Mohammed Omar
Mohammed Omar ملا محمد عمر | |
|---|---|
| Chefe do Conselho Supremo do Afeganistão | |
| Período | 27 de setembro de 1996 – 13 de novembro de 2001 |
| Primeiro-ministro | Mohammad Rabbani Abdul Kabir (atuando) |
| Antecessor(a) | Burhanuddin Rabbani (Como Presidente do Afeganistão) |
| Sucessor(a) | Burhanuddin Rabbani (Como Presidente do Afeganistão) |
| Líder Supremo do Talibã | |
| Período | 1994 até 23 de Abril de 2013 |
| Antecessor(a) | Posição estabelecida |
| Sucessor(a) | Akhtar Mansour |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 1960 Kandaar, Afeganistão |
| Morte | 23 de abril de 2013 (53 anos) Karachi, Paquistão |
| Alma mater | Darul Uloom Haqqania |
| Cônjuge | 3 esposas |
| Filhos(as) | 5 ou 6 filhos, incluindo Mohammad Yaqoob |
| Religião | Islamismo sunita |
| Serviço militar | |
| Lealdade | |
| Anos de serviço | 1983 - 2013 |
| Graduação | Miralmuminim |
| Conflitos | Guerra Afegã-Soviética Guerra Civil do Afeganistão Guerra no Noroeste do Paquistão |
Mohammed Omar (em pachto: ملا محمد عمر; Nodeh, c. Kandaar, 1960 – Karachi, 23 de abril de 2013), chamado simplesmente de Mulá Omar, foi o fundador e líder do Talibã, movimento radical islâmico do Afeganistão, e chefe de Estado de facto do país de 1996 a 2001 sob o título oficial de Chefe do Conselho Supremo. Também manteve o título de Miralmuminim ("Comandante dos Fiéis"), utilizado no Emirado Islâmico do Afeganistão. Foi procurado pelas autoridades dos Estados Unidos por "dar guarida a Osama bin Laden e à sua rede terrorista Al-Qaeda nos anos que antecederam e no período durante e imediatamente posterior aos ataques de 11 de setembro."[1] Acreditava-se que estava conduzindo o Talibã em sua guerra contra o governo de Hamid Karzai e as tropas internacionais da OTAN no país a partir do Paquistão.[2]
Nascido em uma família pobre, sem ligações políticas, Omar se juntou aos Mujahideen afegãos em sua guerra contra a União Soviética e a República Democrática do Afeganistão comunista durante a década de 1980. Ele fundou o Talibã no ano de 1994 e em 1995, conquistou grande parte do sul do Afeganistão. Em setembro de 1996, o Talibã tomou Cabul, a capital do país. Durante seu mandato como emir do Afeganistão, Omar raramente deixou a cidade de Candaar e raramente se encontrou com estrangeiros. Ele era conhecido por falar pouco e viver em condições bastante simples.
Apesar de seu cargo político e de ter sido uma das pessoas mais procuradas pelo FBI (embora não presentemente na lista dos dez foragidos mais procurados)[1] pouco se sabe sobre ele e sobre sua vida. Antes de sua morte, apenas uma foto conhecida existia dele. Após sua morte, o Talibã divulgou uma foto que mostrava Omar em sua juventude em 1978.[3] Além do fato de que ele havia perdido um olho durante a guerra contra a União Soviética, relatos de sua aparência física afirmam que Omar era fortemente construído e alto, com cerca de 2 metros de altura.[4] O mulá Omar foi descrito como tímido e não falador com os estrangeiros.
Durante seu mandato como emir do Afeganistão Omar saiu poucas vezes de Candaar, e raramente se encontrou com forasteiros, preferindo confiar em seu Ministro do Exterior, Wakil Ahmed Muttawakil, para a maior parte das necessidades diplomáticas.
Segundo o governo oficial afegão em Cabul, Omar teria morrido de tuberculose em 23 de abril de 2013.[5][6]
Biografia
Quando tinha 20 anos, em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão e Omar refugiou-se com a família no Paquistão. Neste país fez estudos corânicos, mas antes de os terminar decidiu regressar ao seu país para combater os soviéticos.
