Metropolitano de Salvador (Território de Identidade)
O Território de Identidade Metropolitano de Salvador está localizado na região de Salvador e em municípios de seu entorno, entre as coordenadas aproximadas de 12°15’ a 13°08’ de latitude sul e 37°53’ a 38°49’ de longitude oeste. Ocupa uma área de 4.354 km² (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2013), o que corresponde a aproximadamente 0,8% do território estadual. É composto administrativamente pelos municípios de Camaçari, Candeias, Dias d'Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Mata de São João, Pojuca, Salvador, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz.[1][2]
Um grande patrimônio artístico e cultural, reconhecido mundialmente, faz parte do território e está sob salvaguarda do IPAC, autarquia vinculada à SecultBA, e do IPHAN. A cidade de Salvador é referência da herança material e imaterial, com rico acervo arquitetônico e de manifestações culturais que se espalham pelos municípios, a exemplo da Capoeira, do Ofício das Baianas de acarajé, da Festa de Santa Bárbara, do Cortejo do Dois de Julho, dos Desfiles de Afoxés, da Festa do Senhor do Bonfim, do Carnaval e das festas juninas.[3]
Mais de 60 instituições do território compõem a rede de Pontos de Cultura do Estado, com destaque para Salvador, que concentra mais de 70% desse número. Em relação ao financiamento de projetos por meio dos mecanismos de fomento, o território também lidera em comparação com outros, especialmente pela demanda de iniciativas oriundas da capital.[3]
O Território Metropolitano de Salvador apresenta comportamentos socioeconômicos díspares entre os 13 municípios que o compõem. A metrópole conjunta formada por Salvador e Lauro de Freitas registra os melhores desempenhos relacionados ao mercado de trabalho e à renda média, refletindo em um elevado índice de desenvolvimento humano em comparação aos demais municípios do território.[3]
Histórico
A constituição histórica do atual Território de Identidade Metropolitano de Salvador remonta à chegada dos europeus às terras recém-descobertas ao sul do continente americano. Os primeiros núcleos de povoamento surgiram em paralelo aos primórdios da colonização lusitana no Brasil. Na chegada dos portugueses à baía denominada Todos os Santos, descoberta em 1º de novembro de 1501, o local era habitado por indígenas tupinambás. O primeiro registro da presença de europeus na região ocorreu em 1510, quando um navio francês naufragou na altura do atual bairro do Rio Vermelho, em Salvador, deixando como sobrevivente o português Diogo Álvares Correia, conhecido como Caramuru. Posteriormente, ele exerceu papel importante como mediador nas relações entre os colonos portugueses e os nativos tupinambás.[1][3]
A adoção do sistema de capitanias hereditárias pela Coroa portuguesa intensificou o processo colonizador. Em 1534, a Capitania da Baía de Todos os Santos, que se estendia da foz do Rio São Francisco até a Ilha de Itaparica, foi doada a Francisco Pereira Coutinho, que se estabeleceu dois anos depois em um pequeno assentamento, onde também se destacava a presença de Caramuru. A primeira povoação, batizada de Vila do Pereira e localizada no alto da colina onde hoje se encontra a Igreja de Santo Antônio da Barra, foi fundada em 1536 por Francisco Pereira Coutinho, sendo posteriormente denominada Vila Velha. Após um período de paz entre colonos e indígenas, disseminaram-se culturas agrícolas como a cana-de-açúcar, o tabaco e o algodão. No entanto, em 1545, um ataque dos tupinambás destruiu a comuna inicial, obrigando os colonos a se refugiarem em outras capitanias. Após novas negociações, foi firmado um novo acordo de paz, mas o naufrágio do navio que trazia os colonos de volta levou à venda das terras de Coutinho à Coroa portuguesa em 1548, que tinha como objetivo instalar o primeiro governo-geral da Colônia.[1]
