Climério de Oliveira

Climério de Oliveira
Climério de Oliveira por Vieira Campos
Nome completoClimério Cardoso de Oliveira
Nascimento
Morte
8 de abril de 1920 (65 anos)

Salvador
Nacionalidadebrasileiro
ProgenitoresMãe: Maria Virginia da Motta Cardoso
Pai: Rodolpho Cardoso de Oliveira
Alma materFaculdade de Medicina da Bahia
OcupaçãoMédico, professor
Principais trabalhosConstrução da Maternidade Climério de Oliveira

Climério Cardoso de Oliveira (Salvador, 1855 - Salvador, 8 de abril de 1920) foi um médico e professor brasileiro. Fundou a segunda maternidade-escola do país,[nota 1] e a primeira do estado da Bahia.

Era filho de Rodolpho Cardoso de Oliveira e de Maria Virginia da Motta Cardoso, irmão do advogado e escritor Virgílio Cardoso de Oliveira que, radicado no Pará, foi ali secretário de governo.[3] Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1877; em 1883 concorreu a uma cátedra na mesma Faculdade, junto a Antônio Rodrigues Lima e Deocleciano Ramos, sendo o aprovado o primeiro mas, por razões políticas, o imperador D. Pedro II nomeou a Climério que, assim, tornou-se titular da cadeira de clínica ginecológica e obstétrica.[4]

O médico Climério de Oliveira obteve o título de doutor em 1877, aos 22 anos de idade, defendendo uma tese sobre eclampsia, mal que acometia muitas parturientes. Em 1879, uma nova reforma no ensino de Medicina cria a cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica. Alguns anos depois, em 1892, ele era uma das principais vozes que se levantavam contra a falta de um espaço destinado exclusivamente aos partos. A enfermaria da Santa Casa comportava um pequeno número de pacientes, em condições precárias materiais e de higiene. [5]

Em 1910 foi inaugurada a Maternidade Climério de Oliveira, instituição centenária da capital baiana, ainda em atividade; sua construção foi capitaneada pelo professor, obtendo para tanto verbas do governo federal que, entretanto, não foram suficientes e este realizou diversos movimentos arrecadatórios a fim de possibilitar sua conclusão.[6]

O empenho de Dr. Climério foi o diferencial para a unidade ficar pronta. O professor mobilizou frentes de arrecadação de fundos, como o Comitê de Senhoras da Sociedade Baiana, formado por 18 senhoras influentes. O comitê realizou seis espetáculos teatrais, montagem do texto “A Maternidade”, de autoria do próprio Climério de Oliveira. Estudantes das escolas de nível superior, sensibilizados com a causa, iam às ruas em grupos pedir doações aos passantes. [7][8]

O projeto do edifício foi orientado pessoalmente por professor Climério. Apesar de uma polêmica que veio a público nos jornais da época entre os engenheiros Theodoro Sampaio e João Pereira Navarro de Andrade, numa disputa pela paternidade do projeto, ambos reconheciam a orientação do médico para a construção.

Notas

  1. A primeira unidade deste tipo foi inaugurada em 1904 por Antônio Rodrigues Lima, no Rio de Janeiro,[1][2] ao passo que a de Climério só se concretizou seis anos depois, em 1910.

Referências

  1. Márcia Regina da Silva Ramos Carneiro (18 de janeiro de 2010). «A Maternidade como política pública – a criação de uma escola para o "povo" nascer» (PDF). Universidade Federal Fluminense. Consultado em 15 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 15 de outubro de 2017 
  2. Maria Lúcia Lacaz Amaral. «Maternidade-Escola: 106 anos ajudando a nascer». Biblioteca Jorge de Rezende da Maternidade-Escola da UFRJ. Consultado em 4 de janeiro de 2012. Arquivado do original em 3 de março de 2016 
  3. Sacramento Blake (1893). «Virgilio Cardoso de Oliveira» (PDF). Wikisource, após: Dicionário Bibliográfico Brasileiro, vol. 7, p. 388. Consultado em 19 de outubro de 2017 
  4. Jailma (1 de maio de 2015). «Dr. Climério Cardoso de Oliveira». Comissão Permanente de Arquivo - UFBa. Consultado em 19 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2017 
  5. Costa, Iracy Silva (2005). Até parece que foi ontem... Salvador: Clínica de Livros 
  6. Leo Barsan (10 de dezembro de 2010). «Maternidade Climério de Oliveira faz 100 anos com problemas de infraestrutura». Correio 24H. Consultado em 19 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2017 
  7. Amaral, Marivaldo Cruz do (2005). «"Da comadre para o doutor": a maternidade Climério de Oliveira e a nova medicina da mulher na Bahia Republicana (1910-1927).». Repositório Institucional da UFBA. Consultado em 1 de setembro de 2025 
  8. «Maternidade Climério de Oliveira em festa pelos 104 anos». Agência Brasil. 18 de março de 2015. Consultado em 1 de setembro de 2025