Nicandra physalodes

Nicandra physalodes

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Ordem: Polemoniales
Família: Solanaceae
Género: Nicandra
Espécie: N. physalodes
Nome binomial
Nicandra physalodes
(L.) Gaertn.

Nicandra physalodes é uma espécie de planta com flor, pertencente à família das solanáceas e ao tipo fisionómicos dos hemicriptófitos. [1]

A autoridade científica da espécie é (L.) Gaertn., tendo sido publicada em De Fructibus et Seminibus Plantarum...2: 237. 1791.[2]

Embora se assemelhe a várias espécies do género Physalis, devido ao formato cálice que envolve o fruto, esta espécie não se confunde, nem pertence ao referido género botânico[3] e os seus frutos não são comestíveis.[4]

Descrição

Esta espécie é uma erva anual, glabra e mais ou menos robusta.[1] Pauta-se pelos caules que podem medir até 150 cm.[5]

Do que toca às folhas estas apresentam um feitio que varia entre o ovado e o obtuso. Por sinal, são folhas pecioladas, irregularmente lobadas ou sinuadas.[5]O limbo da folha pode medir até 175 por 130 mm, tem um feitio atenuado, e sobressai pela nervação marcada, pelo menos na página inferior, contando ainda com cílios curtos e dispersos na margem da folha.[5] Quanto ao pecíolo, este pode medir até 110 mm.[5]

Relativamente às inflorescências, esta espécie vê-se reduzida a uma única flor, por sinal axilar. As flores desta espécie são actinomorfas, hermafroditas, ebracteadas, pediceladas, e assumem uma posição, geralmente pendentes.[5] Os pedicelos das flores podem medir até 32 mm, são erectos ou erecto-patentes e caracterizam-se pelo seu revestimento glanduloso-puberulento.[5]

Quanto ao cálice, este é campanulado, com sépalas ovadas, acuminadas, sagitadas, com aurículas acuminadas, soldadas entre si pela margem interna das aurículas, conta com nervação reticulada muito marcada.[5]

A corola da flor, por sua vez, mede entre 10,5–38 mm, tem um formato campanulado, com 5 lóbulos sinuados ou muito curtos, apresentando uma vistosa coloração azulada ou lilás, por vezes com a garganta branca[6], vilosa interiormente na zona de inserção dos estames.[5]

O fruto mede cerca de 13–23 mm de diâmetro, tem um formato esférico, e uma coloração pardacenta.[5] As sementes por seu turno medem 1,5–2,2 × 1,4–1,7 mm e têm uma coloração negriça quando maduras.[5]

Distribuição

Trata-se de uma espécie originária da América do Sul, mais concretamente do Peru, Bolivia, Chile e Argentina.[7] No entanto, devido às suas qualidades ornamentais, foi distribuída pelo mundo e ora encontra-se localmente naturalizada no Sul do continente europeu, na Macaronésia, no Norte da América, na Índia, na Tanzânia, Quénia, Zimbabué, África do Sul[8], Moçambique e na Austrália.[5]

Portugal

Apesar de exótica, este espécie ocorre em Portugal Continental, nos Açores e na Madeira, como uma espécie introduzida, que se tornou subespontânea. [1]

Madeira

Particularmente no arquipélago da Madeira, sabe-se que já se encontrava introduzida e naturalizada, desde 1872, por ventura, trazida por motivos ornamentais.[6] Embora seja uma espécie pouco comum na Ilha da Madeira, marca presença nas zonas baixas e médias da Madeira, raramente se encontra fora da zona do Funchal, sobretudo, na áreas mais a oeste e litoral e em locais de média altitude como S. Martinho, Santo António, Bom Sucesso, Santa Maria Maior, entre outros. [6]

Ecologia

Orlas de campos cultivados, terrenos baldios, bermas de estradas e caminhos.

em incultos ou terras abandonadas e entulhos, sobretudo, na zona oeste e litoral e em locais de média altitude[6]

Proteção

Nicandra physaloides - MHNT

Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da União Europeia.

Cultivo

Esta espécie desenvolve-se em solo de jardim comum, mas prefere solos ricos, bem drenados e em posição soalheira. As plantas são de crescimento rápido e frequentemente semeiam-se sozinhas com facilidade.

Resistem bem a condições meteorológicas desfavoráveis.

As flores individuais têm a duração de apenas um dia, mas a planta produz uma sucessão contínua de flores desde o Verão até ao início do Outono.

