Núcleo Cunha

Parque Estadual Serra do Mar - Núcleo Cunha
parque estadual
Localização
País Brasil
Localização Cunha, Ubatuba
Coordenadas 🌍
Dados gerais
Área 11 040,66 hectares (110,4066 km²)
Criação 1974 (52 anos)
Tipo IUCN UICN categoria II: Parque Nacional
Administração Fundação Florestal

O Núcleo Cunha é uma das áreas de administração do Parque Estadual da Serra do Mar, localizado entre os municípios de Cunha e Ubatuba, no estado de São Paulo, Brasil. Criado em 30 de agosto de 1974, o núcleo tem como objetivo proteger um importante remanescente de Mata Atlântica, abrangendo ecossistemas de floresta ombrófila densa montana e de altitude.[1]

A sede do núcleo está localizada em Cunha, a uma altitude de 1.040 metros, no alto da Serra do Mar.[2]

Território e Geografia

O Núcleo Cunha abrange uma área total de 14.000 hectares, estendendo-se do planalto no topo da Serra do Mar em Cunha até as escarpas que descem em direção ao litoral de Ubatuba. A maior parte de seu território está em Cunha, com 10.000 hectares (aproximadamente 71,5%), enquanto os 4.000 hectares restantes (aproximadamente 28,5%) estão em Ubatuba.[2]

Seus limites formam um importante corredor ecológico com outras áreas protegidas do Parque Estadual da Serra do Mar. A oeste, o Núcleo Cunha faz fronteira com o Núcleo Santa Virgínia e, a sudeste, com o Núcleo Picinguaba, sendo um elo de conexão fundamental para a fauna e flora regionais.[2][1]

O relevo é caracteristicamente serrano, com topografia acidentada, vales profundos e altitudes que variam de 950 a 1.561 metros. O solo predominante é o latossolo vermelho-amarelo, e o clima é classificado como subtropical úmido de altitude, com temperatura média anual de 16.8°C.[2]

Hidrografia

O núcleo protege importantes nascentes e cursos d'água que contribuem para a Bacia do Rio Paraíba do Sul. Os principais rios que nascem ou atravessam a área são o Rio Paraibuna e o Rio Bonito.[1] A hidrografia da região é marcada por rios de águas limpas e cristalinas, que formam diversas cachoeiras e piscinas naturais ao longo de seu percurso, sendo um dos principais atrativos do parque.[3][2]

Biodiversidade

O Núcleo Cunha é um refúgio para uma alta diversidade de espécies da Mata Atlântica, muitas das quais estão ameaçadas de extinção. A vegetação é composta principalmente por floresta ombrófila densa montana e de altitude, com trechos de floresta primária e outros em diferentes estágios de regeneração.[2]

Flora

A flora é exuberante, com árvores de grande porte e uma grande diversidade de famílias botânicas, como Myrtaceae, Proteaceae, Melastomataceae e Lauraceae. Espécies ameaçadas também são encontradas, incluindo o araucária (Araucaria angustifolia), a canela-preta (Ocotea catharinensis) e a imbuia (Ocotea porosa), além de uma grande variedade de orquídeas e bromélias.[2] A presença de matas de araucária nativas está associada a espécies de aves endêmicas, como o grimpeiro (Leptasthenura setaria), que depende da árvore para se alimentar e construir seu ninho.[2]

Fauna

A fauna local é diversificada e inclui grandes mamíferos e aves, cuja observação é um dos atrativos para os visitantes. Conforme detalhado no Plano de Manejo, muitas espécies encontradas no parque estão em listas de ameaça de extinção, como a onça-pintada (Panthera onca), a suçuarana (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardus pardalis), a lontra (Lontra longicaudis), a anta (Tapirus terrestris), o mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides), o bugio (Alouatta guariba) e aves como o papagaio-do-peito-roxo (Amazona vinacea), o macuco (Tinamus solitarius) e a jacutinga (Aburria jacutinga).[2][1]

A região do Rio Bonito é destacada no Plano de Manejo como uma área prioritária para a conservação de aves ameaçadas, como a saudade (Tijuca atra), o cuiú-cuiú (Pionopsitta pileata) e o pavó (Pyroderus scutatus).Sendo assim, é um destino especialmente procurado para observação de aves. [2]

Patrimônio Histórico e Cultural

Além da riqueza natural, o parque preserva vestígios históricos da ocupação da região. Dentro do Núcleo Cunha foram identificados e são considerados bens prioritários para conservação um conjunto de fornos de carvão, testemunhos de antigos ciclos econômicos que utilizavam a madeira da floresta para produção de carvão vegetal.[2]

Atividades e visitação

O acesso ao núcleo é feito pela Estrada Municipal do Bairro do Paraibuna, km 20. O parque funciona de quarta-feira a domingo, e a visitação requer agendamento prévio e aquisição de ingresso (R$ 19,00 por pessoa em novembro de 2025) através do site oficial de ingressos.[1]

A sede do parque conta com um Centro de Visitantes com auditório e salas de exposição. Uma das salas exibe artesanato feito com elementos da araucária, enquanto outra é voltada à conservação, com armadilhas de caça apreendidas, ossadas e espécimes de animais da região. A área externa possui um playground. Para pernoite, o núcleo oferece a Hospedaria Araucária, uma casa com capacidade para até 8 pessoas, cuja reserva é feita online.[1][3]

Para o lazer, o parque dispõe de nove trilhas para caminhada e duas para ciclismo. As trilhas de caminhada variam em dificuldade, desde a Trilha da Bica (700 m, com acessibilidade) até percursos longos e de alta dificuldade, como a Trilha Internúcleos (13,8 km, só ida) e a Trilha das Cachoeiras (14,4 km). Algumas trilhas, como a do Rio Bonito, exigem a contratação de monitores credenciados. Para o cicloturismo, existem duas rotas dedicadas: a Rota das Arapongas (12,4 km) e a Rota Paraibuna (29 km).[1]

Acesso

O acesso principal à sede do núcleo é feito pela Rodovia Vice-Prefeito Salvador Pacetti (SP-171). No quilômetro 56,5, entra-se na Estrada do Paraibuna, uma via não pavimentada de aproximadamente 20 quilômetros que leva até a portaria do parque. O parque funciona diariamente, das 8h às 17h.[1]

Principais ameaças

De acordo com o diagnóstico do Plano de Manejo, o núcleo enfrenta ameaças históricas e atuais, como a extração ilegal de palmito-juçara, a caça ilegal, o risco de incêndios florestais originados no entorno e o avanço de pastagens sobre áreas que deveriam estar em regeneração natural. O desrespeito à legislação ambiental nas propriedades do entorno continua a ser um desafio para a gestão da unidade.[2]

Referências

  1. a b c d e f g h «Parque Estadual Serra do Mar - Núcleo Cunha». Guia de Áreas Protegidas. Consultado em 3 de novembro de 2025 
  2. a b c d e f g h i j k l INSTITUTO FLORESTAL (2009). Plano de Manejo do Parque Estadual da Serra do Mar. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente 
  3. a b «Núcleo Cunha». Parque Estadual Serra do Mar. Consultado em 3 de novembro de 2025 

Ver também

Ligações externas