Mesorregião do Oeste Catarinense

Mesorregião do Oeste Catarinense
Divisão regional do Brasil
Características geográficas
Unidade federativa Santa Catarina
Municípios 118
Área Não disponível
População 1,270,000 hab. (IBGE, 2 016) hab.
Densidade Não disponível

A Mesorregião do Oeste Catarinense é uma das mesorregiões de Santa Catarina, criada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para fins estatísticos e de planejamento regional. Localiza-se na porção oeste do estado, fazendo divisa com o Paraná ao norte e com o Rio Grande do Sul ao sul, além de fazer fronteira internacional com a Argentina através do Rio Peperi-Guaçu e situar-se próxima ao Paraguai. É reconhecida como uma das regiões mais importantes do Brasil no setor agroindustrial, destacando-se na produção de carnes, leite e grãos.[1][2]

Geografia

A mesorregião é composta por 118 municípios, divididos em cinco microrregiões: São Miguel do Oeste (21), Chapecó (38), Xanxerê (17), Concórdia (15) e Joaçaba (27).[2]

O relevo é predominantemente ondulado, com vales e planaltos integrados à bacia do Rio Uruguai, que abrange parte do sudoeste de Santa Catarina.[2]

A rede urbana é composta por cidades de pequeno e médio porte, com destaque para Chapecó, o município mais populoso, com 209,5 mil habitantes em 2016 e 91,6% de urbanização em 2010. Outros centros relevantes são Concórdia, Videira, Xanxerê e Caçador, esta última com forte presença da indústria madeireira e de papel e celulose.[1]

História

A formação do Oeste Catarinense remonta à criação de dois municípios pela Lei Estadual nº 1.147, de 25 de agosto de 1917, em uma área que, por décadas, foi disputada entre Santa Catarina e Paraná, e também entre o Brasil e a Argentina.[2]

O processo de ocupação ocorreu de forma lenta, envolvendo três principais grupos: povos indígenas, caboclos e colonizadores europeus. A chegada de imigrantes italianos e alemães vindos do Rio Grande do Sul marcou o início da colonização planejada, baseada em pequenas propriedades familiares e no uso agrícola do solo.[3]

No início do século XX, a economia regional era baseada na extração da madeira e da erva-mate. A partir da década de 1950, com o fortalecimento das cooperativas e agroindústrias, a região consolidou o modelo agroindustrial integrado, conectando pequenos produtores a grandes empresas processadoras de alimentos. Esse processo transformou o Oeste Catarinense em um dos principais polos agroindustriais do país.[3]

Demografia

Em 2016, a mesorregião possuía uma população estimada de 1,27 milhão de habitantes, com taxa média de urbanização de 71% (IBGE, 2010).[1] A população é predominantemente distribuída em pequenas cidades, sendo treze municípios com mais de 20 mil habitantes.[1]

Economia

A base econômica do Oeste Catarinense está centrada na agropecuária, agroindústria e cooperativismo.[3] A região concentra uma das maiores cadeias de produção de proteína animal da América Latina, com destaque para os setores de suinocultura, avicultura e bovinocultura de leite, além da produção de grãos e derivados.[3]

Segundo estudo da Universidade Federal de Santa Catarina, em 2017 a mesorregião respondia por 78% da produção estadual de frangos, 79% da produção de suínos e 75% da produção de leite, além de ser responsável por cerca de 19% do PIB catarinense.[3]

Dentre as cinco maiores empresas exportadoras de carne suína do Brasil, quatro possuem unidades industriais no Oeste Catarinense: Perdigão, Sadia, Seara e Aurora. Essas companhias são responsáveis por uma parcela significativa das exportações brasileiras do setor, evidenciando a concentração da atividade agroindustrial na região.[4]

O setor secundário apresenta dinamismo com indústrias alimentícias, madeireiras e de papel e celulose, principalmente em Caçador e Matos Costa.[2]

Referências

  1. a b c d PERTILE, R.; et al. (2017). «Atlas Socioespacial do Oeste Catarinense». Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Consultado em 8 de outubro de 2025 
  2. a b c d e AREND, S. C.; ORLOWSKI, G. F. (2012). «Análise do desenvolvimento regional da mesorregião Oeste Catarinense». Interações (Campo Grande). Consultado em 8 de outubro de 2025 
  3. a b c d e DENTZ, E. V.; ESPÍNDOLA, C. J. (2019). «Dinâmica produtiva da pecuária na mesorregião Oeste Catarinense». Geosul. Consultado em 8 de outubro de 2025 
  4. PERTILE, N. (2007). «A economia agroindustrial e o desenvolvimento regional em Santa Catarina» (PDF). Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Consultado em 8 de outubro de 2025