Luís Inácio de Ataíde Azevedo e Brito Malafaia
| D. Luís Inácio de Ataíde Azevedo e Brito Malafaia | |
|---|---|
| Senhor da Honra de Barbosa | |
![]() Armas usadas pelos senhores de Barbosa e Ataíde, nos séculos XVII e XVIII | |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 14 de setembro de 1735 Lisboa, Pena |
| Morte | 18 de junho de 1792 (56 anos) Lisboa, Rua de Nossa Senhora do Monte Olivete |
| Cônjuge | D. Maria Manoel Paim de Melo e Sampaio |
| Pai | D. António José de Ataíde Azevedo e Brito, senhor de Barbosa e Ataíde |
| Mãe | D. Ana Joaquina da Cunha e Meneses, filha do 18.º senhor de Tábua |
| Título(s) | Senhor da Honra e Torre de Ataíde, Dom |
| Ocupação | Fidalgo, Militar |
| Filha(s) | D. Ana Joaquina de Ataíde, casada com Francisco Vaz Guedes Pereira Pinto, 6.º Morgado do Arco |
| Carreira militar | |
| Conflitos/guerras | Novas Conquistas |
D. Luís Inácio de Ataíde Azevedo e Brito Malafaia (Lisboa, Pena, 14 de setembro de 1735 - Lisboa, Rua de Nossa Senhora do Monte Olivete, 18 de junho de 1792), senhor da honra de Barbosa, por sucessão confirmada em carta régia de 20 de novembro de 1780 (D. Maria I), foi um nobre e militar português do século XVIII.[1][2][3]
Biografia
Era filho segundogénito de D. António José de Ataíde Azevedo e Brito, senhor das honras de Barbosa e de Ataíde (16 de março de 1722), e das vilas de Aguieira e Mourisca, "senhorios dos seus maiores desde o início do reino", governador da praça de Castelo de Vide, etc. e de sua mulher, D. Ana Joaquina da Cunha e Meneses, filha do 2.º casamento de D. Pedro Álvares da Cunha, 18.º senhor de Tábua, com D. Maria Teresa de Meneses (ou Vilhena), da casa dos Meneses da Flor da Murta.[1][4]
Não sendo filho primogénito, e estando por isso afastado da sucessão da casa dos seus pais, seguiu a carreira militar, e foi habilitado para a Ordem Militar de Cristo em 28 de março de 1758, aos 23 anos de idade.[5]
De seguida, partiu como voluntário para a Índia portuguesa, onde prestou serviço com a patente de tenente-coronel (mais tarde, promovido a coronel),[6] no período das campanhas que levaram às "Novas Conquistas" e casou em Goa, no final de 1761.
Provavelmente com a perspectiva de se instalar definitivamente no Estado da Índia, solicitou à coroa, durante a década de 1760, que lhe fosse concedida a posse da aldeia de Damão Pequeno, bem como a doação das aldeias de Chaporá e Caramona, usando como justificação os serviços prestados por seu sogro, Manuel Paim de Melo, descendente de um ramo da família Paim, que se instalara na Índia no século XVII.[7][8][9]
No entanto, o falecimento dos seus dois irmãos mais velhos, que tinham sucedido nos senhorios da casa de Barbosa, veio a ditar o regresso ao reino de D. Luís Inácio, a fim de garantir a sucessão na casa de seus pais.[10]
Os senhores de Barbosa eram, na segunda metade do século XVIII, uma das mais antigas famílias da nobreza da corte, se bem que afetados por crescentes problemas financeiros. Segundo as pesquisas de historiador Nuno Gonçalo Monteiro, a casa de Barbosa possuía em 1766 um rendimento total de 3.835,200 réis (equivalentes a 7.724,471 réis, no início do século XIX), sendo que quase 42% desses rendimentos provinham de comendas das ordens militares. Por outro lado, os Ataíde Azevedo e Brito, senhores de Barbosa, estavam entre as famílias cortesãs que haviam feito um importante esforço financeiro no sentido de apoiar a reconstrução de Lisboa, depois de terremoto de 1755.[11]
Assim, ao voltar ao reino para tomar posse da sua casa, D. Luís Inácio encontrou-a numa situação financeira delicada, e ainda agravada pelas tentativas da sua cunhada, D. Josefa Leonor de Melo e Castro (irmã de Dinis Gregório de Melo e Castro e Mendonça, governador de Mazagão) no sentido de fazer valer os seus direitos a parte dos rendimentos das comendas de Barbosa (incluindo pelo menos uma que havia sido sequestrada à casa dos duques de Aveiro), como viúva do falecido irmão primogênito de Luís Inácio, D. Manuel de Ataíde Azevedo e Brito.[12][13][14]