Usos

Culinários e alimentares

Embora toda a planta seja venenosa[9], incluindo os frutos[4], os rebentos e folhas novas desta espécie são comestíveis se devidamente cozidas.[9]

Na Tanzânia, usam-se as folhas tenras desta espécie, picadas, bem lavadas e devidamente cozinhadas[8] para consumo, quer isoladamente, quer com outros vegetais, como o grão-de-amaranto ou feijão-frade.Também se usa, confeccionado com de leite de coco ou amendoim moído, para servir de guarnição ou acompanhamento, em pratos tradicionais como o ugali.[8]

Etnobotânicas e medicinais

A planta é diurética.[7] No âmbito da etnobotânica esta planta, quando misturada com álcool, é eficaz no tratamento da cistite.[10]

As sementes desta planta são utilizadas na medicina tradicional tibetana, reputando-se aos preparados com elas confeccionados propriedades analgésicas, anti-helmínticas, antibacterianas, anti-inflamatórias e febrífugas.[11] Ainda no âmbito da medicina tradicional tibetana, as sementes desta espécie também chegaram a ser empregues na confecção de mezinhas usadas no tratamento de doenças contagiosas, dor de dentes, dores intestinais causadas por vermes e impotência.[11]

Na etnobotânica indiana, as folhas chegaram a ser usadas no tratamento de cortes e feridas.[12]

Na etnobotânica do Equador, chegou-se a usar água contida entre o cálice e a corola, proveniente do pedúnculo do fruto ou das folhas, como colírio para tratar problemas oculares, como conjuntivite, irritações, vermelhidão e feridas.[3]

Agroflorestais

Este espécie é, por vezes, utilizada como adubo verde, na América do Sul.[3]

Referências

  1. a b c «Nicandra physalodes - Flora-On | Flora de Portugal». flora-on.pt. Consultado em 13 de dezembro de 2025 
  2. Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 29 de setembro de 2014 <http://www.tropicos.org/Name/29602519>
  3. a b c Torre, Lucía de la, ed. (2008). Enciclopedia de las plantas útiles del Ecuador 1. ed ed. Quito : Aarhus: Herbario QCA de la Escuela de Ciencias Biológicas de la Pontificia Universidad Católica del Ecuador ; Herbario AAU del Departamento de Ciencias Biológicas de la Universidad de Aarhus. ISBN 978-9978-77-135-8 
  4. a b Kunkel, Günther (1984). Plants for human consumption: an annotated checklist of the edible phanerogams and ferns. Koenigstein: Koeltz Scientific Books. ISBN 978-3-87429-216-0 
  5. a b c d e f g h i j k «Flora Vascular - Toda la información detallada sobre la Flora Vascular | - Especie: Nicandra physalodes | BioScripts.net». www.floravascular.com. Consultado em 13 de dezembro de 2025 
  6. a b c d Silva Vieira, Rui Manuel (2002). FLORA DA MADEIRA - PLANTAS VASCULARES NATURALIZADAS NO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA. Funchal, Madeira, Portugal: Museu Municipal do Funchal. p. 169. 288 páginas. ISSN 0870-3876 
  7. a b «Nicandra physalodes - Useful Tropical Plants». tropical.theferns.info. Consultado em 13 de dezembro de 2025 
  8. a b c Kuffo, Christopher (2002). Edible Wild Plants of Tanzania (PDF). Nairobi, Quénia: Regional Land Management Unit (RELMA). p. 476. 780 páginas. ISBN 9966-896-60-0 
  9. a b «Nicandra physalodes - Useful Tropical Plants». tropical.theferns.info. Consultado em 13 de dezembro de 2025 
  10. Torre, Lucía de la, ed. (2008). Enciclopedia de las plantas útiles del Ecuador 1. ed ed. Quito : Aarhus: Herbario QCA de la Escuela de Ciencias Biológicas de la Pontificia Universidad Católica del Ecuador ; Herbario AAU del Departamento de Ciencias Biológicas de la Universidad de Aarhus. ISBN 978-9978-77-135-8 
  11. a b Tsarong, Tsewang J.; Tsarong, Tsewang J. (1994). Tibetan medicinal plants 1. ed ed. Kalimpong, WB, India: Tibetan Medical Publications. ISBN 978-81-900489-0-3 
  12. Pullaiah, T.; Bahadur, Bir; Krishnamurthy, K. V., eds. (2017). Ethnobotany of India. Volume 2: Western Ghats and west coast of peninsular India. Oakville, ON, Canada: Apple Academic Press. ISBN 978-1-77188-338-2 

Bibliografia

Ligações externas