Non finito

Non finito é uma técnica de escultura que significa que a obra está inacabada. De origem italiana, significa literalmente "não terminado". As esculturas non finito parecem inacabadas porque o artista esculpe apenas parte do bloco, com a figura às vezes parecendo estar presa dentro do bloco de material. Foi introduzido por Donatello durante o Renascimento e também foi usado por Michelangelo, entre outros.[1]
As origens filosóficas da prática do non finito remontam à Antiguidade e às teorias de Platão. A filosofia platónica afirma que qualquer obra de arte, ou de qualquer outra natureza, jamais se assemelha completamente à sua contraparte celestial. O ato de deixar uma obra inacabada é, por vezes, uma homenagem neoplatónica a essa ideia.[1] No caso dos antigos romanos, os artistas assinavam as suas obras com o verbo faciebat (terceira pessoa do singular do imperfeito do indicativo ativo de faciō). Esse verbo, seguido do nome do artista, o identificava como tal, mas indicava a obra como inacabada (non finito). Alguns artistas, contudo, assinavam as suas obras dessa forma mesmo quando estas já haviam sido refinadas ao máximo, como quando Michelangelo assinou a sua famosa escultura Pietá, a única escultura que ele assinou.[2]
Referências
- ↑ a b Angier, Jeremy (7 de maio de 2001). «The Process of Artistic Creation in Terms of the Non-finito». New York Academy of Art. Consultado em 10 de julho de 2020
- ↑ Goffen, Rona (2002). Renaissance Rivals: Michelangelo, Leonardo, Raphael, Titian (em inglês). [S.l.]: Yale University Press. 116 páginas. ISBN 978-0-300-10589-6
Leitura complementar
- Tononi, Fabio, “The Problem of the Unfinished and the Shaping of the Canon of Finiteness in the Italian Renaissance”, The Edgar Wind Journal (em inglês), Vol. 1 (2021), pp. 86–127.
- Tononi, Fabio, “Aesthetic Response to the Unfinished: Empathy, Imagination and Imitation Learning”, Aisthesis: Pratiche, linguaggi e saperi dell’estetico (em inglês), 13: 1 (2020), pp. 135–153.