Nightmare Alley (1947)
Nightmare Alley
| |
|---|---|
| No Brasil | O Beco das Almas Perdidas |
| Estados Unidos 1947 • pb • 111 min | |
| Gênero | noir |
| Direção | Edmund Goulding |
| Produção | George Jessel |
| Roteiro | Jules Furthman |
| Baseado em | Nightmare Alley, de William Lindsay Gresham |
| Elenco | Tyrone Power Joan Blondell Coleen Gray Helen Walker |
| Música | Cyril J. Mockridge |
| Cinematografia | Lee Garmes |
| Edição | Barbara McLean |
| Distribuição | 20th Century-Fox |
| Idioma | inglês |
Nightmare Alley (bra: O Beco das Almas Perdidas[1]) é um film noir estadunidense de 1947 dirigido por Edmund Goulding a partir de um roteiro de Jules Furthman.[2] Baseado no romance homônimo de 1946 de William Lindsay Gresham, o filme é estrelado por Tyrone Power, com Joan Blondell, Coleen Gray e Helen Walker em papéis de apoio. Desejando se afastar dos papéis românticos e de capa e espada que o tornaram famoso, Power pediu ao chefe do estúdio 20th Century-Fox, Darryl F. Zanuck, que comprasse os direitos do livro para que pudesse interpretar o anti-herói conhecido como "The Great Stanton", um ambicioso apresentador de carnaval.[3]
O filme estreou nos Estados Unidos em 9 de outubro de 1947 e foi lançado em circuito amplo em 28 de outubro do mesmo ano, chegando posteriormente à Europa, onde teve seis lançamentos entre novembro de 1947 e maio de 1954.
Segundo o comentário em áudio de Alain Silver e James Ursini, Nightmare Alley foi incomum dentro do film noir por contar com astros de primeira linha, equipe técnica renomada e um orçamento relativamente alto. Apesar de não ter sido um sucesso financeiro em seu lançamento original, a obra foi reavaliada com o tempo, recebendo aclamação crítica e sendo considerada hoje um clássico do gênero.
Enredo
O filme acompanha Stanton “Stan” Carlisle (Tyrone Power), um ambicioso jovem que trabalha em um circo itinerante. Fascinado pelos truques de leitura mental de Zeena (Joan Blondell) e seu marido alcoólatra Pete, Stan aprende os códigos secretos usados para simular poderes psíquicos. Quando Pete morre tragicamente, Stan vê uma oportunidade e passa a explorar esses truques por conta própria.
Casando-se com a colega Molly (Coleen Gray), ele abandona o circo e cria um espetáculo sofisticado em clubes de elite, alcançando fama como médium e “vidente”. Ambicioso, começa a enganar pessoas ricas com falsas sessões espíritas, auxiliado pela psicóloga Lilith Ritter (Helen Walker), que grava suas confissões e manipula Stan.
No auge, tenta realizar o perigoso “número do fantasma” para um magnata, mas o plano fracassa. Traído por Lilith e rejeitado por Molly, Stan entra em declínio, perdendo tudo. No final, completamente arruinado, ele aceita trabalhar em um circo novamente — desta vez como o “geek”, atração degradante em que o artista morde cabeças de galinha para entreter o público.
Elenco
- Tyrone Power como Stanton "Stan" Carlisle
- Joan Blondell como Zeena Krumbein
- Coleen Gray como Molly Carlisle
- Helen Walker como Lilith Ritter
- Taylor Holmes como Ezra Grindle
- Mike Mazurki como Bruno
- Ian Keith como Pete Krumbein
Produção
O ator Tyrone Power, desejando expandir além dos papéis românticos e swashbuckler que o trouxeram à fama, solicitou ao chefe de estúdio da 20th Century Fox, Darryl F. Zanuck, que comprasse os direitos do romance para que ele pudesse estrelá-lo. A Fox pagou US$ 50.000 em setembro de 1946 pelos direitos do romance de William Lindsay Gresham, e foi contratado como consultor para ajudar o roteirista Jules Furthman embora a extensão de sua contribuição para o roteiro não seja clara.[4]
Em novembro de 1946, foi relatado que Mark Stevens e Anne Baxter estrelariam o filme e William Keighley seria o diretor. Em janeiro de 1947, Lloyd Bacon era o diretor relatado. Para tornar o longa-metragem mais crível, os produtores construíram um parque de diversões completo em dez acres (40.000 m²) do estúdio da 20th Century Fox. Eles também contrataram mais de 100 atrações de espetáculos secundários e pessoas do parque de diversões para adicionar ainda mais autenticidade.[4] As filmagens também ocorreram na Feira do Condado de San Diego, em Del Mar, Califórnia.[5] O final ligeiramente otimista, mas um tanto sombrio e ambíguo do filme foi adicionado pelo roteirista Furthman sob a direção de Zanuck, suavizando o final duro da obra original para fins comerciais.