Em 1549 iniciou-se o processo de colonização efetiva do Brasil com a fundação de sua primeira capital, a Cidade de São Salvador, em 29 de março. Seu fundador, o primeiro governador-geral do Brasil , Tomé de Sousa, desembarcou no atual Porto da Barra e iniciou a construção da cidade-fortaleza, planejada para ser o centro administrativo da Colônia. Durante os séculos XVI a XVIII, Salvador consolidou-se como a principal cidade da América portuguesa, sendo a maior do Brasil e a segunda de todo o Império, atrás apenas de Lisboa. Foi capital da Colônia até 1763 e desempenhou papel central nas rotas comerciais do Atlântico Sul.[1]
No século XIX, a cidade manteve sua relevância política e cultural, acompanhando as transformações do Brasil imperial e republicano. Os antigos engenhos do Recôncavo começaram a se modernizar, e Salvador seguiu como centro urbano de destaque na região. Na primeira metade do século XX, a vida social e cultural da capital baiana era marcada pelo comércio com as cidades do Recôncavo, pela prestação de serviços, pelo artesanato e pelo pequeno comércio varejista.[1]
A partir da segunda metade do século XX, iniciativas estatais e obras de infraestrutura, como a construção da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso e a ligação rodoviária Rio-Bahia, contribuíram para mudanças significativas na dinâmica da cidade e da região metropolitana.[1]
Geografia
Predomina o clima úmido, com uma pequena faixa úmida a subúmida localizada entre o oeste de Camaçari e parte dos municípios de Pojuca e São Sebastião do Passé. A pluviometria ultrapassa os 2.000 mm anuais, com maior intensidade de chuvas durante o outono e o inverno. A temperatura média anual é de aproximadamente 24,8 ºC.[1][3]
A Bacia hidrográfica do Recôncavo Norte recobre todo o território, que abriga diversas ilhas, com destaque para o arquipélago de Itaparica, além da Baía de Aratu e Baía de Todos-os-Santos, esta última considerada a maior do país. Os principais cursos d’água são os rios Das Pedras, Do Cobre, Imbaçaí, Ipitanga, Jacuípe, Jaguaripe, Joanes e Pojuca.[1][2]
A quantidade de espelhos d'Água é significativa, com oito açudes e barragens: Cachoeirinha, Cobre, Ipitanga (I e II), Joanes (I e II), Pituaçu e Santa Helena.[1]
Os Argissolos Vermelho-Amarelos predominam na maior parte do território, inclusive na ilha de Itaparica. Também ocorrem Espodossolos, Gleissolos, Latossolos, Neossolos, Organossolos e Vertissolos. As melhores aptidões para Lavouras concentram-se nos Argissolos Vermelho-Amarelos (em Camaçari, Candeias, Dias D’Ávila, Simões Filho, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé e Mata de São João), nos Latossolos Amarelos (em Camaçari e São Sebastião do Passé) e nos Organossolos Tiomórficos (em trechos da borda do território junto à Baía de Todos os Santos), que apresentam potencial para a conservação do patrimônio natural.[1]
A vegetação é composta por Remanescentes de Floresta ombrófila densa, vegetação arbórea e arbustiva, além de manguezais. Há também áreas de Cerrado em Camaçari e Dias D’Ávila, e formações de Contato Cerrado-Floresta em Dias D’Ávila. Apesar de ser um território bastante urbanizado, existem áreas preservadas na porção centro-leste, entre Mata de São João e o extremo norte de Salvador, bem como na faixa central da ilha de Itaparica.[1][2][3]
O território apresenta um uso da terra bastante diversificado, abrangendo atividades agropecuárias e industriais. Destacam-se a extração de petróleo e gás, além das áreas industriais localizadas em Candeias, Madre de Deus, Salvador, Simões Filho, São Francisco do Conde e Mata de São João. Também são registradas pastagens, cultivo de cana-de-açúcar, policulturas e silvicultura de eucalipto e pinus em Mata de São João e São Francisco do Conde. O relevo é formado por baixadas, planaltos, depressões, planícies e tabuleiros, com destaque para a Baixada Litorânea do Recôncavo, especialmente entre Simões Filho e São Sebastião do Passé, e para as planícies fluviais, marinhas e fluviomarinhas. A Depressão de Camaçari apresenta morros e colinas residuais, enquanto o Planalto Oriental e o Tabuleiro Dissecado do Recôncavo completam o conjunto, com altitude máxima em torno de 150 metros.[1]
