Omer Bartov
| Omer Bartov | |
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| Nascimento | 17 de abril de 1954 Ein HaHoresh, Israel |
| Nacionalidade | Israelense Americano |
| Cidadania | Israel, Estados Unidos |
| Progenitores | |
| Alma mater | Universidade de Tel-Aviv |
| Ocupação | Historiador |
| Principais trabalhos |
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| Distinções |
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| Empregador(a) | Universidade Brown, Universidade Harvard |
| Filiação | |
| Página oficial | |
| [Perfil na Universidade de Brown] | |
Omer Bartov (em hebraico, עֹמֶר בַּרְטוֹב; Ein HaHoresh, 17 de abril de 1954) é um historiador contemporâneo israelense, professor de História Europeia e Estudos Alemães na Universidade Brown, Estados Unidos.[1][2] Especializou-se no estudo do Holocausto (Shoah), em particular sobre o papel da Wehrmacht nos territórios do Leste Europeu.[3] Seu ensaio sobre o Exército de Hitler,[4] publicado em 1991 e traduzido em várias línguas, é uma obra de referência.[5]
É filho do famoso escritor israelense Hanoch Bartov.[5] Entre as suas principais influências estão os professores Saul Friedländer, da Universidade de Tel-Aviv, e Dr. Tim Mason, da Universidade de Oxford.[5] Fora da academia, além do seu pai, Omer apontou a escritora Ilona Karmel, que é uma sobrevivente do Holocausto.[5]
Biografia
Nascido no kibutz Ein HaHoresh, na região de Sharon (Israel), Israel, em uma família judia originária de Boutchach, na Ucrânia, de onde emigrou para o Mandato da Palestina na década de 1930, Omer Bartov recebeu sua educação na Universidade de Tel-Aviv e no St Antony's College da Universidade de Oxford (1983).[1] Tornou-se então professor da Universidade Harvard, diretor de estudos da Maison des Sciences de l'Homme, em Paris; depois, professor da Universidade Rutgers e da Universidade Brown. É membro da Academia Americana de Artes e Ciências desde 2005.
Como estudioso da Segunda Guerra Mundial, Bartov argumentou contra o mito de uma Wehrmacht de mãos limpas, um estereótipo que fazia do exército de Hitler uma entidade politicamente neutra, com pouca suspeita de crimes de guerra ou crimes contra a humanidade. Em suas obras A Frente Oriental, 1941-1945 e O Exército de Hitler, ele demonstrou que, ao contrário, o exército do Terceiro Reich, com sua "disciplina pervertida"[6] foi uma instituição essencialmente nazista e que desempenhou um papel crucial no assassinato de judeus nos territórios ocupados da União Soviética.
Bartov é considerado um dos líderes, no seu campo de pesquisa. O jornal nova-iorquino The Forward o vê como um dos principais pesquisadores da história dos judeus da Galícia.[7]
Analisando as ligações entre guerra total e genocídio, é autor de Murder in Our Midst, Mirrors of Destruction e Germany's War and the Holocaust. Em The "Jew" in Cinema: From The Golem to Don't Touch My Holocaust, ele investiga a reciclagem de representações antissemitas através do cinema.
Posições acerca da política de Israel nos Territórios Ocupados
Em agosto de 2023, Omer Bartov assumiu uma posição contra a política do Estado de Israel nos territórios ocupados, ao assinar, juntamente com mais de 1.500 acadêmicos e figuras públicas israelenses e palestinas, uma carta aberta segundo a qual Israel estava aplicando "um regime de apartheid" nos Territórios Palestinos Ocupados[8].
Em novembro de 2023, ele ainda considerava que não havia prova de genocídio: em sua opinião, a intenção genocida já havia sido estabelecida, mas ainda havia tempo para impedir que Israel permitisse que suas ações degenerassem em genocídio.[9].
