Parides burchellanus

Borboleta-ribeirinha
Parides burchellanus
Ilustração dorsal de P. burchellanus, baseada em sua descrição original.
Ilustração dorsal de P. burchellanus, baseada em sua descrição original.
A Ilustração de P. burchellanus feita para a ciência por ocasião de sua descrição original no Transactions of the Entomological Society of London; pl. III, fig. 5., abaixo à direita (1872).
A Ilustração de P. burchellanus feita para a ciência por ocasião de sua descrição original no Transactions of the Entomological Society of London; pl. III, fig. 5., abaixo à direita (1872).
Estado de conservação
Espécie em perigo
Em perigo (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Subordem: Papilionoidea
Família: Papilionidae
Subfamília: Papilioninae[2][3]
Tribo: Troidini[2][4]
Género: Parides
Hübner, 1819[2][3]
Espécie: P. burchellanus
Nome binomial
Parides burchellanus
(Westwood, 1872)[2][3][4]
Detalhe da ilustração de P. burchellanus feita para a ciência por ocasião de sua descrição original no Transactions of the Entomological Society of London; pl. III, fig. 5. (1872).
Distribuição geográfica
A borboleta P. burchellanus é endêmica do Distrito Federal e Minas Gerais (em vermelho), no Brasil.[3][4]
Sinónimos
Papilio burchellanus Westwood, 1872
Papilio numa Boisduval, 1836
Papilio jaguarae Foetterle, 1902
Papilio socama Schaus, 1902
Parides burchellanus jaguarae (Foetterle, 1902)
Parides panthonus jaguarae Foetterle, 1902
(Markku Savela/IUCN/Museu do Cerrado)[1][3][5]

A borboleta-ribeirinha,[6][7] cientificamente denominada Parides burchellanus (em inglês, denominada Burchellanus cattleheart),[4] é uma espécie de inseto da ordem Lepidoptera; uma borboleta da região neotropical e pertencente à família Papilionidae[2][3] (denominadas rabo-de-andorinha),[5][8] endêmica do Distrito Federal e Minas Gerais, no Brasil; voando durante o ano todo, com picos populacionais em alguns meses e habitando as manchas de vegetação das matas ciliares ou matas de galeria entre 800 a 1.100 metros de altitude; locais com sombra, riachos e córregos onde seus adultos possam encontrar e suas lagartas se alimentar de plantas do gênero Aristolochia, conhecidas como "papo-de-peru" ou "jarrinha"[5][6][7] e que contém compostos secundários de alcaloides tóxicos para seus predadores,[9] mais precisamente da espécie Aristolochia chamissonis.[1][5]

Classificação

Parides burchellanus foi descrita em 1872 por John Obadiah Westwood na página 101 da publicação Transactions of the Entomological Society of London, no texto "Descriptions of some new Papilionidæ", seu espécime-tipo coletado em "Tenénte", perto de "Fárinhapódre", por "D. Burchell", do qual o táxon herdou o seu epíteto específico, em homenagem a William John Burchell; originalmente classificada com o nome Papilio Burchellanus (sic) e com uma ilustração periférica de número 5 registrada na PL. III., no canto inferior direito, apenas a metade esquerda do inseto totalmente visível.[2][3][4]

O naturalista William John Burchell esteve no Brasil entre 1825 e 1830, 42 anos antes da descrição da espécie Parides burchellanus por Westwood.[2][3][10]

Dimorfismo sexual, descrição

De acordo com Westwood, em sua descrição original, Parides burchellanus possui as asas anteriores imaculadas (sem manchas), o que distingue este inseto da grande massa de Papilios sul-americanos pretos com manchas vermelhas nas asas posteriores; neste caso apresentando seis rosadas e arredondadas manchas regularmente espaçadas próximas às margens de cada asa posterior, em toda sua extensão, vistas tanto por cima quanto por baixo, onde se tornam mais pálidas.[11][12] Os sexos pouco diferem, o macho sendo diferenciado da fêmea pela presença de escamas androconiais esbranquiçadas ao longo das margens internas de suas asas posteriores.[5]