As principais ocorrências minerais registradas são areia, petróleo e argila, com ampla distribuição entre os municípios da região. A areia é utilizada na construção civil, fundição, indústria de transformação e tratamento de água e esgoto; o petróleo é destinado à fabricação de combustível , lubrificantes, plásticos, produtos da indústria têxtil e eletrônica, asfalto e embalagens; já a argila é aplicada em materiais de construção, cosméticos e esculturas. Outros minerais presentes incluem turfa, gnaisse, caulim e gás natural, este último encontrado em Candeias, Dias D’Ávila, Mata de São João, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé e Vera Cruz.[1]
O território concentra a maior parte das indústrias de grande porte do estado, com destaque para o setor petroquímico. Os principais complexos industriais são o Centro Industrial de Aratu, o Polo Industrial de Camaçari e a Refinaria Landulfo Alves, sendo os municípios de Camaçari, Simões Filho e Candeias os mais relevantes nesse setor. Na parte sul do território, em Candeias, encontra-se a Gruta Aratu, de litologia arenítica.[1]
Além disso, oito unidades de conservação estaduais, todas na categoria de Área de proteção ambiental, recobrem parcial ou totalmente o território. Quanto aos projetos de assentamentos de reforma agrária, o Metropolitano de Salvador apresenta número modesto, mas significativo, considerando sua urbanização: são 11 projetos distribuídos em seis municípios, totalizando 9.361 hectares e capacidade para 537 famílias. O município de Pojuca abriga o único Projeto Crédito Fundiário e Combate à Pobreza Rural, a Associação Comunitária do Riacho das Moças, com área de 88 hectares e 15 famílias beneficiadas.[1]
Economia
Durante os séculos XVI a XVIII, Salvador consolidou-se como a principal rota comercial do hemisfério sul. Era a maior cidade do Brasil e a segunda em importância dentro do Império Português, atrás apenas de Lisboa, sendo a capital da América portuguesa até 1763. A economia do território destacava-se pela produção e exportação de cana-de-açúcar, sustentada pelos engenhos do Recôncavo. No final do século XIX, os antigos engenhos começaram a se modernizar, absorvendo a produção de açúcar da região e mantendo a relevância econômica do Recôncavo. Já na primeira metade do século XX, o movimento comercial do estado era limitado, concentrando-se basicamente no fluxo de mercadorias entre Salvador e as cidades vizinhas. Nesse período, as ocupações predominantes estavam ligadas à prestação de serviços pessoais, ao artesanato, à burocracia estatal, à construção civil e ao pequeno comércio varejista.[1]
A partir da segunda metade do século XX, iniciativas estatais abriram caminho para rápidas transformações na economia baiana. Entre elas destacam-se a construção da usina hidrelétrica de Paulo Afonso, a ligação rodoviária Rio-Bahia (BR-116), a criação do Banco do Nordeste do Brasil e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Os anos 1960 e 1970 marcaram um período decisivo, com a exploração do petróleo no Recôncavo sob monopólio estatal, a construção do terminal marítimo de Madre de Deus e a implantação da Refinaria Landulpho Alves-Mataripe, em São Francisco do Conde. Esses investimentos impulsionaram a economia do entorno de Salvador, intensificando o processo de industrialização, especialmente nas áreas petroquímica e metalurgia.[1]
O grande salto da indústria baiana ocorreu com a criação do Centro Industrial de Aratu, em Simões Filho, e do Complexo Petroquímico de Camaçari, em Camaçari e Dias d'Ávila. A indústria de bens intermediários se desenvolveu até os anos 1990, embora permanecesse dependente de capitais externos e dos investimentos das regiões Sudeste e Sul do país. Nesse período, predominou a desnacionalização e a flexibilização das estruturas organizacionais. No início do século XXI, iniciou-se um processo de modernização da indústria baiana. O Copec passou a ser denominado Polo Industrial de Camaçari, reunindo mais de 90 empresas Químicas, petroquímicas e de outros setores, como automotivo, celulose, metalurgia do cobre, têxtil, fertilizantes, energia eólica, bebidas, cosméticos, além de centros de distribuição e serviços. Atualmente, o Polo Industrial de Camaçari é considerado um dos maiores complexos integrados do Hemisfério sul, consolidando a Bahia como um dos principais centros industriais do Brasil.[1]