Recepção
No lançamento original, Nightmare Alley recebeu críticas mistas e foi um fracasso de bilheteira.[3] O The New York Times considerou que o filme tratava de forma pouco recompensadora um tema moral sombrio, apesar das boas atuações de Tyrone Power e do elenco.[6] Já a Variety elogiou a força do enredo e destacou a performance de Joan Blondell, Coleen Gray e Helen Walker.[7]
Críticos como James Agee, em The Nation e na Time, ressaltaram o equilíbrio de Edmund Goulding entre dureza e solenidade, bem como a solidez do elenco, especialmente Joan Blondell e Tyrone Power.[8][9] Posteriormente, estudiosos como Eddie Muller destacaram sua singularidade dentro do film noir, por não conter gângsteres ou tiroteios, mas explorar a ambição e o fracasso ligados ao “sonho americano”.[10]
Mais tarde, críticos como Pauline Kael, Leslie Halliwell e Leonard Maltin reconheceram o valor artístico do filme, elogiando a originalidade do material e a força do elenco.[11][12][13] Hoje, Nightmare Alley é visto como "uma das joias do noir"[14] e uma das melhores atuações de Power. O Rotten Tomatoes atribui retrospectivamente ao filme 88% de aprovação, com nota média de 7,7/10 sob o consenso: "Atuando contra o tipo com Nightmare Alley, Tyrone Power e Edmund Goulding entregam alguns de seus melhores trabalhos em um noir ambientado em um carnaval, sem medo de mostrar o verdadeiro desespero".[15]
Adaptação de 2021
Em 12 de dezembro de 2017, a Fox Searchlight Pictures anunciou que Guillermo del Toro dirigiria uma nova adaptação do romance, coescrevendo o roteiro com Kim Morgan.[16] Em abril de 2019, Leonardo DiCaprio estava negociando para estrelar o filme de del Toro.[17] No mês de agosto de 2019, foi relatado que Cate Blanchett estava negociando para coestrelar com Bradley Cooper no filme.[18] Em 4 de setembro do mesmo ano, Rooney Mara foi escalada para o filme. As filmagens começaram em janeiro de 2020 e a produção terminou em dezembro de 2020. O filme foi lançado em 17 de dezembro de 2021.
O remake expande a narrativa, com 40 minutos a mais de duração e uma reestruturação que inicia em tom sombrio e simbólico. Com estética art déco e fotografia desaturada, o filme enfatiza a violência gráfica como a brutalidade do espetáculo do geek e retrata Stan (Bradley Cooper) como um anti-herói trágico cujo destino é inevitável. Diferente do original, o desfecho não aponta para reconciliação, mas para a condenação total, marcada pela frase final: “I was born for it”.[19][20] Esta nova versão recebeu análises positivas da crítica especializada mas assim como a primeira versão não foi bem em bilheteria.[21][22]
Leitura adicional
- Hoberman, J. (25 de Janeiro de 2000). «Side Shows». The Village Voice
Referências
- ↑ «O Beco das Almas Perdidas». Brasil: AdoroCinema. Consultado em 20 de setembro de 2025
- ↑ Crump, Andy (9 de agosto de 2015). «The 100 Best Film Noirs of All Time». Paste. Consultado em 9 de agosto de 2015. Arquivado do original em 12 de agosto de 2015
- ↑ a b Muller, Eddie (5 de maio de 2019). Turner Classic Movie. Em cena em Introdução da apresentação do filme
- ↑ a b «Nightmare Alley». AFI|Catalog. Consultado em 10 de setembro de 2025
- ↑ Wilson, Scott (5 de setembro de 2016). Resting Places: The Burial Sites of More Than 14,000 Famous Persons, 3d ed. (em inglês). [S.l.]: McFarland. p. 492. Consultado em 10 de setembro de 2025
- ↑ Pryor, Thomas M. (10 de outubro de 1947). "Nightmare Alley", The New York Times, crítica. Página acessada em 11 de março de 2008.
- ↑ Fisk (15 de outubro de 1947). "Nightmare Alley", Variety. Página acessada em 2 de dezembro de 2015.
- ↑ Agee, James (1969). Agee on Film Volume 1. [S.l.]: The Universal Library
- ↑ Agee, James (2000). «Agee on Film: Criticism and Comment on the Movies». Time. New York: Modern Library. p. 369
- ↑ Muller, Eddie (2021). Dark City: The Lost World of Film Noir. [S.l.]: Running Press. ISBN 978-0-7624-9896-3
- ↑ Kael, Pauline (1991). 5001 Nights at the Movies. [S.l.]: A William Abrahams/Owl Book. ISBN 0-8050-1366-0
- ↑ Halliwell, Leslie (1989). Halliwell's Film Guide 7th ed. [S.l.]: Grafton Books. ISBN 0-06-016322-4
- ↑ Maltin, Leonard (2015). Leonard Maltin's Classic Movie Guide 3rd ed. [S.l.]: Plume Book. ISBN 978-0-14-751682-4
- ↑ Zacharek, Stephanie. «Nightmare Alley (1947)». Turner Classic Movies Database. Consultado em 2 de dezembro de 2015
- ↑ «Nightmare Alley». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2025
- ↑ Kroll, Justin (12 de dezembro de 2017). «Guillermo del Toro Taps Scott Cooper for 'Antlers' and Sets New Project 'Nightmare Alley' (EXCLUSIVE)». Variety (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ Kroll, Justin (23 de abril de 2019). «Leonardo DiCaprio in Talks to Star in Guillermo del Toro's 'Nightmare Alley' (EXCLUSIVE)». Variety (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ Kroll, Justin (2 de agosto de 2019). «Cate Blanchett Eyes Guillermo del Toro's 'Nightmare Alley' With Bradley Cooper (EXCLUSIVE)». Variety (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ Sokol, Tony (5 de fevereiro de 2022). «Nightmare Alley (2021) vs. Nightmare Alley (1947): What Are the Differences?». Den of Geek (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ Meyer, Joshua (27 de agosto de 2022). «All The Major Differences Between Guillermo Del Toro's Version Of Nightmare Alley And The 1947 Original». SlashFilm (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ «Nightmare Alley (2021)». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ Crabb, Jeremy (20 de dezembro de 2021). «Why Guillermo Del Toro's Nightmare Alley Flopped So Hard». ScreenRant (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025