Mas em agosto de 2024, Omer Bartov afirmou, em artigo de opinião publicado pelo jornal inglês The Guardian, que pelo menos desde a ofensiva em Rafah, em 6 de maio de 2024, durante a Guerra de Gaza, Israel estava "envolvido em crimes de guerra sistemáticos, crimes contra a humanidade e atos genocidas".[10] Nele, ele traça um paralelo entre a retórica de doutrinação disseminada dentro da exército alemão durante a guerra contra a URSS e a retórica de doutrinação do exército israelense para a Guerra de Gaza.[5][11].
Em 15 de julho de 2025, Bartov publicou outra coluna, intitulada "I'm a Genocide Scholar. I Know It When I See It", no jornal The New York Times, na qual ressalta que, no caso da Palestina, a natureza intencional da destruição de um grupo nacional - definição de genocídio - foi expressa publicamente por muitas autoridades e líderes israelenses. Ele afirma que, na esteira desse genocídio, o aumento da intolerância, do ódio racial, do populismo e do autoritarismo ameaça os valores universais, e que o genocídio nazista é constantemente invocado pelo governo israelense para ocultar os crimes de seu exército. Por tudo isso, ele expressou o temor de que, como resultado, a memória da Shoah possa perder seu caráter de chamado à justiça universal e alerta para toda a humanidade[12][13][14][15].
Publicações selecionadas
Obras traduzidas para o francês
- L'Armée d'Hitler. La Wehrmacht, les nazis et la guerre, Paris, Hachette Littératures, « Pluriel », 1999ISBN 2-01-279151-4.
- Anatomie d'un génocide. Vie et mort dans une ville nommée Buczacz, Paris, Plein Jour, 2021 ISBN 978-2-37067-056-4.
Livros em inglês
- The Eastern Front, 1941-1945: German Troops and the Barbarization of Warfare, Palgrave Macmillan, 2001.
- « Historians on the Eastern Front Andreas Hillgruber and Germany's Tragedy », dans Tel Aviver Jahrbuch für deutsche Geschichte, volume 16, 1987, p. 325-345.
- Hitler's Army: Soldiers, Nazis, and War in the Third Reich, Oxford Paperbacks, 1992.
- Murder in Our Midst: The Holocaust, Industrial Killing, and Representation, Oxford University Press, 1996.
- Mirrors of Destruction: War, Genocide, and Modern Identity, Oxford University Press, 2002.
- Germany's War and the Holocaust: Disputed Histories, Cornell University Press, 2003.
- The “Jew” in Cinema: From The Golem to Don't Touch My Holocaust, Indiana University Press, 2005.
- Erased: Vanishing Traces of Jewish Galicia in Present-Day Ukraine, Princeton University Press, 2007 ISBN 978-0-691-13121-4. Paperback 2015 ISBN 9780691166551.[16]
- Anatomy of a Genocide: The Life and Death of a Town Called Buczacz, New York, Simon & Schuster, 2018. 400 s. ISBN 1451684533, 978-1451684537.
Prêmios e honrarias
- Fellow, Center for Advanced Study in the Behavioral Sciences, Stanford University, Califórnia.
- Berlin Prize Fellowship, American Academy em Berlim, semestre da primavera de 2007.[17]
- Membro da Academia Americana de Artes e Ciências, (2005).[18]
- Convidado do Director Fellowship, International Research Center for Cultural Studies (IFK), Viena (Junho de 2004)
- Bolsa John Simon Guggenheim (2003–2004).
- Radcliffe Institute for Advanced Study Fellow, Harvard University (2002–2003).
- National Endowment for the Humanities Fellowship for University Teachers (1996-1997).
- Fraenkel Prize in Contemporary History do Institute for Contemporary History and Wiener Library, Londres, pelo livro Murder in Our Midst (1995).
- Raoul Wallenberg Professor de Direitos Humanos e Senior Fellow, Rutgers Center for Historical Analysis, Rutgers University (1992–94).
- Diretor de Estudos, Maison des Sciences de l'Homme, Paris (1990).
- Junior Fellow, Society of Fellows, Universidade Harvard (1989-1992).
- Bolsa do Governo Francês na Biblioteca Nacional, Paris (1988).
- Alexander von Humboldt Fellow, Alemanha e França (1985–86, 1987, 1990, 1994).
