Mastologia

Mastologia
Aparelho utilizado na mamografia, um dos principais exames de imagem para detectar doenças mamárias.
SistemaSistema reprodutor feminino
FocoDiagnóstico e tratamento de doenças das mamas.
Doenças significativasCâncer de mama, mastite, doenças beningnas, entre outras.
EspecialidadeMastologista

Mastologia ou senologia[1] é a especialidade médica que se dedica ao estudo, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças das glândulas mamárias em seres humanos.[2]

A mastologia abrange aspectos clínicos, radiológicos, patológicos e cirúrgicos, atuando desde alterações benignas até neoplasias malignas da mama, com ênfase no diagnóstico precoce e manejo integrado das condições que afetam esse órgão.[3]

História

O termo Mastologia deriva do grego μαστός (mastos), "mama" e λόγος (logos), "estudo", refletindo o foco da disciplina no entendimento científico e no tratamento das doenças mamárias.[4] A mastologia como campo médico mais claramente delineado surgiu no século XX, à medida que a crescente incidência do câncer de mama e a evolução das técnicas diagnósticas, especialmente a mamografia, tornaram necessária a especialização clínica e cirúrgica específica.[5]

Com o avanço das abordagens multidisciplinares, incluindo cirurgia, radioterapia, radiologia e oncologia, a mastologia passou a integrar programas de rastreamento e tratamento que visam reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.[2][5]

Campo de atuação

A mastologia abrange uma ampla gama de práticas médicas relacionadas à saúde das mamas, tais como:[6][2]

  • Prevenção e rastreamento de alterações mamárias, incluindo câncer de mama;
  • Avaliação clínica detalhada dos sinais e sintomas mamários;
  • Interpretação de exames de imagem como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética;
  • Procedimentos diagnósticos, incluindo biópsias teciduais;
  • Manejo de doenças benignas (por exemplo, mastite, cistos e fibroadenomas) e condições específicas como ginecomastia;
  • Coordenação terapêutica do câncer de mama, em colaboração com outras especialidades.

Métodos diagnósticos

O diagnóstico em mastologia combina a avaliação clínica com exames complementares de imagem e procedimentos invasivos quando indicados. Entre os métodos mais utilizados estão:

  • Mamografia: exame radiográfico que detecta alterações incluso antes de se tornarem palpáveis, sendo um pilar do rastreamento do câncer de mama[7];
  • Ultrassonografia mamária: especialmente útil em mamas densas e na diferenciação de lesões císticas e sólidas[8];
  • Ressonância magnética: indicada em situações clínicas específicas ou em alto risco[9];
  • Biópsias: coleta de amostras teciduais para análise anatomopatológica, fundamental para a confirmação diagnóstica.[10]

Tratamento

O tratamento em mastologia depende da natureza da condição diagnosticada. Para doenças benignas, o enfoque pode variar entre acompanhamento clínico, terapias conservadoras ou intervenções cirúrgicas quando necessário.[6] No caso do câncer de mama, o manejo é tipicamente multidisciplinar e pode incluir a realização de cirurgias (conservadoras ou radicais), radioterapia, terapias sistêmicas como quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo; e abordagens reconstrutivas ou oncoplásticas para preservação da forma mamária pós-tratamento.[11][6]

Formação e certificação

A formação de um mastologista inicia-se com a graduação em medicina, seguida de especialização reconhecida, que pode incluir residência médica em mastologia ou em áreas correlatas com posterior título de especialista. No Brasil, a residência médica em mastologia é oferecida após a formação em cirurgia geral ou ginecologia e obstetrícia, seguida de treinamento específico na área.[12][2] O título de especialista em mastologia é conferido por sociedades médicas reconhecidas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e validado pelo Conselho Federal de Medicina.[2]

Referências

  1. «Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Consultado em 21 de janeiro de 2011 
  2. a b c d e BAGNOLI, F.; et al. (2017). Mastologia: do diagnóstico ao tratamento. [S.l.]: Sociedade Brasileira de Mastologia. ISBN 978-85-68764-06-0 
  3. «Manual de Práctica Clínica en Senología» (PDF) (em espanhol). Sociedad Española de Senología y Patología Mamaria. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  4. «Mastologia». Michaelis. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  5. a b Luiz Antonio Teixeira, Luiz Alves Araújo Neto (2020). «Câncer de mama no Brasil: medicina e saúde pública no século XX». Saúde e Sociedade - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  6. a b c «Diretrizes Clínicas do Serviço de Mastologia» (PDF). Biblioteca Virtual em Saúde. Ministério da Saúde do Brasil. 2021. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  7. «Tudo sobre mamografia». A.C. Camargo Cancer Center. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  8. Simone Elias. «A importância da Ultrassonografia Mamária e o Outubro Rosa». Sociedade Brasileira de Ultrassonografia - SBUS. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  9. Juliana Therezinha Fajoses Gonçalves, Wagner Antônio Paz, Kerstin Kapp Rangel (28 de maio de 2013). «Ressonância magnética das mamas: revisão da literatura» (PDF). Mastology.org. Revista Brasileira de Mastologia. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  10. «Métodos de biópsia de mamas». Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e Adolescente Fernandes Figueira (IFF) - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 28 de janeiro de 2019 
  11. Giovanna Azevedo Gabriele Carlos (4 de março de 2024). «Mastologista não trata apenas câncer de mama». Hospital Nove de Julho. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  12. «Brasil desponta no cenário mundial como modelo de residência em mastologia». CREMERJ News. CREMERJ - Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro. 19 de agosto de 2025. Consultado em 20 de janeiro de 2026 

Ligações externas