Assim, apesar de ter obtido da coroa, no ano de 1780, a confirmação da sucessão no senhorio de Barbosa, só anos mais tarde D. Luís Inácio conseguiria garantir os rendimentos das várias comendas na Ordem de Cristo que haviam sido de seu pai e irmãos, nomeadamente as de São Pedro de Folgosinho, São Julião e São Miguel de Lavradas.[15][16]
Quando faleceu em Lisboa em 1792, D. Luís Inácio deixou para seus herdeiros uma casa administrada, para poder pagar dívidas aos credores. E, nove anos após o seu falecimento, seriam levadas a leilão várias das antigas propriedades e vínculos da casa de Barbosa, incluindo a Marinha do Brito, no termo de Alcochete (parte do vínculo fundado no século XVI por seu antepassado, Lopo de Brito, 2.º capitão do Ceilão português), várias propriedades no Ribatejo que integravam o vínculo fundado no século XIII por D. Urraca Lourenço da Cunha e ainda o morgadio de Guilhabreu, incluindo sua capela de Nossa Senhora do Amparo, do século XVI, com o brasão dos Silvas.[17]
No entanto, o senhorio da honra e quinta de Barbosa, e da torre e quinta de Ataíde (solar de origem da família Ataíde) passariam, livres de encargos, em 1805, para a sua filha e sucessora, D. Ana Joaquina de Ataíde Azevedo e Brito Malafaia.[6]
Casamento e descendência
Casou, durante a sua estadia na Índia, em 4 de novembro de 1761, em Goa (Pangim), Igreja de São Salvador, com D. Maria Manoel Paim de Melo e Sampaio, filha de Manuel Paim de Melo, capitão da fortaleza de Baçaim (neto paterno do seu homónimo, capitão-mor de Damão) e de D. Brites Pereira, sendo testemunhas o vice-rei Conde da Ega e Caetano Correia de Sá, vedor da Fazenda; com geração, dois filhos que não deixaram sucessão e uma filha que viria a ser a herdeira:[8][18]
- D. Ana Joaquina de Ataíde Azevedo e Brito Malafaia (Goa, 1762 - Vila Real, 11 de novembro de 1805), herdeira das honras de Barbosa e de Ataíde, que casou em Lisboa, São Sebastião da Pedreira, em 24 de setembro de 1793, com Francisco Vaz Guedes Pereira Pinto, 6.º Morgado do Arco, com geração, da qual os seguintes filho e filha deixariam descendência:
- D. Miguel Vaz Guedes de Ataíde Azevedo e Brito Malafaia (Fundão, 1794 - Quinta de Barbosa, 1864), último senhor da honra de Barbosa e 7.º e último Morgado do Arco, que casou duas vezes: a 1.ª vez com D. Maria Ludovina de Melo Sampaio, da casa dos senhores de Ribalonga, com geração, que seguiria os apelidos Ataíde Malafaia Baptista, e a 2.ª vez com D. Maria Inocência Pinto de Sousa Coutinho (neta paterna do 1.º visconde de Balsemão), com geração, que seguiria os apelidos Ataíde Malafaia Oliveira e Sá.[19]
- D. Augusta Cândida Emília Vaz Guedes de Ataíde (Fundão, 1800 - Matosinhos, 1873), que casou com seu primo coirmão Miguel Pereira Pinto de Queiroz, morgado de Santo António de Favaios e São Nicolau de Alcongosta; com geração, nos Queiroz de Ataíde e Ataíde Pinto Mascarenhas, senhores do solar dos viscondes de Treixedo e da casa e quinta do Cruzeiro, em Viseu (o diplomata José Guilherme Queiroz de Ataíde é trineto deste casal, por varonia).[20]
Referências
- ↑ a b D. António Caetano de Sousa. «Historia genealogica da Casa Real Portugueza: desde a sua origem até o presente...Tomo XI - Biblioteca Nacional Digital». purl.pt. pp. 838–840. Consultado em 27 de abril de 2025
- ↑ «Digitarq. D. Luís Inácio de Ataíde de Azevedo Brito e Malafaia». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Alvará. Confirmação de mercê por doação e sucessão do Senhorio da Quinta e Honra de Barbosa. Filiação: António José de Ataíde e Brito (D.). Data: 1780-11-20
- ↑ José Carlos Ataíde Tavares da Cunha Cabral (1987). «O Último Fidalgo de Santo António de Favaios». Revista Raízes & Memórias. Número 1 – Julho 1987. Consultado em 27 de abril de 2025.
