Mequinaças
Os mequinaças[1] (em berbere: ⵉⵎⴽⵏⴰⵙⵏ; romaniz.: *Imeknasen; em árabe: مكناسة; romaniz.: Miknāsa) eram, na Idade Média, uma tribo berbere zeneta cujas migrações do leste para o oeste levaram a vários assentamentos e ramificações no Magrebe.
História
Os mequinaças pertenceram à confederação dos zenetas. Os genealogistas dizem que descendem de Uarstife ibne Iáia ibne Dari. Por essa razão, são às vezes chamados de Uartassife-mequinaça, e as diferentes tribos que deles surgiram são agrupadas sob o nome genérico mequinaça. São irmãos dos auquenaítas (macanitas) e dos uartanajitas. Ibne Caldune informa que os filhos de Uarstife, filho de Iáia e irmão de Jana e Semegane, formam três tribos: os mequinaças, os urnajaítas e os auguenaítas (megnaítas). Ibne Caldune também menciona os hauatitas, os cançaraítas, os sulatitas (mualatitas), os uanifaítas (uartifaítas), os uarflacitas, os uariducitas (uartaducitas) e os uariflitaítas (taflititas), além dos haratitas e dos unifaítas. Essa tribo parece ter se deslocado de leste para oeste antes das outras tribos zenetas. As várias ramificações da tribo de Uarstife fundiram-se no grupo dos mequinaças, que ocuparam as margens do rio Mulucha desde sua nascente até a foz. Essas tribos reconheciam a autoridade da família Abu Izul ou Mejedul, filho de Tafris, filho de Feradis, filho de Unife, filho de Miquenas.[2]
Grande parte dos mequinaças atravessou o estreito de Gibraltar durante a conquista da Hispânia e ali se estabeleceu. Tornaram-se muito numerosos e poderosos. Em 768, parte deles tomou partido de Xaquia ibne Abede Aluaide, que se revoltou contra Abderramão I (r. 756–788). No século X, Messala ibne Habus ibne Manazil, grande chefe mequinaça, apoiou a dinastia fatímida reinante em Mádia. Ele tornou-se próximo de Abedalá Almadi Bilá (r. 909–934) e se converteu num de seus principais generais. Obteve o governo de Tierte e submeteu todo o Magrebe Central, bem como Fez e Segelmeça. Após sua morte, o comando passou a seu irmão Islitane ibne Habus. Hamide, filho de Islitane, mudou de aliança e proclamou a soberania de Abderramão III (r. 912–961), soberano de Alandalus. Mais tarde, passou para o Alandalus e exerceu funções importantes sob Abderramão III e sob seu filho Aláqueme II (r. 961–976). Governou Tremecém em nome desta dinastia. Issel, filho de Hamide, recebeu o governo de Segelmeça para os omíadas de Córdova.[3]
Albacri relata que ao norte da cidade de Tierte havia mequinaças ao lado dos matematas e dos zenetas. Mais adiante, menciona mequinaças ibaditas ao norte de Tabuda, perto de Biscra. Na rota de Tenés para Tierte, Albacri informa que se passava por Tajemute, pelo "desfiladeiro dos mequinaças". Acrescenta que para ir de Ujda a Fez, era preciso alcançar Za, depois Taberida, e então as terras dos mequinaças, que habitavam cabanas de mato. Em seu itinerário de Fez a Cairuão passando pelo Sebu, descreve uma localidade chamada Candaque Alful ("ravina das favas"), pertencente aos mequinaças, assim como o desfiladeiro de Taza. Depois se chegava ao salgado Uádi Uaroguine, que corre pelo território dos mequinaças. Rumo ao Orés, "após atingir o Nar Algaba", numa extensão de sete dias de marcha, encontravam-se "numerosas fortalezas pertencentes aos hauaraítas e aos mequinaças, que professavam as doutrinas heréticas da seita ibadita".[4]
Segelmeça foi fundada em 757/8 pelos mequinaças midráridas, constituindo assim a primeira unidade política, pois a tribo ocupava todo o curso do Mulucha. O local da cidade correspondia à vontade de controlar o comércio do ouro. A dinastia desapareceu com a tomada da cidade pelos magrauas em 976. Essa tribo ocupava regiões que vão de Teuda a Mequinez, passando pelas montanhas do Orés, Bagai, N'Gaous, Uarsenis, Alguza, Tremecém, o passo de Taza e o monte Zerune. Um segundo reino, comandado pelos afuiânidas, se estendia ao redor do Tassul. Dreses situa os mequinaças no território de Segelmeça, Drá, Tédula, Calate Almadi, Fez, Mequinez, Salé, o Atlântico, Tremecém, Tittan-u-Qara, Sefru, Maguila, Acarcife (Guercife), Caranita, Ujda, Melilha, Orã, Tierte e Achir. Atribui a cidade de Mequinez a Miquenas, o berbere, desde o momento em que se instalou ali com seus filhos, "designando para estes um local a cultivar". Ele menciona duas frações dessa tribo: os Banu Muça e os Banu Saíde. No século XIV, remanescentes dessa grande tribo ainda viviam nas montanhas ao redor de Taza, seu antigo território, e prestaram juramento ao Império Merínida.[5]
Referências
- ↑ Lopes & Machado 1968, p. 41.
- ↑ Khelifa 2010, p. 5019.
- ↑ Khelifa 2010, p. 5019-5020.
- ↑ Khelifa 2010, p. 5020.
- ↑ Khelifa 2010, p. 5020-5021.
Bibliografia
- Lopes, David; Machado, José Pedro (1968). Nomes árabes de terras portuguesas. Lisboa: Sociedade de Língua Portuguesa e Circulo David Lopes
- Khelifa, A. (2010). «Miknaça / Miknasa (*Imeknasen)». In: Chaker, Salem. Encyclopédie berbère. 32 | Mgild – Mzab. Aix-en-Provence: Edisud. pp. 5019–5021. ISBN 978-2-85744-948-5. doi:10.4000/encyclopedieberbere.93