Operação Verano

Operação Verano
Revolução Cubana

O presidente Fulgencio Batista olhando para um mapa da Serra Maestra, onde o Movimento 26 de Julho estava escondido.
Data28 de junho de 19588 de agosto de 1958
LocalColinas da Serra Maestra, Cuba
DesfechoVitória rebelde
  • O governo fracassa em destruir os rebeldes
  • Desmoralização do exército
  • Os rebeldes lançam uma contra-ofensiva
Beligerantes
Movimento 26 de Julho Exército Constitucional de Cuba
Comandantes
Fidel Castro
René Latour 
Che Guevara
Eulogio Cantillo
Alberto del Río Chaviano
Unidades
300 homens 12.000 homens
Baixas
27 mortos 207 mortos
30 feridos
240 capturados

A Operação Verano (em castelhano: Operación Verano, "Operação Verão") foi o nome dado à ofensiva de verão de 1958 pelo governo de Fulgencio Batista durante a Revolução Cubana, conhecida pelos rebeldes como La Ofensiva. A ofensiva foi planejada para esmagar o exército revolucionário de Fidel Castro, que vinha se fortalecendo na região da Serra Maestra desde sua chegada a Cuba a bordo do iate Granma em dezembro de 1956. A ofensiva encontrou resistência, notadamente na Batalha de La Plata e na Batalha de Las Mercedes. O fracasso em destruir o exército rebelde deixou o exército cubano desanimado e desmoralizado. Fidel encarou isso como uma vitória e logo lançou sua própria ofensiva.

Antecendentes

Ao longo de 1957, o pequeno grupo de revolucionários de Fidel Castro operou a partir de uma base nas montanhas, realizando ataques de surpresa contra o governo de Batista. O Exército Constitucional de Cuba e a liderança política não levaram esses ataques a sério por muito tempo. A atitude de Batista mudou na primavera de 1958, quando Castro começou a ganhar reconhecimento internacional e convocou uma Greve Geral. Batista decidiu destruir o pequeno Exército Rebelde, então, em maio de 1958, o General Eulogio Cantillo recebeu a missão.

O plano do General Cantillo era usar quase todo o exército regular cubano (24 batalhões ou cerca de 20.000 homens) para cercar a Sierra Maestra, montar um bloqueio para impedir a entrada de armas e, em seguida, atacar pelo norte com 14 batalhões. Dada a real força dos rebeldes (cerca de 300 combatentes), o plano de Cantillo parecia um exagero, mas os militares cubanos superestimaram enormemente a verdadeira força de Fidel Castro, como entre 1.000 e 2.000 guerrilheiros veteranos.[1]

Batista recusou-se a alocar tantas forças para o ataque, em vez disso Cantillo recebeu apenas 14 batalhões (12.000 homens), dos quais 7.000 eram novos recrutas com pouco treinamento e pouco incentivo para lutar de fato (em combate real, os novos recrutas raramente lutavam e frequentemente não faziam nada). Dado o fato de que Batista perderia o controle do país devido ao fracasso da ofensiva, essa decisão foi ruim. Outra decisão ruim foi dividir o controle operacional entre dois generais, Cantillo e o ineficaz (mas politicamente bem relacionado) General Alberto del Río Chaviano. Chaviano não fez nada para ajudar na campanha e frequentemente reclamava dos fracassos de Cantillo.[1]

As tropas de Fidel conheciam bem o terreno e montaram campos minados e posições defensivas ao longo das principais rotas por onde esperavam que o exército atacasse. Fidel tinha excelente conhecimento da localização do exército e dos seus planos. Ele também contava com o apoio de camponeses locais, que ajudaram na transmissão de informações sobre as tropas de Cantillo e arriscaram suas vidas para esconder suprimentos dos rebeldes.[1]

A batalha

O primeiro ataque ocorreu em 28 de junho de 1958, partindo do Engenho de Açúcar Estrada Palma. Este ataque foi interrompido por uma emboscada das tropas de Che Guevara. Carros blindados que saíram da estrada colidiram com um campo minado previamente instalado. O exército começou a recuar enquanto as tropas de Che continuavam a atirar. O exército perdeu 86 homens, enquanto as tropas de Che perderam 3.

Mapa mostrando os principais locais da Revolução Cubana, 1958.

Em 11 de julho, o exército desembarcou o Batalhão 18 na foz do Rio de La Prata. Essa ação é às vezes chamada de Batalha de La Plata ou Batalha de Jigüe. A ideia era cercar as defesas de Fidel Castro nas montanhas do Pico Turquino. Os soldados cubanos (a maioria novos recrutas) foram novamente emboscados pela guerrilha e logo cercados e imobilizados. Um segundo batalhão desembarcou para tentar ajudar, mas foi detido na praia. Um terceiro batalhão (número 17) foi enviado para ajudar, mas encontrou outra parte das forças rebeldes e não conseguiu romper os bloqueios de estrada. Depois de mais de uma semana, em 21 de julho, o Batalhão 18 se rendeu: 40 mortos, 30 feridos e 240 prisioneiros. As tropas rebeldes perderam apenas três de seus homens.

O General Cantillo decidiu retirar o Batalhão 17, mas planejava transformar a retirada em uma armadilha caso Fidel decidisse seguir os soldados em retirada. Isso resultou na Batalha de Las Mercedes. O Exército Rebelde, pela primeira vez, foi apanhado pela armadilha e mais de 70 foram mortos nos dois primeiros dias de combate, incluindo um importante líder rebelde, René Ramos Latour. Fidel conseguiu tirar seu exército da armadilha iniciando negociações com o General Cantillo e Batista. Em 8 de agosto, todas as forças rebeldas haviam escapado e a ofensiva do governo havia terminado.

Consequências

Ao tentar, sem sucesso, destruir o exército guerrilheiro de Fidel Castro, o governo Batista pareceu fraco e ineficaz, devastando o moral do exército cubano. A maioria dos oficiais subalternos, após uma luta extenuante, ficou indignada com a negociação de Cantillo. O sucesso de Fidel veio justamente quando o exército regular, após ter lutado bem pela primeira vez na campanha, parecia finalmente ter a vantagem.[1] Animado com o fracasso do governo, Fidel Castro partiu para a ofensiva e, em quatro meses, assumiu o controle de Cuba.[1]

Ver também

Referências

  1. a b c d e Bockman, Larry James (1 de abril de 1984). «The Spirit Of Moncada: Fidel Castro's Rise To Power, 1953 - 1959». Global Security. Marine Corps Command and Staff College (em inglês). Consultado em 18 de outubro de 2025 

Bibliografia