Miguel Oviedo
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| Parte dos pré-convocados da Seleção Argentina para a Copa do Mundo de 1978. Oviedo, da esquerda para a direita, é o último na fila mais atrás | ||
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Miguel Ángel Oviedo | |
| Data de nasc. | 12 de dezembro de 1950 (75 anos) | |
| Local de nasc. | Córdoba, Argentina | |
| Informações profissionais | ||
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos (golos) |
| 1969-1970 1970-1975 1973 1974 1975 1976-1987 |
Palermo Racing de Córdoba Instituto (empr.) Talleres (empr.) Talleres (empr.) Talleres |
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| Seleção nacional | ||
| 1975-1979 | Argentina | |
| Times/clubes que treinou | ||
| 1983 1986 1990-1991 |
Talleres (jogador-treinador) Talleres (jogador-treinador) Talleres Racing de Córdoba |
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Miguel Ángel Oviedo (Córdoba, 12 de outubro de 1950) é um ex-futebolista argentino. Foi campeão do mundo pela seleção de seu país na Copa do Mundo FIFA de 1978.[1]
Na Copa, foi utilizado somente por cinco minutos, tendo ainda assim sua importância destacada por César Luis Menotti por oferecer um porto seguro em caso de necessidades dada a versatilidade de saber jogar no meio e na defesa.[2] Bastante associado do futebol cordobês,[3][4] El Cata Oviedo é raro jogador destacado por ambos os lados do clássico entre Instituto e Racing de Córdoba,[5] embora ele próprio se veja mais associado ao Talleres.[4] É o único jogador que a Argentina convocou de dois clubes cordobeses.[5]
Considerando-se apenas partidas do Campeonato Argentino de Futebol, Oviedo é quem mais jogos disputou pelo Talleres, embora nas estatísticas totais seja superado por Luis Galván.[3]
Carreira
Início
Recusado pelo General Paz Juniors, Oviedo começou no Palermo, um dos clubes que viriam a originar o atual Unión San Vicente. Ali, venceu a segunda divisão de 1969 do campeonato cordobês, sendo então prospectado pelo Racing local.[3] Apesar da rivalidade deste clube com o Instituto, ambos viriam a acertar em 1973 uma negociação por Oviedo,[6] que representou os alvirrubros no Torneio Nacional juntamente com Mario Kempes e Osvaldo Ardiles.[3] Embora modesta, a campanha marcou a estreia do Instituto, classificado como campeão cordobês de 1972, em torneios nacionais de primeira divisão.[2]
Emprestado por La Academia a La Gloria para ganhar vitrine à medida em que o Racing não havia se classificado para aquele Nacional,[2][3] Oviedo veio a ser objeto de negócio similar com o Talleres para o Torneio Nacional de 1974,[7] sendo objeto de novo novamente empréstimo;[2] em contexto sadio das rivalidades cordobesas, o próprio Ardiles havia sido emprestado pelo Instituto para defender naquele mesmo nacional o Belgrano, sob circunstância curiosa: como a liga cordobesa em 1974 adentrou o fim do ano, os emprestados jogavam ao longo da semana pelos times de origem no certame provincial e serviam nos fins de semana La T ou La B, dupla classificada à competição federal.[8]
Treinado por Ángel Labruna, o Talleres fez campanha elogiada de 4º lugar naquele Nacional de 1974, e Oviedo, embora já novamente racinguista, pôde em 1975 estrear pela Seleção Argentina.[3] Primeiro jogador do Racing cordobês utilizado pela seleção,[3] foi novamente negociado com o Talleres pouco depois, disputando o Torneio Nacional de 1975 pelo vizinho,[9] ainda como emprestado. Foi enfim adquirido em definitivo em 1976 por La T.[2]
Auge