Conservação

Com espécimes registrados apenas em Planaltina, no Distrito Federal, e na Serra da Canastra e Brumadinho, em Minas Gerais[6][7] (nesta última localidade se tornando o símbolo ambiental do município),[11] Parides burchellanus foi uma das duas espécies de borboletas a figurar na lista das 100 espécies mais ameaçadas do mundo pela IUCN, sendo a outra Actinote zikani;[13] também desde 2019 colocada no status de espécie em perigo (EN) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)[1] e inserida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, como espécie em perigo crítico (CR).[8] Já existiram registros históricos dessa espécie em áreas que atualmente estão sob forte impacto antrópico, em Sobradinho (Distrito Federal), Anápolis (Goiás), Carmo do Rio Claro, Matosinhos (no Rio das Velhas) e Uberaba (em Farinha Podre) (Minas Gerais), ainda em Batatais e Bauru (São Paulo), não havendo novos registros de Parides burchellanus nestas localidades, onde provavelmente se encontra extinta.[5]

Referências

  1. a b c d Grice, H.; Freitas, A.V.L.; Rosa, A.; Marini-Filho, O.; Dias, F.M.S.; Mega, N.; Mielke, O.; Casagrande, M. (abril de 2018). «Parides burchellanus IUCN Redlist assessment» (em inglês). The IUCN Red List of Threatened Species (ResearchGate). 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 
  2. a b c d e f g «Parides burchellanus (Westwood, 1872)». SiBBr - Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 
  3. a b c d e f g h i Savela, Markku. «Parides burchellanus (Westwood, 1872)» (em inglês). Lepidoptera and some other life forms. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 
  4. a b c d e PALO JR., Haroldo (2017). Borboletas do Brasil / Butterflies of Brazil, volume 1. Papilionidae, Pieridae, Lycaenidae, Riodinidae 1ª ed. São Carlos, Brasil: Vento Verde. p. 62. 768 páginas. ISBN 978-85-64060-09-8 
  5. a b c d e f Museu do Cerrado (27 de agosto de 2020). «Parides burchellanus (Westwood, 1872)». Museu do Cerrado. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 
  6. a b c Jornal Voz Ativa (28 de março de 2022). «Espécie rara e ameaçada de borboleta é vista em Brumadinho». Jornal Voz Ativa. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 
  7. a b c Silva, Anna Lúcia (21 de maio de 2022). «Serra da Canastra abriga espécie de borboleta rara, descoberta por pesquisadores da UFMG». g1. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 
  8. a b Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (2018). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (PDF). Volume 1. Brasília: ICMBio/MMA. p. 386. 492 páginas. ISBN 978-85-61842-79-6. Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de julho de 2019 
  9. OTERO, Luiz Soledade (1986). Borboletas. Livro do Naturalista (21 X 28cm) 1ª ed. Rio de Janeiro: Ministério da Educação - FAE. p. 91-92. 112 páginas. ISBN 85-222-0195-1 
  10. Oxford University Museum of Natural History. «William Burchell» (em inglês). OUMNH. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 
  11. a b «Borboleta Parides Burchellanus se torna símbolo ambiental de Brumadinho». Vereador Lucas Machado. 18 de novembro de 2013. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025. O Projeto de Lei 87/2013 de autoria do vereador Lucas Machado de Sales foi aprovado em reunião plenária e instituiu a borboleta Parides burchellanus como símbolo ambiental de Brumadinho. 
  12. Moraes, Bruno (Lep Web) (29 de junho de 2015). «(Parides burchellanus) Westwood, 1872». Flickr. 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025. Brumadinho-MG. 
  13. Baillie, J.E.M.; Butcher, E.R. (2012). «Priceless or Worthless? The world's most threatened species» (em inglês). Zoological Society of London (IUCN). 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2025 

Ligações externas