Infraestrutura
A principal rodovia que corta o Território de Identidade Metropolitano de Salvador é a BR-324, conhecida popularmente como Rodovia Salvador–Feira. Ela é o principal eixo de ligação entre a capital e o interior do estado, além de conectar a região metropolitana às BR-116 e BR-101. A rodovia, que se estende de Balsas (Maranhão) até Salvador, concentra maior fluxo de veículos no trecho entre Salvador e Feira de Santana, com 108 km de extensão. Esse trecho, sob concessão privada desde dezembro de 2010, era operado pela Via Bahia e possui pistas duplas em ambos os sentidos, com cobrança de pedágios em Simões Filho e Amélia Rodrigues.[1][2]
A malha rodoviária do território também dispõe de rodovias estratégicas para o escoamento da produção industrial. A BA-093, com 121 km, liga Simões Filho a Entre Rios, cruzando Camaçari e Dias D’Ávila e conectando-os à BR-324. A BA-535, conhecida como Via Parafuso, integra as unidades fabris do Centro Industrial de Aratu (CIA), em Simões Filho, e do Polo Industrial de Camaçari e Dias D’Ávila à BR-324, ao Litoral Norte e ao Aeroporto Internacional de Salvador, por meio do Complexo Viário BA-526/BA-535. Já a BA-524, chamada Canal de Tráfego, conecta diretamente o Polo Industrial de Camaçari ao Porto de Aratu, garantindo a entrada de insumos e o escoamento da produção. A BA-099, popularmente conhecida como Estrada do Coco/Linha Verde, tem 184,8 km de extensão e ganhou relevância com a expansão urbana em direção ao Litoral Norte, além de impulsionar o turismo e os serviços hoteleiros da região.[1][2]
O território é atendido pelo Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em conjunto com a Base Aérea de Salvador. Com capacidade para 13 milhões de passageiros por ano, é o maior aeroporto do Norte-Nordeste em volume de passageiros e o oitavo do país. O terminal recebe voos nacionais para todas as capitais brasileiras e internacionais para destinos como Buenos Aires, Madrid, Miami, Frankfurt e Lisboa, além de operar transporte de cargas e voos charter.[1][2]
Além da malha rodoviária e aérea, o território conta com dois complexos portuários de grande importância econômica: o Porto de Salvador e o Porto de Aratu. O Porto de Salvador, inaugurado em 1913 e administrado pela Codeba, desempenhou papel histórico no comércio do Recôncavo baiano. Localizado na Baía de Todos os Santos, movimentou em 2013 cerca de 4,5 bilhões de toneladas em 387 navios. O porto também integra o sistema hidroviário municipal, com travessias para Itaparica, Madre de Deus e Morro de São Paulo, e possui um terminal marítimo de passageiros com capacidade para receber até oito navios transatlânticos simultaneamente, movimentando cerca de 20 mil passageiros por dia.[1][2]
O Porto de Aratu, fundado na década de 1970 e também administrado pela Codeba, responde por cerca de 60% da carga marítima da Bahia. Está ligado ao Centro Industrial de Aratu e opera com quatro terminais especializados em produtos gasosos, granéis líquidos e sólidos. Sua localização estratégica na Baía de Todos os Santos permite acesso terrestre pelas rodovias BA-093 e BA-524, interligando-o à BR-324 e às principais rodovias nacionais.[1][2]
Além desses complexos, o território abriga seis terminais especializados: o Terminal Gerdau/Usiba (minério de ferro), o Terminal Miguel de Oliveira (veículos automotores), o Terminal de Cotegipe (grãos e derivados de trigo), o Terminal da Dow Química (produtos químicos), o Terminal de Regaseificação de GNL da Bahia – TRBA e o Terminal de Madre de Deus (petróleo e derivados).[1][2]