Passando a jogar o campeonato cordobês pelo Talleres em 1976,[2] integrou os quatro títulos finais do hexacampeonato cordobês seguido de La T entre 1974 e 1979.[3] Nesse ínterim, o time fez seguidas campanhas chamativas no Torneio Nacional. Em 1975, treinado então por Adolfo Pedernera, o Talleres foi 6º colocado,[10] obtendo um recorde de aproveitamento de pontos — com apenas quatro derrotas em 45 jogos;[11] em 1976, com Rubén Bravo de técnico, Oviedo e o Talleres alcançaram as semifinais do Nacional,[12] em campanha recordada também pela vitória sobre o Argentinos Juniors na partida em que Diego Maradona estreou no futebol adulto.[13]
Em 1977, treinado por Roberto Saporiti, o time foi além: vice-campeão,[14] perdendo o título ao sofrer a sete minutos do fim o gol que premiou o Independiente, na final tida como mais dramática dos campeonatos argentinos.[15]
Com isso, Oviedo seguiu na seleção, já como jogador do Talleres, embora a tônica de suas partidas tenha sido a de reserva acionado no decorrer dos jogos; apenas por duas vezes ingressou como titular, curiosamente em seu primeiro e em seu último jogo.[3] Na Copa do Mundo FIFA de 1978, enfrentando concorrência sobretudo com Osvaldo Ardiles,[3] Oviedo atuou somente nos cinco minutos finais do polêmico Argentina 6–0 Peru, substituindo Américo Gallego.[16] Resignado, sempre se mostrou grato pela experiência de viver o torneio.[3]
Após o título, o treinador destacou-o, em referência às regras da época pelas quais apenas cinco reservas poderiam ser relacionados ao banco, impondo a técnicos que abrissem mão dos demais suplentes: "em campo esteve cinco minutos, contra o Peru, mas na realidade esteve em todas as partidas. Para a composição do banco é fundamental ter Oviedo, reserva de categoria em qualquer posição, e com possibilidades de ser titular indiscutível caso se houvesse dado a oportunidade".[2]
Seguindo no Talleres após a Copa, Oviedo integrou nova campanha elogiada dos cordobeses no Torneio Nacional, em que La T foi semifinalista,[3] novamente parando em um Independiente campeão.[17] Em 1979, no ano do hexacampeonato cordobês seguido,[3] o Talleres foi novamente líder de seu grupo no Torneio Nacional; ficou ironicamente à frente do próprio futuro campeão, o River Plate, na Zona B. A equipe de Galván terminou eliminada nas quartas-de-final pelo futuro vice, o Unión,[18] que venceu em Santa Fe por 3–0 e avançou ao perder de apenas 2-0 em Córdoba,[3] com seu goleiro Nery Pumpido consagrando-se ao defender um pênalti que poderia ter significado o terceiro gol cordobês.[18]
As contínuas classificações aos mata-matas no Torneio Nacional fizeram com que, em 1980, o Talleres fosse então retirado da liga cordobesa para disputar em seu lugar o prestigiado Torneio Metropolitano, considerado a principal competição argentina embora até então admitisse somente clubes da Grande Buenos Aires, La Plata, Rosario e Santa Fe.[3] Ainda reunindo a forte equipe-base da década de 1970, o Talleres foi 3º colocado naquele Metropolitano,[19] e foi de Oviedo (reconhecido defensor-artilheiro) o primeiro gol do clube na história desse torneio.[3] No lance, cabeceou no minuto 58 para abrir placar de empate em 1-1 na rodada inaugural com o Huracán.[19]
Técnico
Pelo decorrer da década de 1980, porém, o elenco do Talleres mostrou-se envelhecido e as boas campanhas tornaram-se exceção, a ponto de mais de uma vez Oviedo precisar exercer papel duplo de jogador-treinador.[3] Ainda em 1980, o clube deixou de classificar-se aos mata-matas do Torneio Nacional pela primeira vez desde a série iniciada em 1974.[19] Em 1981, o clube chegou a brigar contra o rebaixamento até a rodada final do Torneio Metropolitano,[20] e novamente não se classificou aos mata-matas do Nacional.[21]