D. Luís Inácio de Ataíde faleceu com testamento, em LIsboa, na rua de Nª Sª do Monte Olivete, auto de abertura em 23/6/1792
- ↑ «Digitarq. António José de Ataíde Azevedo e Brito (D.)». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Carta. Quinta e Honra de Barbosa. Data: 1722-03-16
- ↑ «Digitarq. Diligência de habilitação para a Ordem de Cristo de D. Luís Inácio de Ataíde». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Natural da freguesia da Pena, Lisboa, filho de D. António José de Ataíde Azevedo e Brito e de sua mulher D. Ana Joaquina de Menezes, naturais de Lisboa; neto paterno de D. António de Azevedo e Ataíde e de sua mulher D. Teresa da Silva, naturais de Lisboa; neto materno de D. Pedro Álvares da Cunha e de sua mulher D. Maria Teresa de Vilhena, naturais de Lisboa. Data: 1758-03-28
- ↑ a b Torres, João Carlos Feo Cardoso de Castello Branco e; Mesquita, Manuel de Castro Pereira de (1838). Resenha das familias titulares do Reino de Portugal acompanhada das noticias biographicas de alguns individuos das mesmas familias. Lisboa: Imp. nacional. pp. 293–295. Consultado em 27 de abril de 2025.
D. Ana Joaquina, filha herdeira de D. Luiz Ignacio de Athaide Azevedo e Brito Malafaia, senhor da Honra de Barbosa e Torre de Athaide, comendador da Ordem de Cristo, coronel da 1.ª plana da corte
- ↑ P. C. Marques. «Genealogia dos Castros que passaram à Índia em 1550» (PDF). Repositório da Universidade Nova de Lisboa. Consultado em 27 de abril de 2025.
Francisco Paim de Melo, que foi para a Índia, capitão do Forte de Danum
- ↑ a b «Digitarq. Requerimento de D. Luís Inácio de Azevedo e Ataíde, tenente coronel no Estado da Índia, solicitando em remuneração dos serviços do seu sogro, Manuel Paim de Melo, a posse da aldeia de Damão Pequeno. Ministério do Reino, mç. 824, proc. 5. Data: 1763-01-01». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Aos 4 de Novembro de 1761, na prezença o Ill.mo Inquizidor Deam Manoel Marques de Azevedo e das testemunhas o Ill.mo e Ex.mo Snor Conde de Ega vice Rey deste Estado, e de Caetano Correa de Sá, vedor geral da Fazenda, se cazarão (...) D. Luis Ignacio da Cunha Azevedo, e Atayde, (...) e D. Maria M.el Paim de Mello Sampayo, filha de Manuel Paim de Melo Capitão de Fortalleza, e Guarnição de Baçaim
- ↑ «Digitarq. Requerimento de Luís Inácio de Ataíde, voluntário no Estado da Índia, solicitando em remuneração de serviços do seu sogro, Manuel Paim de Melo, a doação das aldeias de Chaporá, Caramona no Estado da Índia». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Código de referência - PT/TT/MR/EXP/051/0180/00002 Cota atual - Ministério do Reino, mç. 824, proc. 2. Data: 1765-01-01
- ↑ «Digitarq. Autos de justificação de Luís Inácio de Ataíde Azevedo Brito Malafaia, filho de António José de Azevedo e Ataíde e de Ana Joaquina Violante de Meneses e Cunha, e irmão de Pedro Joaquim de Ataíde Azevedo Brito Malafaia, já falecido». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Datas: de 1769-01-01 a 1772-12-31
- ↑ Monteiro, Nuno Gonçalo (1998). O crepúsculo dos grandes: a casa e o património da aristocracia em Portugal, 1750-1832. Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da Moeda. pp. 269–273, 303. Consultado em 27 de abril de 2025.