O Porto de Salvador conecta-se ao continente pela Via Expressa Baía de Todos os Santos, que dá acesso à BR-324 e à malha ferroviária federal operada pela FCA, com 7.080 km de extensão, interligando o Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. A ferrovia cruza municípios como Simões Filho, Camaçari, Candeias e Dias D’Ávila, conectando o porto a centros de distribuição em Aracaju, Rio de Janeiro, Vitória e São Paulo.[1][2]
O complexo viário do TI Metropolitano de Salvador, que integra modais rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo, tem favorecido a instalação de centros logísticos de distribuição. Inicialmente concentrados às margens da BR-324, esses centros expandiram-se para outros ramais, como a BA-535 (Via Parafuso) e a BA-526, atraindo empresas de bens de consumo duráveis e não duráveis, como eletrodomésticos, materiais de construção, varejo alimentar, informática e farmacêutica.[1][2]
O dinamismo econômico do território é impulsionado pela capital Salvador e pela produção industrial de municípios como Camaçari, Dias D’Ávila e Candeias, além da forte participação do setor de comércio e serviços, especialmente em Lauro de Freitas, que se integra à capital por meio do processo de conurbação e expansão urbana.[1][2]
Educação
No início do século XXI, o Território de Identidade Metropolitano de Salvador apresentou avanços significativos no campo educacional. Entre os anos de 2000 e 2010, as taxas de analfabetismo mostraram tendência de queda em todos os municípios que compõem o território. Em 2010, o índice de analfabetismo foi de 4,6%, valor bastante inferior ao registrado pela Bahia como um todo. A redução, entretanto, foi mais intensa no estado do que no território: enquanto na Bahia a queda foi de 5,8 pontos percentuais, no TI a redução foi de 2,2 pontos percentuais.[1]
Apesar da melhora geral, alguns municípios ainda apresentavam índices elevados em 2010. Vera Cruz registrava 11,3%, São Sebastião do Passé 14,0% e Mata de São João 27,3%, este último muito acima da média estadual de 16,3%.[1]
A frequência escolar também se destacou como indicador relevante. Em 2010, a presença de crianças e jovens nas escolas do território foi semelhante à média estadual, com ligeira vantagem para a Bahia na faixa de 6 a 14 anos. Entre os municípios, Vera Cruz apresentou os melhores resultados, com frequência média de 94,9% nas faixas etárias analisadas. No ensino pré-escolar, o território registrou 88,7% de frequência, acima da média estadual de 84,0%. Contudo, municípios como Pojuca, Camaçari, São Sebastião do Passé, Salvador e Dias D’Ávila ficaram abaixo de 90%. Em contrapartida, São Francisco do Conde alcançou quase universalização na faixa de 4 a 5 anos, com 99,2%.[1]
Na faixa etária de 6 a 14 anos, todos os municípios mantiveram frequência superior a 95%, com destaque para Vera Cruz (99,3%). Salvador e Simões Filho apresentaram os menores índices, ambos com 95,9%. Já no ensino médio, a frequência foi menor, com 85,4% no território e 83,7% no estado, refletindo a tendência de abandono escolar entre jovens de 15 a 17 anos, faixa etária que já integra a população economicamente ativa.[1]
O ensino superior desempenha papel central no território. Em 2010, mais da metade das instituições presenciais da Bahia estavam localizadas no TI Metropolitano de Salvador. Das 107 existentes no estado, 57 estavam na região, incluindo seis universidades, dois centros universitários e 49 faculdades, públicas e privadas. Salvador concentrava a maior parte, com 43 instituições, seguida de Lauro de Freitas (nove), Camaçari e Simões Filho (duas cada) e Candeias (uma).[1]
Entre 2009 e 2012, o número de matrículas no ensino superior cresceu de forma contínua, com média anual de 3,9%. O número de concluintes também aumentou, embora tenha registrado queda em 2011 em relação ao ano anterior, com crescimento médio de 0,8% no período. Em 2012, o território concentrou 54,8% das matrículas e 54,7% dos concluintes de todo o estado, evidenciando sua importância na formação de mão de obra qualificada. Dentro do próprio território, a concentração também era evidente: apenas cinco municípios possuíam instituições de ensino superior, e Salvador respondia por 90,3% do total de matriculados.[1]
