Mariana Luz

Mariana Luz
Nome completoMariana Gonçalves da Luz
Nascimento
Morte
14 de setembro de 1960 (88 anos)

Itapecuru-Mirim (MA)
Nacionalidadebrasileira
Ocupaçãopoeta
teatróloga
Magnum opusMurmúrios (1960)

Mariana Luz (Itapecuru-Mirim, 10 de dezembro de 1871[nota 1] - idem, 14 de setembro de 1960) foi uma poeta, professora, artista plástica e teatróloga brasileira. Escreveu também com o pseudônimo de Cianica. Destacou-se como uma das pioneiras da literatura maranhense, tornando-se, em 1949, a segunda mulher, após Laura Rosa, a ocupar uma cadeira na Academia Maranhense de Letras.[2][3]

Biografia

Mariana Luz nasceu em 10 de dezembro de 1871 em Itapecuru-Mirim. Seu pai foi João Francisco da Luz e sua mãe Fortunata Gonçalves da Luz. Sua avó foi a liberta Mariana Francisca da Conceição.[3] Era a filha mais nova e tinha três irmãos: Lisímaco, Adelina Francisca e Ramira.[4]

Luz não casou e não teve filhos.[4]

Dedicou grande parte de sua vida ao magistério, atuando como professora primária em sua cidade natal, Itapecuru-Mirim. Sua trajetória é marcada pela resistência contra a invisibilidade imposta a artistas negros e mulheres no contexto do final do século XIX e início do século XX.[3]

Em 24 de julho de 1948[5], foi eleita para a Academia Maranhense de Letras (cadeira nº 32), patrocinada por Vespasiano Ramos. Foi empossada em 10 de maio de 1949, sendo recepcionada pelo historiador Mário Martins Meireles, e tendo seu discurso de posse sido lido pelo acadêmico Mata Roma, uma vez que estava impossibilitada.[6][7]

Faleceu na sua cidade natal, em 14 de setembro de 1960, aos 88 anos.[2]

Estilo e atuação literária

A produção literária de Mariana Luz é caracterizada por uma estética que transita entre o parnasianismo e o simbolismo. Sua poesia apresenta rigor formal, com o uso frequente de sonetos, rimas e versos alexandrinos, revelando influências de autores como Olavo Bilac.[2] Tematicamente, sua obra explora desde temas intimistas até os sociais, como a condição feminina na sociedade patriarcal.[8] Seus poemas frequentemente utilizam elementos da natureza e figuras metafóricas, como o "pálido espectro", para expressar estados de alma e reflexões sobre a morte e o tempo.[9] Sua principal obra poética, Murmúrios, só foi reunida e publicada em livro postumamente.[2] Além da poesia, dedicou-se à dramaturgia e à criação de cantos litúrgicos.[6]

Contribuiu, também, em diversos jornais e revistas maranhenses, como Diário do Maranhão, Paiz, Pacotilha, O Rosariense e Gazeta do Codó. Fora do estado, publicou no Jornal do Ceará, O Lyrio (Recife), Gazeta (Petrópolis) Gazeta de Notícias e Correio da Manhã (ambos do Rio de Janeiro).[8]

Homenagem

Em Itapecuru-Mirim é homenageada como nome da escola municipal Unidade Integrada Mariana Luz.[10]

Obras

  • Murmúrios (Poesia, 1ª ed., 1960 - edição póstuma).

Ligação externa

Precedido por
Vespasiano Ramos
AML - cadeira 32
1948 — 1960
Sucedido por
Félix Aires


Notas e referências

Notas

  1. Comumente fontes citam que Mariana teria nascido em 1879, porém esta afirmativa é um erro devido ao fato de que seu padrinho - o Comendador João Ribeiro de Moura - realizara uma petição ainda em 1879 para retificação do registro de batismo junto a Arquidiocese, haja vista seu nome ter sido escrito erroneamente. Mariana nasceu em 10 de dezembro de 1871 e fora batizada em 25 de dezembro do referido ano.[1]

Referências

  1. Santana, Gabriela (2021). Sobre Mariana Luz. São Luís: Edições AML. p. 21. ISBN 978-65-88222-04-1 
  2. a b c d DUARTE, Constância Lima. Mariana Luz. In: MUZART, Zahidé Lupinacci (Org.). Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. Vol. II. Florianópolis: Editora Mulheres, 2004. p. 871-880.
  3. a b c Silva, Régia Agostinho da; Oliveira, Gabriela de Santana (27 de dezembro de 2022). «MARIANA LUZ: ENTRE O PRECONCEITO E A INVISIBILIDADE». Organon (74). ISSN 2238-8915. doi:10.22456/2238-8915.125554. Consultado em 3 de janeiro de 2026 
  4. a b Santos, Cinthia Andrea Teixeira dos; Mendes, Ricardo Pablo Moraes (24 de dezembro de 2021). «Literatura itapecuruense: O patriarcalismo na "peça teatral" de Mariana Luz». Revista Pergaminho (1): 41–53. ISSN 2764-3522. Consultado em 3 de janeiro de 2026 
  5. «Academia Maranhense de Letras». memoria.bn.gov.br. Diário de S. Luiz. 27 de julho de 1948. Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  6. a b Oliveira, Gabriela de Santana; Quevedo, Rafael Campos (5 de janeiro de 2019). «A poética de Mariana Luz». Revista Interdisciplinar em Cultura e Sociedade: 319–339. ISSN 2447-6498. Consultado em 3 de janeiro de 2026 
  7. LETRAS, Academia Maranhense de. Perfil do Fundador: mariana luz. Mariana Luz. 2025. Disponível em: https://academiamaranhense.org.br/fundadores/mariana-luz/. Acesso em: 27 dez. 2025.
  8. a b Tolomei, Cristiane Navarrete (8 de março de 2024). «Mariana Luz e "A mendiga do Amor" na sociedade patriarcal». Afluente: Revista de Letras e Linguística (24): 01–22. ISSN 2525-3441. doi:10.18764/2525-3441v8n24.2023.40. Consultado em 3 de janeiro de 2026 
  9. ABREU, Antonia Cristina Lima. A REPRESENTAÇÃO DAS INFLUÊNCIAS DO SIMBOLISMO NAS PRODUÇÕES DE MARIANA LUZ POR MEIO DA ANÁLISE DOS POEMAS "CONTRASTE", "MORRER... DORMIR...", "PÁLIDO ESPECTRO" E "A CAMINHO". 2019. 44 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Licenciatura em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa, Universidade Estadual do Maranhão, Itapecuru-Mirim, 2019. Disponível em: https://repositorio.uema.br/handle/123456789/4331. Acesso em: 27 dez. 2025.
  10. CONCEIÇÃO, Maria Helena Nascimento. UM RESGATE DAS CONTRIBUIÇÕES LITERÁRIAS DE MARIANA LUZ NO CENÁRIO ITAPECURUENSE: um estudo de caso com os alunos da escola municipal que recebe o nome da ilustre poetisa.. 2016. 47 f. TCC (Graduação) - Curso de Licenciatura em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa, Universidade Estadual do Maranhão, Itapecuru-Mirim, 2016. Disponível em: https://repositorio.uema.br/handle/123456789/3571. Acesso em: 27 dez. 2025.