No Torneio Nacional de 1982, o Talleres voltou a disputar o título. A campanha encerrou-se nas semifinais contra o futuro campeão Ferro Carril Oeste, tendo Oviedo até marcado gol em duelo eliminatório caseiro contra o ex-clube do Racing de Córdoba nas quartas-de-final.[22] Em 1983, o vizinho conseguiu revanche, eliminando La T nos mata-matas do Nacional, no primeiro semestre - ao passo que, no segundo, Oviedo precisou ser jogador-treinador em dupla com Héctor Baley.[23] No Nacional de 1984, o Talleres outra vez alcançou as semifinais, e novamente caiu diante de um Ferro campeão.[24]
Oviedo seguiu no clube até o fim do campeonato argentino de 1986-87,[3] exercendo em 1986 mais uma vez a função de jogador-treinador.[25] Após parar de jogar, tornou a trabalhar no Talleres apenas como técnico, entre 1990 e 1991, e também no Racing de Córdoba.[3] Na década de 2010, vinha trabalhando como servente do ginásio de basquetebol utilizado pelo Atenas de Córdoba.[4]
Títulos
- Palermo
- Talleres
- Campeonato Cordobês: 1976, 1977, 1978 e 1979 [3]
- Seleção Argentina
Referências
- ↑ «Seleção Argentina na Copa do Mundo FIFA de 1978». Fifa.com. Consultado em 20 de agosto de 2010. Arquivado do original em 3 de julho de 2010
- ↑ a b c d e f g DE BENEDICTIS (2018). La La Gloria a la gloria. Héroes mundialistas del interior profundo (1930-1986). Buenos Aires: Alarco Ediciones, pp. 61-67
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v BRANDÃO, Caio (12 de outubro de 2020). «70 anos de Miguel Oviedo: vencedor da Copa 78 e ídolo mais democrático de Córdoba». Futebol Portenho. Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ a b c «La puerta del estadio la abre un campeón, la Cata Oviedo». El Gráfico. 2 de janeiro de 2016. Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ a b BRANDÃO, Caio (18 de março de 2020). «Instituto x Racing de Córdoba: o outro grande clássico cordobês». Futebol Portenho. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ COLUSSI, Luis Alberto; GURIS, Carlos Alberto; KURHY, Víctor Hugo (novembro de 2019). «Fútbol Argentino: Crónicas y Estadísticas: Asociación del Fútbol Argentino - 1ª División – 1973» (PDF). Historical Line-ups. Consultado em 1º de março de 2023
- ↑ COLUSSI, Luis Alberto; GURIS, Carlos Alberto; KURHY, Víctor Hugo (novembro de 2019). «Fútbol Argentino: Crónicas y Estadísticas: Asociación del Fútbol Argentino - 1ª División – 1974» (PDF). Historical Line-ups. Consultado em 1º de março de 2023
- ↑ BRANDÃO, Caio (3 de agosto de 2022). «70 anos de Osvaldo Ardiles, campeão da Copa 1978 e quem abriu o futebol inglês aos argentinos». Futebol Portenho. Consultado em 5 de maio de 2025
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- ↑ BRANDÃO, Caio (15 de novembro de 2018). «Maestro de "La Máquina" do River e maior da história para Di Stéfano: 100 anos de Adolfo Pedernera». Futebol Portenho. Consultado em 5 de maio de 2025
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- ↑ BRANDÃO, Caio (20 de fevereiro de 2025). «Rubén Bravo: Botafogo já teve o maestro do Racing». Futebol Portenho. Consultado em 5 de maio de 2025
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- ↑ BRANDÃO, Caio (25 de janeiro de 2018). «Ia ser drama, foi epopeia: 40 anos da mais emocionante final argentina, Independiente x Talleres». Futebol Portenho. Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ BRANDÃO, Caio (21 de junho de 2013). «35 anos da Copa 1978: Argentina 6-0 Peru». Futebol Portenho. Consultado em 5 de maio de 2025
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- ↑ BRANDÃO, Caio (11 de abril de 2022). «Entortando (pelo) Talleres: ídolo no Flamengo, Júlio César "Uri Geller" brilhou em Córdoba». Futebol Portenho. Consultado em 5 de maio de 2025
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