Padre Américo
| Padre Américo | |
|---|---|
| Nome completo | Américo Monteiro de Aguiar |
| Nascimento | |
| Morte | 16 de julho de 1956 (68 anos) |
| Nacionalidade | português |
| Educação | Seminário de Coimbra |
| Ocupação | benfeitor |


Américo Monteiro de Aguiar, mais conhecido por Padre Américo (Galegos, Penafiel, 23 de outubro de 1887 – Campo, Valongo, 16 de julho de 1956),[1] foi um importante benfeitor português que dedicou a sua vida aos mais carenciados, principalmente jovens, que se traduziu em inúmeras realizações. Foi em São Pedro de Alva, que o Padre Américo idealizou da Obra da Rua e fundou a sua primeira Casa da Colónia como era assim chamada a Casa do Gaiato, a mais conhecida e relevante referida obra.
Vida e obra
O Padre Américo nasceu a 23 de outubro de 1887 na freguesia de Galegos, Concelho de Penafiel, tendo sido batizado a 4 de novembro do mesmo ano.[2] Frequentou o Ensino Primário na sua terra natal, transitando, em 1898, para o Colégio do Carmo, em Penafiel, e no ano seguinte para o Colégio de Santa Quitéria, em Felgueiras.[2] Terminados os estudos liceais, em 1902, emprega-se, no Porto, numa loja de ferragens.[2] Em 1906, porém, resolve partir para Moçambique, estabelecendo-se em Chinde,[2] onde trabalha na companhia The British Central Africa e na Companhia Africana dos Lagos, como despachante. Por essa altura trava conhecimento com o padre Rafael Maria da Assunção,[2] que mais tarde seria nomeado Bispo de Cabo Verde.
Regressado a Penafiel, em 1923, contacta o pároco local de quem tinha sido companheiro de infância e comunica-lhe o desejo de entrar para um convento franciscano, dando como única explicação a frase é uma martelada!.[2] Dois meses depois entra no Convento de Santo António de Vilariño,[2] em Tui (Espanha), onde permanece durante nove meses como postulante, a estudar latim e ciências naturais e mais um ano, depois da tomada do hábito.
As dificuldades em se adaptar à vida monástica conduzem à sua saída em julho de 1925, mas tenta ingressar no seminário diocesano do Porto, embora o Bispo D. António Barbosa Leão não dê seguimento ao seu requerimento. Contacta então o Bispo de Coimbra, D. Manuel Luís Coelho da Silva, que o aceita.[1]
Depois de se formar em Teologia no Seminário de Coimbra, foi nomeado Prefeito do Seminário e professor de Português.[2] É igualmente capelão em Casais do Campo, freguesia de São Martinho do Bispo e designado pároco de São Paulo de Frades, não chegando a tomar posse, incapacitado por um esgotamento.
É quando D. Manuel Luís Coelho da Silva, Bispo de Coimbra, lhe entrega a "Sopa dos Pobres",[3] em 1932 que começa a revelar a sua verdadeira vocação.[2] A partir daí não mais parou.
Em maio de 1935, foi convidado para São Pedro de Alva pregar à população. Certo dia o pároco da freguesia leva-o à escola primária e foi aí que idealizou e teve a visão da obra da rua. Logo aí fundou a primeira Casa da Colónia. Decidiu em agosto ir para a capital de distrito, e então inicia as Colónias de Férias do Garoto da Baixa em Coimbra,[2] estágio embrionário do que viria a ser posteriormente a Casa do Gaiato.[1] Seguem-se Vila Nova do Ceira e Miranda do Corvo. A 7 de janeiro de 1940, finalmente, o Padre da Rua funda a primeira Casa do Gaiato no lugar de Bujos, em Miranda do Corvo.[1] A segunda Casa do Gaiato, no mosteiro beneditino de Paço de Sousa, seria o local escolhido, para o surgimento da Aldeia do Gaiato para acolhimento e alojamento de jovens a que se seguiria o Lar do Gaiato, no Porto.[1] No mesmo âmbito e sob o lema «cada freguesia cuide dos seus pobres» é o projeto de construção das primeiras casas do património dos pobres, também em Paço de Sousa, em fevereiro de 1951.[2]
A Obra da Rua é consagrada ao Santíssimo Nome de Jesus,[2] e o seu ex-líbris é o Quim Mau, o garoto de braços abertos que pede o amor do próximo.
A 1 de janeiro de 1941 abre o Lar do Ex-Pupilo das Tutorias e dos Reformatórios, na Rua da Trindade, em Coimbra,[2] instituição que será entregue aos Serviços Jurisdicionais de Menores em 1950; em junho do mesmo ano, publica o primeiro volume do Pão dos Pobres.[3]
Em 1942, publica Obra da Rua.[2]
A 5 de março de 1944 aparece o primeiro número do jornal O Gaiato, quinzenário da Obra da Rua, de que é fundador e diretor.[2]
A 4 de janeiro de 1948 seria inaugurada a Casa do Gaiato de Lisboa,[2] situada na quinta da Mitra, em Santo Antão do Tojal, em Loures.
Em 1950, saem a público o opúsculo Do Fundamento da Obra da Rua e do Teor dos seus Obreiros e o primeiro volume do livro Isto é a Casa do Gaiato.[2]
Em 1952, viagem a África; publica um novo livro, O Barredo, a que se seguem, em 1954, Ovo de Colombo e Viagens, no ano em que toma posse da quinta da Torre, em Beire, freguesia de Paredes, para a instalação de uma Casa do Gaiato e do Calvário, para o abrigo de doentes incuráveis.
A 1 de julho de 1955, abre a Casa do Gaiato de Setúbal, em Algeruz.[1]
Em 1956,[2] morre vitima de acidente de viação em Campo no concelho de Valongo. O seu processo de glorificação canónica teve início em 1986.[1]
Referências
- ↑ a b c d e f g «Padre Américo é "santo no coração do povo"». Vatican News. 20 de julho de 2021. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r «A biografia do Venerável Padre Américo». Semanário da Diocese do Porto. 12 de dezembro de 2019. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Padre Américo: a luz do coração, a inteligência da caridade | UCP». Universidade Católica Portuguesa. Consultado em 28 de janeiro de 2026
Ligações externas
- Página oficial da instituição Obra da Rua
- Obra de rua, Coimbra, 1942, na Biblioteca Nacional de Portugal