. cit., p. 184, nota 2: "Tombo da comenda da Idanha a Nova de que he comendador e Alcaide mor dõ Pedro dalcaçoua Carneiro"
- ↑ «"Relações de Pêro de Alcáçova Carneiro, conde de Idanha, do tempo que ele e seu pai António Carneiro serviram de secretários" - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 17 de setembro de 2024
- ↑ a b «Anedotas Portuguesas e Memórias Biográficas da Corte Quinhentista de Christopher C. Lund». www.wook.pt. p. 145. ISBN 978-0120523986. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ Manuel José da Costa Felgueiras Gaio. «Nobiliário de famílias de Portugal, [Braga], 1938-1941. Tomo IX. Título "Carneiros" - Biblioteca Nacional Digital». purl.pt. p. 45, § 65, N 10. Consultado em 17 de setembro de 2024
- ↑ Salazar y Castro, Luis de (1685). Historia genealogica de la casa de Silva. II Parte. Por don Luis de Salazar (em espanhol). National Central Library of Rome. Madrid: [s.n.] p. 112. Consultado em 18 de agosto de 2025.
Dona Maria de Noronha e Silva foi VIII senhora das alcaidarias de Campo Maior e Ouguela, e casou com António de Alcáçova Carneiro, filho do conde da Idanha (...) sua filha Dona Maria de Alcáçova casou a primeira vez com Lopo de Brito, de quem teve uma filha, mulher de Dom Francisco de Azevedo, mestre de campo general do exército de Entre Douro e Minho .. e casou a última vez com Jerónimo Correia Baharém, de quem teve a António Correia Baharém ...
- ↑ Couto, Diogo do (1781). Da Asia De Diogo De Couto: Dos Feitos, Que Os Portuguezes Fizeram Na Conquista, E Descubrimento Das Terras, E Mares Do Oriente. Decada Sexta. Parte Primeira. Lisboa: Na Regia Officina Typografica. Consultado em 29 de setembro de 2025.
Com D. Manoel de Lima , e outros Capitães foram embarcados todos os Fidalgos Reynois, ( que assim chamam na India aos que aquelle anno vem do Reyno,) ... Miguel Carneiro , filho de Pero de Alcaçova Carneiro , que então era Secretario de El- Rey D. João , e depois foi Conde das Idanhas , e outros