Habitação
A análise das condições de habitação no Território de Identidade Metropolitano de Salvador em 2010 considerou três indicadores principais: abastecimento de água, coleta de lixo regular e esgotamento sanitário adequado. Em todos esses aspectos, o território apresentou desempenho superior ao registrado no estado da Bahia, reflexo do elevado grau de urbanização da região metropolitana.[1]
No abastecimento de água, o TI alcançou 97,8% de atendimento, enquanto a média estadual foi de 80,0%. Entre os municípios, Itaparica apresentou a menor proporção de residências atendidas, com 86,0%, ao passo que Madre de Deus registrou o maior índice, 99,4%.[1]
A coleta de lixo regular também se mostrou mais eficiente no território, com cobertura de 95,7% das residências, frente a 76,2% na Bahia. Itaparica novamente apresentou o menor índice, com 78,6% das residências atendidas, enquanto Madre de Deus alcançou 99,4%.[1]
O esgotamento sanitário adequado esteve presente em 88,2% das residências do TI, contra 56,2% no estado. Salvador destacou-se com 93,8% de atendimento, enquanto Vera Cruz apresentou apenas 24,6%, o menor índice da região. Itaparica, município vizinho, registrou 50,6% de cobertura, também abaixo da média territorial.[1]
Esses resultados evidenciam que, no período analisado, as condições de moradia no TI Metropolitano de Salvador eram significativamente melhores do que as verificadas na média estadual. Contudo, observa-se que municípios limítrofes e com características geográficas semelhantes apresentaram desempenhos distintos, revelando desigualdades internas e desafios de gestão municipal.[1]
O território também apresentou comportamentos socioeconômicos variados entre os 13 municípios que o compõem. Salvador e Lauro de Freitas, integradas pelo processo de conurbação, destacaram-se pelos melhores resultados em mercado de trabalho e renda média, refletindo em índices mais elevados de desenvolvimento humano. Por outro lado, municípios como Madre de Deus, no campo das condições habitacionais, e Vera Cruz, em relação às variáveis educacionais, também se sobressaíram em aspectos específicos, demonstrando a diversidade de realidades dentro do território metropolitano.[1]
Vulnerabilidade
A evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na Bahia e nos municípios do Território de Identidade Metropolitano de Salvador entre 1991 e 2010 revela avanços significativos. No estado, o índice praticamente dobrou nesse período, passando de 0,386 em 1991 para 0,660 em 2010. Entre os municípios do território, apenas São Sebastião do Passé e Vera Cruz não superaram a média estadual no último ano da série.[1]
Salvador apresentou o melhor desempenho em 2010, com IDH de 0,759, seguido de Lauro de Freitas, com 0,754. Ambos mantiveram as melhores posições ao longo dos anos analisados. A melhora mais expressiva foi observada em Candeias, que registrou incremento de 0,283 pontos, passando de 0,408 em 1991 para 0,691 em 2010, embora tenha ocupado apenas a quinta posição entre os municípios do território. De modo geral, os municípios do TI apresentaram níveis de desenvolvimento humano superiores à média estadual, ainda que classificados como de desenvolvimento humano médio.[1]
No que se refere à distribuição de renda, medida pelo índice de Gini, o território apresentou redução entre 2000 e 2010, passando de 0,656 para 0,645. Nove municípios registraram queda na concentração de renda, entre eles Candeias, Dias D’Ávila, Lauro de Freitas, Pojuca, Salvador, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz. Outros quatro municípios, entretanto, apresentaram aumento na desigualdade: Camaçari, Itaparica, Madre de Deus e Mata de São João. Candeias destacou-se com a maior redução, passando de 0,564 em 2000 para 0,442 em 2010, índice bem inferior ao registrado pela Bahia no mesmo ano (0,631). Apesar da redução geral, Lauro de Freitas e Salvador permaneceram com os maiores índices de Gini do território, 0,662 e 0,648, respectivamente, ambos acima da média estadual.[1]
