Orquestra automática

Ben Turpin e um aparelho de orquestra automática, entre junho e agosto de 1922

A orquestra automática, também conhecida como photoplayer,[1][2][3] é uma orquestra mecânica automática, empregada por salas de cinema do início do século XX,[1] para a produção de música incidental, trilhas sonoras e temas especificamente escritos para o acompanhamento de filmes mudos.[3]

História

A origem da orquestra automática foi inspirada por um desentendimento entre o proprietário de um cinema e sua banda, formada por três músicos. Em 1908, no cinema Palace de Tamworth, em Staffordshire, Inglaterra, o proprietário encomendou um piano elétrico com seis tubos de órgão, e demitiu sua banda logo depois que a máquina chegou.[4] Com o tempo, alguns destes instrumentos foram ampliados, com órgãos de tubos e dispositivos para criação de efeitos sonoros, instalados em gabinetes conectados, permitindo a criação de múltiplos sons para coincidir com as ações na tela, e dando origem à orquestra automática.[5]

A novidade não fez sucesso na Inglaterra, mas teve grande aceitação nos Estados Unidos, onde cursos universitários foram criados em todo o país, com o intuito de ensinar os músicos a complementar eficazmente as imagens na tela com os sons das orquestras automáticas.[4]

Entre os anos de 1910 e 1928, durante a época de ouro do cinema mudo, estima-se que tenham sido fabricadas entre 8 000 e 10 000 orquestras automáticas,[4][6] superando até mesmo os órgãos de teatro.[4] Cerca de uma dúzia de fabricantes produziram os equipamentos, dentre eles a American Photo Player Company, que desenvolveu o Fotoplayer, a Operators Piano Company, de Chicago, que criou o Reproduco, a Bartola Musical Instrument Company, de Oshkosh, Wisconsin, fabricante do Bartola, a Seeburg Corporation e a Wurlitzer.[3]

Por volta de meados da década de 1920, a popularidade das orquestras automáticas decaiu drasticamente, devido à ascensão dos filmes sonoros. Atualmente, há apenas algumas destas máquinas ainda em condições de uso.[1][7]

Operação

A orquestra automática é composta de piano e um instrumento de percussão, sendo alguns dos modelos também equipados com órgãos[8] e métodos adicionais empregados para a criação manual de efeitos sonoros.[7] Assim como ocorre com as pianolas, em uma orquestra automática a música do piano é reproduzida automaticamente, através da leitura de rolos de papel perfurado, com a diferença de que as orquestras automáticas podem conter dois rolos, um sendo reproduzido enquanto o outro é preparado, para mudanças nas cenas de um filme.[7][8]

Baús laterais, acoplados ao console do piano, contêm tambores, xilofones, sirenes, blocos de madeira, triângulos, tubos de órgão e pratos. Efeitos sonoros, incluindo sirenes, buzinas de trem, estrondos, tiros e campainhas, eram todos ativados puxando-se cordões de couro no console do piano,[8] apelidados de "rabos de vaca".[7]

Dentre os efeitos sonoros mais comuns estavam tiros, sinos e tambores. Alguns dos aparelhos de orquestra automática também apresentam efeitos sonoros elétricos, como sirenes e buzinas de automóveis.[7]

Dado que o piano reproduz a música automaticamente, o operador de orquestra automática deve carregar os rolos de papel perfurado, ligar a máquina e adicionar os efeitos sonoros e a percussão puxando manualmente os cordões.[7][8]

Referências

  1. a b c Chin, Richard (18 de setembro de 2024). «Anoka player piano restorer shows silent films accompanied by 108-year-old photoplayer». www.startribune.com (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025 
  2. «The Photoplayer». The Deagan Resource. Consultado em 21 de abril de 2025 
  3. a b c Ord-Hume, Arthur W.J.G. (2003). Robert Palmieri, ed. Piano: An Encyclopedia 2nd ed. [S.l.]: Routledge. ISBN 0-415-93796-5 
  4. a b c d «Photo Player». American Treasure Tour Museum (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2025 
  5. «Photoplayer». Vaudeville Revue (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2025 
  6. «What is a photoplayer?». Encyclopaedia of Australian Theatre Organs. Consultado em 26 de dezembro de 2008 
  7. a b c d e f Ord-Hume, Arthur W.J.G. (2003). Robert Palmieri, ed. Piano: An Encyclopedia 2nd ed. [S.l.]: Routledge. ISBN 0-415-93796-5 
  8. a b c d Marks, Sam (4 de dezembro de 2022). «The Photoplayer: An Everything Instrument». Retrospect Journal (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025