Oteba ibne Abi Sufiane

Oteba ibne Abi Sufiane (em árabe: عتبة بن أبي سفيان بن حرب; romaniz.: ʿUtba ibn Abī Sufyān ibn Ḥarb) foi membro da família governante omíada e exerceu o cargo de governador omíada do Egito em 664–665, durante o reinado de seu irmão, o califa Moáuia I (r. 661–680).

Vida

Árvore genealógica dos sufiânidas, a família governante do Califado Omíada, à qual Oteba pertencia

Oteba era filho de Abu Sufiane, dos Banu Omaia, e de Hinde binte Oteba.[1] Sob o califa Omar (r. 634–644), foi incumbido de recolher as sadaqat (tributos) da tribo dos quinanaítas, estabelecida na região de Meca.[2] Ele procurou utilizar o dinheiro arrecadado em atividades comerciais.[3] Lutou ao lado da maior parte dos coraixitas, sob a liderança de Aixa, esposa do profeta islâmico Maomé, contra o primo de Maomé, o califa Ali (r. 656–661), na Batalha do Camelo, perto de Baçorá, em 656. No imediato desfecho da vitória de Ali, Oteba refugiou-se junto de Aixa e evitou prestar-lhe juramento de fidelidade. Pouco depois conseguiu escapar para Damasco, onde seu irmão, Moáuia, governava como governador da Síria.[4] Nas negociações de aliança entre Moáuia e Anre ibne Alas, Oteba pressionou o irmão a aceitar a proposta de Anre de receber o governo vitalício do Egito em troca de seu apoio contra Ali.[5] Oteba integrou posteriormente o séquito de Moáuia durante a Batalha de Sifim contra Ali, em 657.[6] Moáuia tornou-se califa em 661 e nomeou Oteba para liderar a peregrinação anual do Haje a Meca, em março de 662.[7]

Após a morte de Anre em 664, seu filho Abedalá foi nomeado governador do Egito por algumas semanas em 664, antes de ser removido do cargo e de Oteba ser nomeado governador do Egito.[8] Ele reforçou a presença árabe muçulmana e elevou o estatuto político de Alexandria ao vincular 12 mil tropas árabes à cidade e ao construir um Dar Alimara (palácio do governador).[8] O Dar Alimara destinava-se a servir como residência do governador árabe da província, sediado em Fostate.[9] Oteba foi o primeiro governador árabe do Egito, segundo as fontes árabes, a ter visitado Alexandria, embora Anre seja implicitamente referido como tendo entrado na cidade na qualidade de governador, segundo Albaladuri.[10] Ainda assim, Oteba continuava preocupado com o fato de o número de tropas em Alexandria permanecer insuficiente e vulnerável diante da numerosa população cristã local.[8] Oteba morreu no exercício do cargo em 665,[11] sendo sucedido pelo condutor de mulas de Maomé, Uqueba ibne Amir.[8] Segundo o historiador do século IX Atabari, contudo, Oteba liderou o Haje em fevereiro de 667, e ele ou seu irmão Ambaça ibne Abi Sufiane o liderou novamente no ano seguinte, em janeiro de 668.[12] O filho de Oteba, Alualide, exerceu o governo de Medina sob Moáuia e sob seu filho e sucessor, o califa Iázide I (r. 680–683). Um descendente de Oteba, Abedalá ibne Maomé Alotebi, é mencionado como fonte de informações na história de Atabari.[13]

Referências

  1. Morony 1987, p. 220.
  2. Donner 1981, p. 251.
  3. Donner 1981, p. 271.
  4. Madelung 1997, p. 182.
  5. Madelung 1997, p. 196.
  6. Madelung 1997, pp. 236–237.
  7. Morony 1987, p. 19.
  8. a b c d Kennedy 1998, p. 69.
  9. Bruning 2018, p. 50.
  10. Bruning 2018, pp. 51–52.
  11. Rosenthal 2015, p. 633, note 475.
  12. Morony 1987, pp. 89–92.
  13. Brinner 1987, p. 83.

Bibliografia

  • Brinner, William (1987). The History of al-Ṭabarī, Volume II: Prophets and Patriarchs. SUNY Series in Near Eastern Studies. Albânia, Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Nova Iorque. ISBN 978-0-87395-921-6 
  • Bruning, Jelle (2018). The Rise of a Capital: Al-Fusṭāṭ and Its Hinterland, 18-132/639-750. Leida e Boston: Brill. ISBN 978-90-04-36635-0 
  • Donner, Fred M. (1981). The Early Islamic Conquests. Princeton: Princeton University Press. ISBN 0-691-05327-8 
  • Kennedy, Hugh (1998). «Egypt as a Province in the Islamic Caliphate, 641–868». In: Petry, Carl F. Cambridge History of Egypt, Volume One: Islamic Egypt, 640–1517. Cambrígia: Cambridge University Press. pp. 62–85. ISBN 0-521-47137-0 
  • Madelung, Wilferd (1997). The Succession to Muhammad: A Study of the Early Caliphate. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-56181-7 
  • Morony, Michael G. (1987). The History of al-Ṭabarī, Volume XVIII: Between Civil Wars: The Caliphate of Muʿāwiyah, 661–680 A.D./A.H. 40–60. SUNY Series in Near Eastern Studies. Albânia, Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Nova Iorque. ISBN 978-0-87395-933-9 
  • Rosenthal, Franz (2015). Man versus Society in Medieval Islam. Leiden and Boston: Brill. ISBN 978-90-04-27088-6