A proporção da população em extrema pobreza também apresentou diferenças marcantes. Em 2010, a Bahia registrava 15,0% de sua população nessa condição, enquanto o território metropolitano apresentava apenas 6,1%. Dentro do TI, os menores índices foram observados em Lauro de Freitas (5,0%) e Salvador (5,2%). Já Vera Cruz apresentou o maior percentual, com 16,1% de sua população vivendo em extrema pobreza. Itaparica (15,5%), Madre de Deus (13,4%) e São Sebastião do Passé (13,2%) também registraram proporções elevadas.[1]
Mesmo com desigualdade de renda superior à média estadual, o território apresentou níveis de pobreza menos intensos, resultado da ampla oferta de empregos formais e da maior rentabilidade dos salários. O crescimento populacional acelerado na primeira década do século XXI foi impulsionado pela localização estratégica em relação à capital e pela expansão urbana dos municípios vizinhos. Esse processo de conurbação estendeu a metrópole para além do centro de Salvador, alcançando Lauro de Freitas e Camaçari, favorecido pela expansão imobiliária e pelo fortalecimento dos setores de comércio e serviços.[1]
População
De acordo com o Censo Demográfico de 2010, o Território de Identidade Metropolitano de Salvador possuía uma população de 3.573.973 habitantes. A distribuição por gênero indicava que 47,3% eram homens e 52,7% mulheres, resultando em 111,8 mulheres para cada 100 homens. A população era predominantemente urbana, com 98,1% vivendo em cidades e apenas 1,9% em áreas rurais, proporção bastante superior à média estadual de 72,1%. Em 2015, estimativas apontavam que a população do território havia alcançado 3.919.864 habitantes. Salvador concentrava a maior parte, com 74,1% do total (2.902.927 habitantes), seguida por Camaçari, com 281.413 habitantes (7,2%). Os demais municípios variavam entre 3,4% e 0,5% da população total.[1][2]
Entre 2000 e 2010, o território apresentou crescimento populacional de 14,5%, o dobro da taxa registrada na Bahia, que foi de 7,1%. Em números absolutos, houve acréscimo de 453.670 habitantes. A taxa de crescimento anual médio foi de 1,4%, também superior à média estadual de 0,7%. Esse crescimento acelerado esteve relacionado à localização estratégica em torno da capital e à expansão urbana dos municípios vizinhos, fenômeno que resultou em conurbação, especialmente entre Salvador e Lauro de Freitas.[1]
Embora Salvador tenha mantido a maior população absoluta, seu crescimento percentual foi de apenas 9,5%, abaixo de outros municípios. Camaçari destacou-se com variação de 50,2%, consolidando-se como o segundo município mais populoso. Dias D’Ávila (46,6%), Madre de Deus (44,4%) e Lauro de Freitas (44,0%) também apresentaram incrementos significativos. Lauro de Freitas, terceiro em número de habitantes, ganhou quase 50 mil novos moradores em apenas 57,7 km², resultando em uma densidade demográfica elevada de 2.833,8 habitantes por km².[1]
O perfil etário da população também sofreu mudanças importantes. A proporção de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos caiu de 34,9% em 1991 para 21,8% em 2010. Em contrapartida, os grupos de 15 a 59 anos e de 60 anos ou mais ampliaram suas participações, passando de 59,9% para 69,5% e de 5,2% para 8,7%, respectivamente. Esse processo refletiu a queda da fecundidade e a imigração de adultos, favorecendo o aumento da população economicamente ativa (PEA). Em 2010, a PEA representava 78,2% da população do território, proporção superior à da Bahia, que foi de 74,4%.[1]
