Maria Vitória (fadista)

Maria Vitória
Nascimento13 de março de 1888
Málaga
Morte30 de abril de 1915 (27 anos)
São Sebastião da Pedreira
SepultamentoCemitério de Benfica
CidadaniaPortugal
Ocupaçãoatriz, fadista

Maria Vitória (Málaga, 13 de março de 1888 – São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 30 de abril de 1915)[1] foi uma fadista e atriz que deu o nome ao Teatro Maria Vitória.[2]

Biografia

Teatro Maria Vitória - Lisboa

Era filha do agricultor Francisco Pajarrón, natural de Valência, Espanha, e de María de Carmen López, natural de Málaga. Veio para Lisboa criança, juntamente com a mãe, não tendo completado a sua educação devido à rigidez do ensino do convento que frequentou. Morena e de olhos negros, começou por se dedicar à prostituição e, depois, começou a cantar o fado na boémia noturna lisboeta, granjeando popularidade entre o público, quer masculino, quer feminino.[3][2][4][5]

Estreou-se como atriz em 1908, no Casino de Santos, tendo também atuado no Salão Fantástico e na Rua do Condes. No teatro de revista, atuou em diversos papéis com a Companhia do Teatro Avenida, dirigida por Luís Galhardo.[3][4]

Em 1912, integra o elenco, como primeira figura, da revista A Espiga, escrita pelos autores Lino Ferreira, Pereira Coelho e Gustavo de Matos Sequeira (sob o pseudónio de Eu, Tu, Eles), e que glorificava a implantação da República em Portugal.[3]

Mais tarde, participou na revista O 31 como atriz e fadista, celebrizando o Fado do 31, inicialmente intitulado Semente da desordem, que fazia alusão ao estado em que Portugal se encontrava na altura.[3]

Maria Vitória morreu tuberculosa aos 27 anos, a 30 de abril de 1915, na Rua Neves Piedade (atualmente Rua Filipe da Mata), letras JHS, freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, e foi sepultada no Cemitério de Benfica.[6][5][2][7]

Reconhecimento

O Teatro Maria Vitória, o primeiro a ser edificado no Parque Mayer, veio homenagear a atriz fadista colocando o seu nome fachada. [8][3]

A 1 de julho de 1922, estreou a peça Lua Nova de Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos, que continha quadros de homenagem à atriz.[9] Mais tarde, na revista A Marcha de Lisboa, Estevão Amarante na rábula O Velho Estudante, menciona declara que antes de Amália, era Maria Vitória a princesa do fado. [3]

Em 1944, 29 anos após a sua morte, Avelino de Sousa e Venceslau de Oliveira criaram a opereta Maria Vitória, em sua homengem. [10]

Teatro

Integrou o elenco da Revista "O 31", no Teatro Avenida [2]

Referências

  1. «Maria Victória Pajarron López (1888-1915) –...». pt.findagrave.com. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  2. a b c d «Maria Vitória». Museu do Fado. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  3. a b c d e f Rebello, Luiz Francisco (1985). História do Teatro de Revista em Portugal. Lisboa: Publicações Dom Quixote. pp. 21,36,43,44,45,111,124 
  4. a b Esteves, João; Castro, Zília Osório de (2013). Feminae, Dicionário Contemporâneo. Lisboa: CIG. ISBN 978-972-597-373-8 
  5. a b «Livro de registo de óbitos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1915-03-14 - 1915-05-20)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 148, assento 295 
  6. Esteves, João; Castro, Zília Osório de (2013). Feminae, Dicionário Contemporâneo. Lisboa: CIG. ISBN 978-972-597-373-8 
  7. Pacheco, Nuno (4 de março de 2021). «As curiosidades do 31 e a boa estrela de um aniversário». PÚBLICO. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  8. «Teatro Maria Vitória - Teatro em Portugal - Espaços - Centro Virtual Camões - Camões IP». cvc.instituto-camoes.pt. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  9. «Cem anos do Maria Vitória: a história de resistência do primeiro teatro do Parque Mayer». sdistribution.impresa.pt. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  10. «Secção Teatros e Cinema do Diário de Lisboa, 30 de Abril de 1944: Maria Vitória». casacomum.org. Consultado em 9 de janeiro de 2026