- Bolsa do Governo Francês na Escola de Idiomas FIAP em Paris (1985).
- Visiting Fellow, Davis Center for Historical Studies, Princeton University (1984)
- Bolsa da Fundação Rothschild em apoio aos estudos na Universidade de Oxford (1981-1982).
- Bolsa de Pesquisa, Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), para trabalho em arquivos alemães (1981).
- Research Fellowship, German Historical Institute, Londres, para trabalho em arquivos alemães (1980).
- President's Fellowship, Universidade de Tel-Aviv, Israel, em apoio ao ensino na Universidade de Oxford (1980–1983).
- Bolsa Fulbright para estudos como candidato a Ph.D. na Universidade de Stanford (1979).
- Bolsa DAAD no Goethe Institute em Murnau, Baviera, Alemanha (1979).
- Certificado de Mérito Excepcional do Reitor da Universidade de Tel-Aviv (1978).
- Certificado de Mérito Excepcional do Reitor da Universidade de Tel-Aviv (1977).
Notas e referências
- ↑ a b «Bartov, Omer». Samuel Pisar Professor of Holocaust and Genocide Studies (em inglês). Consultado em 18 de setembro de 2022
- ↑ «Omer Bartov». Brown University: Department of History (em inglês). Consultado em 18 de setembro de 2022
- ↑ Bartov, Omer (2001). The Eastern Front, 1941-45: German Troops and the Barbarisation of Warfare (em inglês) 2ª ed. Houndmills, Basingstoke: Palgrave. 244 páginas. ISBN 978-0333949443. OCLC 45951618
- ↑ Bartov, Omer (1991). Hitler's Army: Soldiers, Nazis, and War in the Third Reich (em inglês). Nova York: Oxford University Press. 256 páginas. ISBN 978-0195079036. OCLC 22491726
- ↑ a b c d e Shadursky, Claudia (5 de maio de 2021). «Omer Bartov: "I feel a particular responsibility for understanding the history of the Jewish people"». UJE - Ukrainian Jewish Encounter (em inglês). Consultado em 18 de setembro de 2022
- ↑ Bartov, Omer (1999). «L'armée Hitler. La Wehrmacht, les nazis et la guerre [compte-rendu]». Politique étrangère (em francês). 64º ano (3): 750. Consultado em 18 de setembro de 2022
- ↑ Cohen, Joshua (12 de dezembro de 2007). «Tracing Galicia: A Talk With Omer Bartov». The Forward (em inglês). Consultado em 18 de setembro de 2022
- ↑ McGreal, Chris (15 de agosto de 2023). «US Jews urged to condemn Israeli occupation amid Netanyahu censorship». The Guardian
- ↑ «Opinion | What I Believe as a Historian of Genocide». The New York Times. 10 de novembro de 2023
- ↑ Bartov, Omer (13 de agosto de 2024). «As a former IDF soldier and historian of genocide, I was deeply disturbed by my recent visit to Israel». The Guardian
- ↑ Bartov, Omer (5 de setembro de 2024). «Un historien du génocide face à Israël». Orient XXI
- ↑ Bartov, Omer (15 de julho de 2025). «Opinion: | I'm a Genocide Scholar. I Know It When I See It.». The New York Times. ISSN 0362-4331
- ↑ Bartov, Omer; Wakin, Daniel J. (23 de julho de 2025). «A Genocide Scholar on the Case Against Israel». The New York Times
- ↑ Azzouzi, Rachida El (29 de junho de 2025). «Omer Bartov et Rafaëlle Maison : « Il faudra des générations à Israël pour reconnaître le génocide de Gaza »». Mediapart
- ↑ Inskeep, Steve (17 de julho de 2025). «Historian Omer Bartov on why he believes Israel is committing genocide in Gaza». NPR
- ↑ «Bartov, O.: Erased: Vanishing Traces of Jewish Galicia in Present-Day Ukraine (eBook, Paperback and Hardcover)». press.princeton.edu. 20 de outubro de 2016
- ↑ Omer Bartov, site de Yad Vashem.
- ↑ Book of Members, Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos.
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