Orquestra automática

A orquestra automática, também conhecida como photoplayer,[1][2][3] é uma orquestra mecânica automática, empregada por salas de cinema do início do século XX,[1] para a produção de música incidental, trilhas sonoras e temas especificamente escritos para o acompanhamento de filmes mudos.[3]
História
A origem da orquestra automática foi inspirada por um desentendimento entre o proprietário de um cinema e sua banda, formada por três músicos. Em 1908, no cinema Palace de Tamworth, em Staffordshire, Inglaterra, o proprietário encomendou um piano elétrico com seis tubos de órgão, e demitiu sua banda logo depois que a máquina chegou.[4] Com o tempo, alguns destes instrumentos foram ampliados, com órgãos de tubos e dispositivos para criação de efeitos sonoros, instalados em gabinetes conectados, permitindo a criação de múltiplos sons para coincidir com as ações na tela, e dando origem à orquestra automática.[5]
A novidade não fez sucesso na Inglaterra, mas teve grande aceitação nos Estados Unidos, onde cursos universitários foram criados em todo o país, com o intuito de ensinar os músicos a complementar eficazmente as imagens na tela com os sons das orquestras automáticas.[4]
Entre os anos de 1910 e 1928, durante a época de ouro do cinema mudo, estima-se que tenham sido fabricadas entre 8 000 e 10 000 orquestras automáticas,[4][6] superando até mesmo os órgãos de teatro.[4] Cerca de uma dúzia de fabricantes produziram os equipamentos, dentre eles a American Photo Player Company, que desenvolveu o Fotoplayer, a Operators Piano Company, de Chicago, que criou o Reproduco, a Bartola Musical Instrument Company, de Oshkosh, Wisconsin, fabricante do Bartola, a Seeburg Corporation e a Wurlitzer.[3]
Por volta de meados da década de 1920, a popularidade das orquestras automáticas decaiu drasticamente, devido à ascensão dos filmes sonoros. Atualmente, há apenas algumas destas máquinas ainda em condições de uso.[1][7]
Operação
A orquestra automática é composta de piano e um instrumento de percussão, sendo alguns dos modelos também equipados com órgãos[8] e métodos adicionais empregados para a criação manual de efeitos sonoros.[7] Assim como ocorre com as pianolas, em uma orquestra automática a música do piano é reproduzida automaticamente, através da leitura de rolos de papel perfurado, com a diferença de que as orquestras automáticas podem conter dois rolos, um sendo reproduzido enquanto o outro é preparado, para mudanças nas cenas de um filme.[7][8]
Baús laterais, acoplados ao console do piano, contêm tambores, xilofones, sirenes, blocos de madeira, triângulos, tubos de órgão e pratos. Efeitos sonoros, incluindo sirenes, buzinas de trem, estrondos, tiros e campainhas, eram todos ativados puxando-se cordões de couro no console do piano,[8] apelidados de "rabos de vaca".[7]
Dentre os efeitos sonoros mais comuns estavam tiros, sinos e tambores. Alguns dos aparelhos de orquestra automática também apresentam efeitos sonoros elétricos, como sirenes e buzinas de automóveis.[7]
Dado que o piano reproduz a música automaticamente, o operador de orquestra automática deve carregar os rolos de papel perfurado, ligar a máquina e adicionar os efeitos sonoros e a percussão puxando manualmente os cordões.[7][8]
Referências
- ↑ a b c Chin, Richard (18 de setembro de 2024). «Anoka player piano restorer shows silent films accompanied by 108-year-old photoplayer». www.startribune.com (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ «The Photoplayer». The Deagan Resource. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ a b c Ord-Hume, Arthur W.J.G. (2003). Robert Palmieri, ed. Piano: An Encyclopedia 2nd ed. [S.l.]: Routledge. ISBN 0-415-93796-5
- ↑ a b c d «Photo Player». American Treasure Tour Museum (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2025
- ↑ «Photoplayer». Vaudeville Revue (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2025
- ↑ «What is a photoplayer?». Encyclopaedia of Australian Theatre Organs. Consultado em 26 de dezembro de 2008
- ↑ a b c d e f Ord-Hume, Arthur W.J.G. (2003). Robert Palmieri, ed. Piano: An Encyclopedia 2nd ed. [S.l.]: Routledge. ISBN 0-415-93796-5
- ↑ a b c d Marks, Sam (4 de dezembro de 2022). «The Photoplayer: An Everything Instrument». Retrospect Journal (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025