Operação Carbono Oculto

Operação Carbono Oculto foi uma operação da Receita Federal do Brasil e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para atuar contra um grupo criminoso que usava fintechs para lavagem de dinheiro em 28 de agosto de 2025.[1][2]

Uma dessas instituições, apontada como "banco paralelo" do esquema, movimentou mais de 46 bilhões de reais não rastreáveis entre 2020 e 2024.[1] A Polícia Federal também participou da operação.[3]

É a maior operação contra o crime organizado da história do país, segundo a Receita Federal e o MPSP.[4]

Investigações e alvos

As investigações apontam que a organização criminosa funcionava em elos da cadeia de combustíveis, desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final, e diversas empresas, parte delas operadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras organizações criminosas.[1] Cerca de 1.000 postos de combustíveis em dez estados movimentaram 52 bilhões de reais entre 2020 e 2024, a maioria para lavagem de dinheiro. Eles recebiam dinheiro em espécie ou via maquininhas de cartão para tornar o dinheiro do crime lícito e devolvê-lo ao PCC. O recolhimento de tributos no período também foi muito baixo e incompatível com suas atividades.[5]

Os principais alvos da operação foram Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, ligados a empresa Aster e Copape, Marcelo Dias de Moraes presidente da Bankrow Instituição de Pagamento e Camila Cristina de Moura Silva, diretora financeira da BK, fintech apontada como "banco paralelo" do esquema de adulteração de combustíveis com metanol, Lucas Tomé Assunção, contador vinculado à GGX Global Participações, empresa dona de 103 postos de gasolina, José Carlos Gonçalves, "Alemão", apontado por ligação com o PCC, e Marcello Ognibene da Costa Batista, contador de múltiplas empresas com indícios de fraude societária.[6]

Os três postos oficiais do clube de futebol Corinthians aparecem na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em nome de Pedro Furtado, Himad Mourad e Luiz Ernesto Franco, investigados pela Operação Carbono Oculto.[7]

As investigações destacam o uso estratégico de fundos de investimento e suas administradoras e gestoras como pilares centrais para a ocultação da verdadeira titularidade dos negócios e a lavagem de dinheiro. A organização criminosa utilizava centenas de empresas em diversos setores e estados, empregando "empresas de fachada" e "laranjas" para mascarar os verdadeiros controladores e beneficiários.[8]

Uma denúncia enviada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal, em 17 de novembro de 2025, aponta que quatro fundos, investigados por ligação com o PCC, aparecem em suspeita de fraude do Banco Master e são administrados pela Reag DTVM, empresa do setor financeiro que foi alvo da Operação Carbono Oculto.[9] A suspeita de fraude praticada pelo Banco Master pode envolver 11,5 bilhões de reais no período de julho de 2023 e julho de 2024.[10]

Desdobramentos

Em 25 de setembro, o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal realizaram a Operação Spare, um desdobramento da Operação Carbono Oculto, para mirar o esquema do PCC nos setores de combustíveis e de jogos de azar nas cidades do estado de São Paulo.[11] A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo, que investigam a a movimentação financeira de uma rede de cerca de 60 motéis do PCC no mesmo estado, revelaram que os artigos de luxo milionários, como iate, Lamborghini e helicópteros, foram comprados pelos sócios parceiros do crime organizado.[12]

Ver também

Referências

  1. a b c «PCC e Faria Lima: esquema com "banco paralelo" movimentou R$ 46 bi». Metrópoles. 28 de agosto de 2025. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  2. Bruno Tavares (28 de agosto de 2025). «Megaoperação com 1.400 agentes mira esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis, com 350 alvos; R$ 7,6 bi foram sonegados». G1. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  3. «Veja as instituições do mercado financeiro que são alvo da operação da PF». CNN Brasil. 28 de agosto de 2025. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  4. Leonardo Amaro (28 de agosto de 2025). «Megaoperação desmonta esquema com combustíveis que envolve PCC e Faria Lima». Metrópoles. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  5. «Carbono Oculto: as principais distribuidoras de combustível usadas pelo PCC». Uol. 30 de agosto de 2025. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  6. «Saiba quem são os alvos da megaoperação que envolve PCC e Faria Lima». Metróples. 28 de agosto de 2025. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  7. «Postos do Corinthians pertencem a alvos de megaoperação contra o PCC; clube diz que licenciou a marca e acompanha investigações». G1. 6 de outubro de 2025. Consultado em 6 de outubro de 2025 
  8. Beto Souza. «Esquema do PCC no setor de combustíveis: veja quem são os principais alvos». CNN Brasil. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  9. Cláudia Bomtempo, Fernanda Vivas e Reynaldo Turollo Jr (9 de janeiro de 2026). «Quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado aparecem em suspeita de fraude do Banco Master». G1. Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  10. Valdo Cruz (31 de dezembro de 2025). «Nova suspeita de fraude do Banco Master envolve fundos da Reag, alvo da operação Carbono Oculto». G1. Consultado em 10 de janeiro de 2026 
  11. Bruno Tavares, Leonardo Rinaldi e André Graça (25 de setembro de 2025). «Operação mira esquema do PCC no setor de combustíveis em SP; 25 mandados são cumpridos». G1. Consultado em 25 de setembro de 2025 
  12. Rodrigo Rodrigues (25 de setembro de 2025). «Iate, Lamborghini e helicópteros: compra de artigos de luxo milionários levantou suspeita sobre motéis do PCC em SP». G1. Consultado em 25 de setembro de 2025