A casa muito antiga, e muito decaída, dos senhores da honra de Barbosa (...) a participação das casas da "primeira nobreza" nas obras de reconstrução ... [envolveu as casas de] administradores de bens da coroa e ordens (os senhores de S. Cosmado, da Trofa, da Honra de Barbosa, e de Águas Belas ...)
- ↑ «Digitarq. Autos de Justificação de Dinis Gregório de Melo e Castro Mendonça e sua irmã D. Josefa Leonor de Melo». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Cota atual. Conselho da Fazenda, Justificações do Reino, Letra D, mç. 1, n.º 25. Datas: de 1789-01-01 a 1789-12-31
- ↑ «Digitarq. Requerimento de D. Josefa Leonor de Melo, viúva de D. Manuel de Ataíde de Azevedo Brito Malafaia, relativamente aos rendimentos das Comendas de São Miguel de Lavradas.». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Cota atual: Ministério do Reino, Requerimentos, cx. 932, mç. 813, proc. 14. Datas: de 1768-01-01 a 1768-12-31
- ↑ «Digitarq. Requerimento de D. Josefa Leonor de Melo, viúva de D. Manuel Joaquim de Ataíde e Azevedo, referente ao pagamento do rendimento da Comenda de S. Miguel de Lavradas, sequestrada à Casa de Aveiro». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Cota atual: Ministério do Reino, Requerimentos, cx. 932, mç. 813, proc. 39. Datas: de 1771-01-01 a 1771-12-31
- ↑ «Digitarq. D. Luís Inácio de Ataíde Azevedo Brito Malafaia». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Maria I, liv. 25, f. 303v. Data: 1785-06-28. Âmbito e conteúdo. Alvará. Comenda de São Miguel de Lavradas.
- ↑ «Digitarq. D. Luís Inácio de Ataíde Azevedo Brito Malafaia». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 27 de abril de 2025.
Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Maria I, liv. 26, f. 45. Data: 1790-11-15. Âmbito e conteúdo. Alvará. Com salva, mercê de Comenda de São Julião de Punhete, da Ordem de Cristo.
- ↑ Gazeta de Lisboa. Lisboa: Na officina de Antonio Correa Lemos. 1801. Consultado em 27 de abril de 2025.
Supplemento Numero 21. Sexta Feira 29 de Maio de 1801. A 17 de Junho do corrente ano, nas casas da residência do desembargador José Joaquim Borges da Silva, de fronte do Hospital Real de São José desta cidade, se ha de arrematar a Marinha denominada do Brito (...) tudo pertencente à casa administrada de D. Luiz Ignacio de Ataide Azevedo Brito Malafaia
- ↑ Manuel de Mello Corrêa. «Anuário da Nobreza de Portugal - 1985 - III. Tomo II. Azevedo e Ataíde de Brito Malafaia, das honras de Barbosa, de Ataíde, etc.». biblioteca-genealogica-lisboa.org. pp. 214–215. Consultado em 27 de abril de 2025.
D. Luís Inácio veio a ser herdeiro da casa do seu pai ... casou na Índia com D. Maria Manoel Paim de Mello e S. Payo da Silva Telles ... e tiveram dois filhos, D. Manuel e D. António, que faleceram sem geração e uma filha D. Ana ... que casou com Francisco Vaz Guedes Pereira Pinto, sr. do Morgado do Arco, em Vila Real
- ↑ Cardoso, Augusto-Pedro Lopes (1 de janeiro de 2005). «A Honra de Barbosa. Subsídios para a sua História Institucional.PDF». Cadernos do Museu de Penafiel: 79-85. Consultado em 27 de abril de 2025
- ↑ António de Mattos e Silva. «Anuário da Nobreza de Portugal - 2006 - III - Tomo IV. Queiroz de Ataíde, cf. Pinto de Queiroz, dos Morgados de Santo António de Favaios». biblioteca-genealogica-lisboa.org. pp. 1499, 1012–1019. Consultado em 27 de abril de 2025
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