O envelhecimento populacional, já perceptível em 2010, tende a se intensificar nos próximos anos, à medida que as gerações atualmente na faixa de 15 a 59 anos atinjam 60 anos ou mais. Essa transformação exige atenção do poder público, com investimentos voltados às demandas sociais de uma população idosa crescente.[1]
No que se refere à urbanização, o território apresentava índices elevados. Em 2010, 98,7% da população vivia em áreas urbanas, contra 72,1% na Bahia. Nenhum dos 13 municípios tinha predominância rural. Mata de São João registrou o menor grau de urbanização, com 74,2% de sua população em áreas urbanas. Já Itaparica, Lauro de Freitas e Salvador apresentaram urbanização plena, com 100% de seus habitantes vivendo em cidades. São Sebastião do Passé, com 78,6%, foi o segundo município com menor nível de urbanização, ainda assim superior à média estadual.[1]
Cultura
A história da ocupação do Território de Identidade Metropolitano de Salvador confunde-se com a do Recôncavo baiano. A chegada dos portugueses em 1501 às terras que hoje abrigam Salvador marcou o início de um processo de ocupação que se consolidou com a construção de uma cidade-fortaleza. A escolha do local deveu-se à sua posição litorânea e ao relevo favorável, que permitiram a instalação de portos e fortificações. A partir da segunda metade do século XVI, o território passou a ser explorado por meio do trabalho escravo, voltado para atividades portuárias e agropecuárias, trazendo grande riqueza para os colonizadores, mas também intensificando os conflitos com os povos indígenas que habitavam a região, especialmente os Tupinambás.[1]
Com o avanço da criação de gado, a presença dos jesuítas e os embates contra os holandeses, surgiram vilas que deram origem a alguns dos municípios mais antigos, como São Francisco do Conde e Camaçari. Salvador consolidou-se como capital do Brasil até a década de 1760, desempenhando papel central na administração colonial. Nas terras do Recôncavo e do TI ocorreram alguns dos episódios mais intensos da luta pela independência em relação ao domínio português, protagonizados por indígenas, negros e colonos. Esse processo culminou em 2 de julho de 1823, com a independência da Bahia.[1]
O território preserva um patrimônio artístico e cultural reconhecido mundialmente. Salvador é referência da herança material e imaterial, com um rico acervo arquitetônico e manifestações culturais que se estendem aos demais municípios, como Itaparica e Mata de São João, onde se encontra o Castelo da Torre de Garcia D’Ávila. Mesmo com o intenso processo de urbanização, o território mantém a convivência entre culturas eruditas, religiosas e populares. A beleza do litoral, que se estende de Mata de São João a São Francisco do Conde, as ilhas, as cidades Alta e Baixa de Salvador e a força industrial de Camaçari, Simões Filho e Candeias exemplificam a diversidade natural e material da região.[1]
A Região Metropolitana de Salvador e o Recôncavo guardam elementos da Bahia mais ancestral. O carnaval, a música marcada por ritmos de origem africana, a culinária, os folguedos, as festas juninas e as manifestações culturais das periferias fazem do território um espaço singular de experiências e sensações.[1]
No campo da diversidade étnica, destaca-se a presença do povo Cariri-Xocó, na terra indígena Aldeia Thá-Fene, em Lauro de Freitas, único registro de comunidade indígena no território, ocupando uma área de 2,8 hectares. O patrimônio dos negros escravizados que buscaram refúgio está preservado nas comunidades quilombolas, mais de vinte ao todo, a maioria certificada pela Fundação Cultural Palmares. Entre elas, destacam-se as de Camaçari, Salvador (incluindo suas ilhas) e Simões Filho, que resistem com histórico de luta pela terra, como a Comunidade Quilombola Rio dos Macacos, em Simões Filho.[1]
Ver também
Referências
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- ↑ a b c d e f g h i j k l m «SIPAC - Sistema de Informações do Patrimônio Cultural da Bahia». patrimonio.ipac.ba.gov.br. Consultado em 6 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 29 de julho de 2021
- ↑ a b c d e f 26_metropolitano.pdf