Microfonismo coclear
O microfonismo coclear é um potencial bioelétrico gerado pelas células ciliadas externas da cóclea em resposta a estímulos sonoros.[1][2] Esse potencial reflete fielmente as características do estímulo utilizado, replicando sua frequência ao converter energia mecânica (som) em energia elétrica (potencial de ação).[3][4] O microfonismo coclear pode ser avaliado por meio de exames objetivos como o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) e a eletrococleografia. A ocorrência do microfonismo coclear é fundamental para o início da transdução auditiva que culmina no processamento auditivo por meio das estruturas do sistema auditivo periférico até o córtex auditivo.[5]
Diagnóstico Diferencial
A avaliação do microfonismo coclear permite caraterizar diferencialmente entre alterações sensoriais (cocleares ou perda auditiva sensorioneural) e neurais (perda auditiva retrococleares) no sistema auditivo.[1] Por exemplo, na neuropatia auditiva, observa-se preservação do microfonismo coclear, indicando funcionamento adequado das células ciliadas externas, enquanto os potenciais neurais estão ausentes ou alterados devido a falhas na transmissão do sinal pelo nervo auditivo.[6][2]
O microfonismo coclear é um indicador objetivo da integridade funcional das células ciliadas externas, sendo especialmente útil em populações que não podem realizar testes audiométricos comportamentais, como recém-nascidos e crianças pequenas.[1][7] Nesses casos, a presença do microfonismo coclear pode ser detectada por meio do PEATE ou da eletrococleografia, auxiliando na identificação precoce de alterações auditivas.[8]
Ver também
Referências
- ↑ a b c Sousa, Luiz Carlos Alves; Piza, Marcelo Ribeiro de Toledo; Kátia de Freitas, Alvarenga; Cóser, Pedro Luis (9 de fevereiro de 2010). Eletrofisiologia da audição e emissões otoacústicas: Princípios e aplicações clínicas. [S.l.]: Editora Novo Conceito. ISBN 978-85-63219-01-5
- ↑ a b Figueiredo, Mauna Stela (18 de dezembro de 2003). Conhecimentos Essenciais Para Entender Bem Emissoes Otoacusticos E ... São José dos Campos: Pulso Editorial. ISBN 85-89891-06-9
- ↑ Sanjuán Juaristi, Julio (1 de janeiro de 2008). «A procedure to Obtain the Recruitment Using Cochlear Microphonic Potentials». Acta Otorrinolaringologica (English Edition) (3): 102–107. ISSN 2173-5735. doi:10.1016/S2173-5735(08)70203-5. Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ Bester, Christofer; Weder, Stefan; Collins, Aaron; Dragovic, Adrian; Brody, Kate; Hampson, Amy; O'Leary, Stephen (1 de dezembro de 2020). «Cochlear microphonic latency predicts outer hair cell function in animal models and clinical populations». Hearing Research. 108094 páginas. ISSN 0378-5955. doi:10.1016/j.heares.2020.108094. Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ Maudonnet, Oscar. «Microfonismo coclear: sua importância»
- ↑ Soares, Ilka do Amaral; Menezes, Pedro de Lemos; Carnaúba, Aline Tenório Lins; de Andrade, Kelly Cristina Lira; Lins, Otávio Gomes (1 de novembro de 2016). «Study of cochlear microphonic potentials in auditory neuropathy». Brazilian Journal of Otorhinolaryngology (6): 722–736. ISSN 1808-8694. PMC 9444760
. PMID 27177976. doi:10.1016/j.bjorl.2015.11.022. Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ Figueiredo, Mauna Stela (18 de dezembro de 2003). Conhecimentos Essenciais Para Entender Bem Emissoes Otoacusticos E ... São José dos Campos: Pulso Editorial. ISBN 85-89891-06-9
- ↑ Shi, Wei; Ji, Fei; Lan, Lan; Liang, Si-Chao; Ding, Hai-Na; Wang, Hui; Li, Na; Li, Qian; Li, Xing-Qi (fevereiro de 2012). «Characteristics of cochlear microphonics in infants and young children with auditory neuropathy». Acta Oto-Laryngologica (2): 188–196. ISSN 1651-2251. PMID 22103337. doi:10.3109/00016489.2011.630016. Consultado em 19 de março de 2025