Foi recrutado pela jihad, organização resistente aos soviéticos, e iniciou-se nas técnicas de guerrilha num centro controlado pela CIA, serviços secretos dos EUA, e pelos serviços secretos paquistaneses. Durante dois anos combateu os ocupantes soviéticos até que foi gravemente ferido e perdeu a vista direita. Regressou ao Paquistão e retomou os estudos.[carece de fontes]
Após a retirada dos soviéticos e a queda do regime comunista que governava o Afeganistão, em 1992 voltou a seu país de origem, afetado por uma guerra civil. Dedicou-se a apelar à oração e a ensinar o Alcorão, livro sagrado muçulmano, aos mais novos e, segundo o próprio relatou, em 1994 foi visitado pelo profeta Maomé. [carece de fontes]Ficou então incumbido de reunir os religiosos do Afeganistão e acabar com o terror, o crime, a anarquia e a imoralidade que dominava o país. Nasceu assim o regime talibã, um movimento fundamentalista destinado a fundar um Estado islâmico e que recrutava os seus militantes sobretudo entre a etnia pastó, a mesma de Omar.[carece de fontes]
Em 27 de setembro de 1996, o Talibã chegou oficialmente ao poder no Afeganistão sob a liderança de Muhammad Omar, que passou a ser conhecido como "Mulá (que significa clérigo islâmico) Omar". Nesse mesmo período Omar foi nomeado por mais de mil religiosos o líder supremo dos talibãs, o comandante dos crentes, e impôs a sua lei no território afegão, uma lei que consistia em uma interpretação própria e extremista da Sharia, lei máxima do Islamismo.[7] As mulheres passaram a ser proibidas de estudar e trabalhar e só podiam sair à rua se estivessem com o corpo todo coberto com uma burca que tampava inclusive o rosto e não podiam andar desacompanhadas dos maridos. Os homens foram obrigados a deixar a barba crescer, foram proibidos a televisão e o cinema, as únicas músicas permitidas eram versos cantados do Alcorão, meninas foram proibidas de frequentar a escola, suspeitos de crimes sofriam punições físicas como mutilações (em vários casos mesmo sem terem provas contundentes), entre várias outras regras rígidas. [8]
Ainda em 1996, o regime talibã acolheu no Afeganistão a Al-Qaeda, rede terrorista liderada pelo milionário saudita Osama Bin Laden. Bin Laden e Muhammad Omar tornaram-se amigos e o líder da Al-Qaeda converteu Omar à ideia da união entre os islamitas.[9]
O regime de Mohammed Omar, que só era reconhecido por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Paquistão, foi derrubado no final do ano de 2001, após os ataques aéreos norte-americanos contra o Afeganistão, seguidos do avanço das tropas da Aliança do Norte, oposição armada formada por uma dezena de grupos etnicamente diversos unidos pela necessidade de combater os talibãs. Estes ataques surgiram na sequência dos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos e foram motivados pelo fato do Talibã dar abrigo aos extremistas da Al-Qaeda, incluindo Osama Bin Laden, o líder da organização.[10]
A fuga de motocicleta, tantas vezes relatada na imprensa internacional, do líder talibã em Dezembro 2005 de Candaar foi vista como o ponto final das ambições políticas de Muhammad Omar. Mesmo após ter caído do poder, Omar continuou emitindo ocasionalmente mensagens de desafio às tropas estrangeiras. Mesmo em meio à ocupação americana iniciada no final de 2001, os talibãs, baseando-se no descontentamento de grande parte da população, principalmente o grupo étnico majoritário dos pashtuns ou pastós, conseguiram a dominar grandes zonas do Afeganistão se reorganizando em ações de guerrilha clássica e atacando inimigos (como as tropas estrangeiras e as forças militares afegãs) através de atentados suicidas.[11]
Morte
Em 2015 circulavam rumores de que Mohammed Omar estaria morto devido à ausência de mensagens emitidas por voz que ele costumava fazer. O falecimento de Mohammed Omar só foi anunciado em 30 julho de 2015 em um comunicado oficial do Talibã, que afirmou que ele havia morrido em abril de 2013, 2 anos antes.[12][5] Segundo o comunicado, a morte de Omar, foi causada por uma doença que anos mais tarde foi especificada como tendo sido a tuberculose. No entanto, até hoje as reais circunstâncias de sua morte continuam incertas.[13] Omar foi sucedido por Akhtar Mansoor como líder do Talibã.[14]
Referências
- ↑ a b «Wanted Poster on Omar». Rewards for Justice Program. Departamento de Estado dos Estados Unidos
- ↑ Mullah Omar in Pakistan - CNN, 9 de setembro de 2006
- ↑ AFP (12 de outubro de 2015). «Rare new picture surfaces of Taliban founder Mullah Omar». www.dawn.com. Consultado em 14 de junho de 2018
- ↑ Robert Marquand (10 de outubro de 2001). «The reclusive ruler who runs the Taliban». The Christian Science Monitor
- ↑ a b Goldstein, Joseph; Shah, Taimoor (30 de julho de 2015). «Death of Mullah Omar Exposes Divisions Within Taliban». The New York Times (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2020
- ↑ «New Taliban leader facing tension as top official quits». Yahoo News. 4 de agosto de 2015. Consultado em 16 de Agosto de 2016
- ↑ «Agência Brasil explica: talibãs retomam poder no Afeganistão». Agência Brasil. 18 de agosto de 2021. Consultado em 25 de janeiro de 2026
- ↑ «Agência Brasil explica: talibãs retomam poder no Afeganistão». Agência Brasil. 18 de agosto de 2021. Consultado em 25 de janeiro de 2026
- ↑ «Depois de ser acusado de dar abrigo a Bin Laden, Talibã mantém relação mais discreta com al-Qaeda». O Globo. 16 de agosto de 2021. Consultado em 25 de janeiro de 2026
- ↑ «Agência Brasil explica: talibãs retomam poder no Afeganistão». Agência Brasil. 18 de agosto de 2021. Consultado em 25 de janeiro de 2026
- ↑ «O Talibã está de volta e já controla metade do Afeganistão». revistaplaneta.com.br. 1 de julho de 2007. Consultado em 25 de janeiro de 2026
- ↑ «Talibãs confirmam a morte do líder mulá Omar em um comunicado». G1 Globo. 30 de julho de 2015. Consultado em 25 de janeiro de 2026
|nome1=sem|sobrenome1=em Authors list (ajuda) - ↑ "Talibãs confirmam a morte do líder mulá Omar em um comunicado". Página acessada em 30 de julho de 2015.
- ↑ "Talibãs nomeiam Akhtar Mohammad Mansour como novo líder". Página acessada em 1 de agosto de 2015.
Ligações externas
- Entrevista com o Mulá Omar - BBC
- Biografia do Mulá Omar - BBC
- Mulá Omar - in his own words, The Guardian
| Cargos políticos | ||
|---|---|---|
| Precedido por Burhanuddin Rabbani Presidente do Afeganistão |
Chefe do Conselho Supremo do Afeganistão 27 de Setembro de 1996 - 13 de Novembro de 2001 |
Sucedido por Burhanuddin Rabbani Presidente do Afeganistão |
