Microdrama
Microdrama[1] ou duanju é um formato de série curta para web ou televisão que tem ganhado popularidade na China. Essas produções são, em sua maioria, adaptações de ficções [en] chinesas publicadas na internet e são lançadas em plataformas de mídia digital como o TikTok/Douyin (抖音, na China). Cada episódio é bem curto, geralmente com duração entre 1 e 2 minutos. Embora a duração possa variar de 1 a 6 minutos, episódios com mais de 3 minutos são relativamente incomuns. Uma série completa pode conter de 20 a 100 episódios, o que torna o tempo total de exibição comparável ao de um ou dois filmes de longa-metragem.
Criados especialmente para dispositivos móveis, muitos duanju são produzidos diretamente em formato vertical [en], facilitando a visualização em smartphones. Eles são otimizados para esse tipo de consumo, atendendo a um público que prefere entretenimento rápido e compatível com hábitos de visualização fragmentados. Por conta de sua curta duração e design voltado para o mobile, os microdramas são frequentemente chamados em português de dramas curtos,[2] dramas verticais[3] ou dramas móveis. Em alguns casos, esses dramas curtos são adaptados para jogos interativos no estilo de filmes.[4]
Em comparação com os dramas tradicionais da televisão chinesa, e considerando a estrutura narrativa, esses microdramas podem ser comparados às soap operas dos países de língua inglesa, embora apresentem um estilo mais acelerado e dinâmico.
Expansão internacional
Brasil
A TV Globo oficializou, em 2025, sua entrada no mercado de microdramas, as chamadas "novelinhas", unindo TV aberta, Globoplay e redes sociais, e mirando um público que migrou para o digital e os formatos curtos.[5]
Ucrânia
A Holywater [en], fundada por Bogdan Nesvit, lançou em 2024 o aplicativo My Drama, voltado para séries verticais curtas de 2 a 3 minutos, feitas para uso em celulares.[6][7][8] A plataforma rapidamente se popularizou no Leste Europeu e gera milhões de dólares por ano.[9][10][11]
O site francês Duanju.news descreveu uma das séries disponíveis na plataforma, Alpha King's Hated Princess, como um romance sombrio e intenso, com formato ultracondensado e estética voltada para adultos.[12]
Em maio de 2025, o aplicativo ganhou um Prêmio Webby como melhor serviço de streaming do ano.[13][14] [15][16]
Em agosto de 2025, o jornal canadense La Presse afirmou que o MyDrama se tornou líder europeu em microsséries verticais. Segundo os criadores, que falaram ao Kyiv Post, partes dos roteiros são geradas por inteligência artificial (IA) para reduzir os custos de produção para cerca de 20 mil dólares por série.[17]
França
Na primavera de 2023, a primeira série francesa no formato duanju, Next Door Adventure, foi lançada no Facebook, na página de Guillaume Sanjorge, onde acumulou várias centenas de milhares de visualizações antes de ser posteriormente distribuída em uma plataforma asiática.[18][19]
Em janeiro de 2024, veículos franceses como France Inter, France Info, Midi Libre e Courrier International apresentaram o ReelShort como o “TikTok das séries”, marcando sua primeira ampla cobertura midiática na França.[20][21][22][23][24]
Em 23 de novembro de 2024, ocorreu a primeira exibição pública de séries duanju, organizada pela associação Studio Phocéen.[25][26]
Em junho de 2024, o jornal francês Le Monde noticiou a chegada das séries curtas verticais à França, principalmente distribuídas pelo aplicativo ReelShort, destacando sua crescente popularidade entre o público jovem.[27]
Desde 2025, a plataforma asiática Stardust TV[28][29] também expandiu suas operações para a França. Entre seus novos títulos está a série francesa vertical Next Door Adventure, produzida por Guillaume Sanjorge. É a primeira série francesa distribuída em uma plataforma asiática dedicada à ficção móvel vertical.[30][31][32][33][34]
Os atores franceses Jean-Pierre Castaldi e Marthe Villalonga participam da série duanju de Guillaume Sanjorge, King Gandolfi.[35][36][37][38]
Em 14 de junho de 2025, a associação Studio Phocéen reuniu um painel internacional de criadores e produtores para explorar o crescente potencial desse formato. O produtor britânico Adam Gee esteve entre os participantes.[39]
Em julho de 2025, Gaëtan Bruel, presidente do Centre national du cinéma et de l'image animée, mencionou o formato pela primeira vez durante uma visita oficial à Ásia.[40]
Em agosto de 2025, a jornalista Jade Hin-Cellura, da revista Geo, publicou um artigo sobre o entusiasmo de Hollywood pelas minisséries chinesas, destacando o Duanju como um formato em rápida expansão.[41] O jornal canadense de língua francesa La Presse também publicou um artigo de Mathieu Perreault descrevendo o crescimento do formato na França. O produtor Guillaume Sanjorge observou que, embora as primeiras séries europeias adaptem principalmente obras chinesas, o formato pode se expandir no Ocidente.[17][42]
O termo "duanjufobia" é usado pelo meio de comunicação «Duanju.news» para descrever a hostilidade ou desconfiança expressa na França em relação ao formato dos microdramas (duanju). De acordo com vários artigos, essa atitude aparece tanto na grande mídia quanto nas instituições audiovisuais. O site cita, nomeadamente, um podcast da France Inter[43], um artigo de Le Figaro[44], e um discurso do presidente do CNC, Gaëtan Bruel, que descreveu o microdrama como “o contraexemplo perfeito” do que a França deveria defender.[45] Essas reações foram analisadas pelo Duanju.news como um sintoma de uma relutância francesa mais ampla em reconhecer o surgimento de uma nova linguagem audiovisual.[46][47][48]
Controvérsias sobre direitos autorais
Em virtude do curto ciclo de produção e do baixo custo, quando um roteiro faz sucesso, muitas empresas tendem a copiá-lo. Resultando na mesma trama inundando a internet, gerando cansaço no público e violando os direitos autorais e de propriedade intelectual do criador original.[49]
Referências
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- ↑ «How Chinese "Alpha Male" Short Dramas Conquered the World». EqualOcean
- ↑ Khomami, Nadia; Arts, Nadia Khomami (4 de abril de 2025). «Clickbait titles and cliffhangers: the mini TV serials capturing phone audiences». The Guardian
- ↑ «China's next cultural export could be TikTok-style short soap operas». MIT Technology Review
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<ref>inválido; o nome "auto" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes - ↑ «Série francesa no formato Duanju "Next Door Adventure" faz sucesso com o público em 2023». www.duanju.news. 30 April 2025. Consultado em 20 de agosto de 2025 Verifique data em:
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- ↑ «Duanjufobia: jornalistas da France Inter querem resistir ao Duanju». Duanju.news
- ↑ «短剧虽短,版权不容侵犯 - 新华网客户端». app.xinhuanet.com